SOBRE DEUS

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CAPÍTULO II. SOBRE DEUS

CREMOS, professamos e ensinamos que Deus é o Supremo Ser, Criador do céu e da terra: “Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra e a fez; ele a estabeleceu” (Is 45.18); que Ele é o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo: “[…] para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31); que Ele é Espírito doador e mantenedor de toda a vida: “O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida” (Jó 33.4); que Ele é o único Deus verdadeiro: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3) e não há outro além dEle: “Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim, não há deus […] que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro” (Is 45.5,6). Ele é identificado na Bíblia como Deus: “Eu sou Deus, o Deus de teu pai” (Gn 46.3), Deus Altíssimo e Deus Todo-poderoso, Jeová e Senhor,  além de outros nomes. Deus é um ser pessoal, que possui atributos naturais, morais e de poder, qualidades e virtudes que lhe são próprias.

1. Sobre os atributos naturais.

Deus é espírito: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.24).

Ele é eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim: “O Deus eterno te seja por habitação, e por baixo de ti estejam os braços eternos” (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo: “como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Deus mesmo disse: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14). De eternidade a eternidade, Ele é Deus desde antes da fundação do mundo e subsiste em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

Deus é invisível. Espírito não se compõe de matéria, não tem carne nem osso, pois é substância imaterial e invisível. “O qual é imagem do Deus invisível” (Cl 1.15). Nenhum ser humano o viu nem o pode ver.

Ele é imutável: “Porque eu, o SENHOR, não mudo” (Ml 3.6); é o mesmo desde a eternidade.

É um ser transcendente (fora da criação) e imanente (relaciona-se com a criação), além de infinito: “Grande é o nosso SENHOR e de grande poder; o seu entendimento é infinito” (Sl 147.5). Deus é um ser pessoal. Ele tem consciência de si mesmo e possui poder de autodeterminação.

A Bíblia mostra que em Deus há os elementos constitutivos da personalidade, como intelecto, emoção e vontade, além dos atributos como alguém que fala: “E disse Deus” (Gn 1.3); vê: “E viu Deus que era boa a luz” (Gn 1.4); e ouve: “e tenho ouvido o seu clamor” (Êx 3.7).

2. Sobre os atributos morais.

Deus é amor: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 Jo 4.8). Ele é incomparável em santidade; nenhum outro atributo divino é tão solenizado nas Escrituras como esse: “Não há santo como é o SENHOR; porque não há outro fora de ti” (1 Sm 2.2). Incomparável é, ainda, em verdade e fidelidade, em justiça e amor, em bondade, benignidade, misericórdia e graça.

3. Sobre os atributos de poder.

As perfeições exclusivas de Deus, como a onipotência, a onisciência e a onipresença, são elementos que comprovam a sua grandeza e infinitude. Deus é onipotente; Ele é o Deus Todo-poderoso: “Porque para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). O poder de Deus é ilimitado, não há coisa alguma impossível para Ele. A sua vontade, porém, é determinada por sua natureza santa e justa, pois Ele não pode ver o mal e nem praticá-lo: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a vexação não podes contemplar” (Hc 1.13); nem pode mentir: “a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” (Tt 1.2). A onisciência é o conhecimento pleno de todas as coisas necessárias ou contingentes que acontecem, aconteceram, acontecerão e que poderiam ou não acontecer.  O conhecimento de Deus é perfeito e absoluto sobre todas as coisas no céu e na terra, de todos os eventos e de todas as circunstâncias que devem e podem ser que serão e que seriam por toda a eternidade passada e futura: “que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam” (Is 46.10). Trata-se de um conhecimento infinito e imediato em que “não há esquadrinhação” (Is 40.28). Deus é onipresente.  

“Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (1 Rs 8.27).

4. Sobre o nome “Deus”.

O Deus verdadeiro revelado nas Escrituras apresenta-se a si mesmo com diversos nomes e títulos que são inerentes à sua natureza e que revelam suas obras e seus atributos. Há três termos no Antigo Testamento hebraico para “Deus”. São eles: El, Eloah e Elohim. O Novo Testamento grego usa o substantivo theós para “Deus”. O nome El significa “ser forte, proeminente”, sendo um termo semítico muito antigo para a divindade, usado para identificar o Deus de Israel: “E levantou ali um altar e chamou-lhe Deus, o Deus de Israel” (Gn 33.20). É, contudo, empregado também para deidades dos antigos povos semitas como nomes próprios e como apelativos.

Eloah é uma forma expandida de El, e Elohim é o plural de Eloah. O nome Elohim refere-se à ideia mais abstrata da deidade, de um Deus universal e Criador do mundo, indicando a transcendência da sua natureza. Deus é apresentado pela primeira vez na Bíblia com esse nome: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). É o único nome empregado para o Criador no relato da criação em Gênesis, capítulo 1.

5. Sobre outros nomes de Deus.

Outros nomes são mencionados nas Escrituras, os quais também revelam a natureza e os atributos do Deus de Israel, como Elyon, Shadday, Adonay e Yaweh. O nome Elyon significa “Altíssimo”: “Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo” (Gn 14.19); Shadday quer dizer “Todo-poderoso”: “apareceu o SENHOR a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-poderoso” (Gn 17.1); e Adonay indica “Senhor”: “eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono” (Is 6.1).

O nome Yaweh é conhecido por meio do Tetragrama (as quatro consoantes do nome divino YHWH), identificado também como “Jeová”, cuja forma foi inventada no final da Idade Média quando as vogais do nome Adonai foram inseridas no Tetragrama. A forma híbrida “Jeová” não é bíblica, mas assim ela foi passada para a cultura ocidental; entretanto, aos poucos, esse nome vem sendo substituído pela forma Iavé ou Javé, que é a pronúncia mais próxima do original.

O Tetragrama vem do verbo “ser”, no hebraico, da expressão: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14). Isso revela que Deus é o que tem existência própria, ou seja, existe por si mesmo. É o imutável, o que causa todas as coisas, é autoexistente, aquEle que é, que era e que há de vir, o Eterno. O nome Javé aparece quando as características estão claras e concretas, sugerindo, assim, um Deus pessoal que se relaciona diretamente com o povo: “E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração” (Êx 3.15), e nisso difere do emprego do nome Elohim no Antigo Testamento. A partir de 300 a.C., o nome Adonai passou gradualmente a ser mais usado que o Tetragrama, até que o nome Javé tornou-se completamente impronunciável pelos judeus.

6. Sobre as obras de Deus.

A Bíblia ensina que o universo foi planejado por Deus antes de ser criado. Planejamento, origem e manutenção de todas as coisas no céu e na terra envolvem governo e preservação de toda a criação. Tudo foi criado com propósito: “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3.11). Deus trouxe o universo à existência do nada e de maneira instantânea, pela sua soberana e livre vontade. Os decretos ou conselhos divinos são o plano eterno e imutável de Deus claramente revelados nas Escrituras; dizem respeito à vontade e ao propósito de Deus, tais como a criação, a encarnação do Verbo, a eleição de Jesus como Salvador36 e a eleição de Israel e da Igreja. Trata-se de deliberações absolutas que nasceram do desígnio e propósito do Deus Trino na eternidade e que independem da ação humana ou de qualquer outro ser no Universo. Ninguém é capaz de frustrar esses desígnios de Deus:

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido” (Jó 42.2) ou “e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (ARA).

A providência divina é atividade de Deus na preservação, concorrência e governo de todas as criaturas e de tudo o que ocorre na criação até seu destino final. A preservação é o cuidado divino em conservar e manter todas as coisas criadas: “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). Isso inclui o homem na providência divina, bem como os demais seres viventes, sejam eles animados ou inanimados, e toda a natureza. Deus cuida de todos os viventes, desde a estrutura mais simples até a mais complexa. O mundo não subsistiria sem o cuidado e a vontade preservadora de Deus. É também nesse sentido que opera a concorrência. Por seu turno, o governo divino não é um controle meticuloso ao ponto de excluir a liberdade humana; o seu reger por direito fixa limites a essa liberdade: “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17.28).

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