A dignidade da mulher não vem do feminismo ou do gênero

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O feminismo intelectual, obra dos filósofos, das filósofas principalmente, achou uma brecha para desvirtuar a ordem de Deus na Terra.

Esse negócio de ficar sempre falando que o outro importa mais do que eu mesmo é mentira, além de uma irracionalidade.

A afirmação tem razão de ser por vários motivos:

1) só Jesus foi bom, perfeito, e ninguém jamais conseguirá imitá-lo;

2) quem pensa realmente no outro o ajuda quietinho, sem carnaval. Foi Aristóteles quem disse que a virtude é tímida, ou seja, ela não tem vocação para publicidade, ainda mais de marketing. Só Deus tem a régua da maldade inata dentro de nós, segundo Tomas Hobbes;

3) nem Deus quer isso, mesmo quando nos convida a dar a outra face e perdoar setenta vezes sete;

4) o único que fez por merecer a virtude da alteridade foi Jesus;

5) só nos resta a virtude da sinceridade, abandonando a hipocrisia da imitação falsa de Jesus.

Em conclusão, Jesus mais nos quer sinceros do que falsos bons samaritanos.

O feminismo intelectual, obra dos filósofos, das filósofas principalmente, achou uma brecha para desvirtuar a ordem de Deus na Terra. Achou uma narrativa para empoderar a mulher e revolucionar a criação. Este buraco se baseia no Outro, a mulher como segundo sexo.

Segundo um dicionário, narrativa é a narração feita com arte. Um exemplo de narrativa feminista pode ser aquela que, no curso da história das ideias filosóficas, diz, por exemplo, que o número de cargos ocupados por homens é maior do que o das mulheres porque os homens subjugaram a mulher. Ou seja, uma narrativa matemática foi empoderada, usava com fins políticos. Números que empoderam o homem e desempoderam a mulher.

Existem as narrativas e as conclusões. E quem pensa que as conclusões delas são certeiras está completamente enganado. Estatísticas podem ser lidas com grande subjetividade, com sentimentalismo, rancor, ódio, inveja etc. E no coração de um ideólogo existe uma artéria destrutiva.

Simone de Beauvoir, uma feminista da segunda onda do feminismo, envenenou o imaginário feminino, em 1949, com o livro O segundo sexo, ao dizer que o homem o tempo todo subjugou a mulher porque a considerou sempre como Outro.

Um outro ser, um parasita, construção dele, que veio da mente, não da costela. Esses foram os olhos feministas da época, uma leitura maliciosa da melhor criação divina. A filósofa disse que o homem é humano e a mulher mera fêmea, criada depois, em segundo plano, da costela. Ainda, a mulher é culpada pelo pecado, pela queda, e foi punida com dor no parto, enquanto o homem sofre trabalhando.

Ao contrário, o cristianismo, o Gênesis, entende estes números como uma natural relação de dois seres criados à imagem e semelhança de Deus, diferentes entre si, e que pecaram. Daí a punição que o feminismo relê como dominação. O homem trabalha mais do que a mulher (e a mulher sente dor em momento de muita felicidade, o parto). É natural, então, que os cargos sejam mais ocupados por homens justamente pela punição divina.

A ordem foi quebrada e não há teoria ou narrativa feminista que inverta isso. O preconceito, o machismo, a homofobia, o sexismo, e tantas outras misérias são misérias humanas, eternas misérias humanas, como a pobreza. Pensar em eliminação é um sonho longe, embora a luta deva continuar, claro, sem fantasias histéricas, ilusões, aventuras da razão.

A preferência feminista é que a mulher não seja um semelhante, tratado como tal, com amor, um humano. Mais válido, útil, para a política feminista, é que ela seja um instrumento de uma narrativa ressentida que a diminui, uma desvalida, uma fêmea. O feminismo inferioriza a mulher, a vitimiza, acabando num efeito inverso ao pretendido. Isso é ideológico, anti-humano. E ainda dizem estar defendendo direitos humanos!

Para o feminismo, ser mulher é um sacrilégio, enquanto para o cristianismo é um privilégio! Por isso o ódio às mulheres, praticado pelo feminismo de segunda onda, que acaba resvalando no homem como um falso adversário. O que este feminismo rejeita é a condição biológica da mulher, visando que mulheres emancipadas possam tirar a vida de bebês e dormir em paz. Nietzsche entendeu que a emancipação feminina, na verdade, era a sua masculinização.

Para o cristianismo, o Outro é igual a você, diferente na condição, porém igual na essência. O Outro é o semelhante, de carne e osso, corpo e alma, irmão em Cristo.

Os olhos são lâmpada do corpo. Se os olhos forem bons, todo o corpo será luminoso. Se os olhos forem maus todo o corpo será trevas (Mateus 6.22 e 23). A leitura feminista dos números é uma leitura de trevas, com olhos maliciosos.

Deus não criou um ser só, um indivíduo só. Ele criou dois. E se tem dois ou mais há necessidade de amor. Deus é um deus de amor porque, sendo livre, criou o homem livre e, sendo amor, deu amor ao homem para conviver com seu semelhante. Uma criatura que é imagem e semelhança de Deus tem que ser livre e ao mesmo tempo amar os outros, pois todos conviverão num mesmo ambiente de disputas por alguma coisa de valor.

Para Gênesis, o cristianismo, o Outro não é mais do que o Eu nele e ele em mim. Não existe relação de amor maior do que essa, enquanto o feminismo, de Simone de Beauvoir, vê no Outro um ser alheio, distante em tudo do Eu, inferior, dominado, desempoderado. Por isso, sempre haverá conflito, separação.

Em briga de marido e mulher não se coloca a colher. Deixemos que os dois se resolvam sozinhos.

Não faça ao semelhante aquilo que não queiras que seja feito em você, disse aquele que amou o outro verdadeiramente, não só de palavras ou narrativas falaciosas.

Jesus deixou esse recado porque via que a sua criação era algo bom, não perfeito. Ele viu que as coisas não iam dar muito certo por aqui, nesse parque temático, por isso, ao mesmo tempo em que deu liberdade, deu também amor para que tolerássemos os outros e, assim, pudéssemos conviver até a sua outra vinda.

Por Sergio Renato de Mello, defensor público de Santa Catarina, colunista do Jornal da Cidade Online e Instituto Burke Conservador, autor de obras jurídicas, cristão membro da Igreja Universal do Reino de Deus.

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