EBD – Sendo verdadeiros

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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano” (Sl 32.2)

O que está por trás dos nossos atos? Qual é a verdadeira motivação do nosso coração? Essas são as perguntas que a presente lição busca responder. O coração do seguidor de Jesus tem de estar sempre com a verdade. A nossa motivação tem de ser sempre a melhor, nobre e sincera no Reino de Deus. Essa consciência do Reino protege-nos da hipocrisia.

INTRODUÇÃO

Uma nova seção que se inicia com o capítulo 6, no qual é destacada a vida religiosamente piedosa de um verdadeiro servo de Deus. Nas ilustrações que foram feitas por Cristo, como a primeira seção de Mateus 5.3-12, Ele falou de como o cristão em essência deveria ser. Logo em seguida, na segunda seção, é dito do seu papel e caráter perante o mundo (Mt 5.13-16). Na terceira ilustração feita pelo divino Mestre, é dito como os seus discípulos devem se relacionar com a Lei, sem qualquer pretensão legalista como faziam os escribas e os fariseus, mas tendo uma justiça superior.

Um cristão que vive as beatitudes não tem como ser um hipócrita na vida religiosa, porquanto é plenamente consciente de que desenvolve sua comunhão com o Deus onisciente e todo poderoso, que requer de cada um de nós um proceder em obediência e santidade, tanto para com Ele como perante esse mundo pecaminoso. Nessa prática de um viver sincero na vida religiosa, Tiago esclarece muito bem o que o Pai celestial espera de nós:

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27, ARA).

Há duas coisas importantes a serem consideradas nesse versículo. A primeira é em relação ao substantivo feminino religião, que do grego é threskeía, adoração religiosa, externo, aquilo que consiste de cerimônias, disciplina religiosa, religião. A segunda está relacionada ao adjetivo puro, katharós, limpo. Só se pode desenvolver atitudes religiosamente aceitáveis diante de Deus quando o coração for realmente puro. Douglas J. Moo, falando das palavras de Tiago, escreve:

Precisamos ter em mente que Tiago está tentando aqui resumir tudo o que envolve a verdadeira adoração a Deus. Segundo Calvino, “ele não dá uma definição geral da religião, mas nos lembra de que a religião sem as coisas que ele menciona é nada”. O ritual religioso, se praticado com um coração reverente e num espírito de adoração, não é errado — e a Palavra de Deus não pode ser “praticada” se primeiro não for “ouvida”.

O capítulo 8 apresenta duas verdades dominantes ensinadas por Jesus Cristo: a primeira, a nossa vida de comunhão com Deus, como devemos desenvolver nossas atitudes de adoração com verdade e sinceridade; a segunda, as necessidades cotidianas de quem vive neste mundo, como, por exemplo, vestimentas, alimentação, amparo, abrigo, como usá-las sem ser dominado por elas (1Co 7.34). Gomes. Osiel, Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. p. 89.

I – O ATO DE DAR ESMOLAS E A HIPOCRISIA

1- Definição de hipócrita.

A palavra “hipocrisia” origina-se do antigo teatro. O hipócrita era um ator. Quando os atores desempenham um papel, fingem ser alguém que não são.

Warren Wiersbe corrobora essa ideia, ressaltando que hipócrita é um ator que usa máscara, alguém que usa a religião deliberadamente para esconder seus pecados e promover o benefício próprio.

C. Sproul assegura que o cristão só é hipócrita se disser que não peca. Hipocrisia é quando fingimos ser algo que não somos, ou quando tentamos fazer os outros acreditarem que não praticamos algo que, na verdade, praticamos.

Tasker, citando as palavras de Levertoff, registra: “Embora os discípulos devam ser vistos praticando boas obras, eles não devem fazer boas obras com o objetivo de serem vistos”.

2- A justiça pessoal.

Jesus já havia ensinado que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados (5.10), e que a justiça dos súditos do reino precisa exceder em muito a dos escribas e fariseus (5.20). Agora, Jesus alerta acerca do perigo de uma justiça que se autopromove e busca os holofotes do reconhecimento (6.1). A espiritualidade ostentatória é apresentada com o fim de ganhar o reconhecimento dos homens, e nisso consiste toda a sua recompensa. Destacamos no versículo em pauta três fatos, comentados a seguir.

Em primeiro lugar, a prática da justiça (6.1). Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens… A justiça deve ser praticada, mas não como uma propaganda para o auto engrandecimento.

Quem deve receber a glória pela justiça praticada é Deus, e não o homem. Exercer justiça diante dos homens é uma consumada hipocrisia.

Em segundo lugar, a motivação da justiça (6.1) ….com o fim de serdes vistos por eles… Uma espiritualidade que busca ser vista pelos homens com o propósito de ganhar a aprovação dos homens, em vez de revestir-se de humildade com o fim de agradar a Deus, é soberba e está na contramão da verdadeira espiritualidade.

Em terceiro lugar, a recompensa da justiça (6.1). …doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.

Deus não requer apenas ação certa, mas, sobretudo, motivação certa. Aqueles que ostentam justiça para ganhar aplausos dos homens não receberão nenhum galardão da parte de Deus. (LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. p. 211-213).

3- As três práticas da ética cristã.

Toda esta ostentação reflete um total desprezo pela verdade de que Deus não vê as coisas como o homem as vê. Um homem pode ver somente os sinais exteriores que outros lhe comunicam.

Deus enxerga o recesso do coração, não necessitando de nenhuma mostra exterior para que sua atenção seja atraída (v.4,6,18). Em contraste direto com esta exibição, os filhos do reino devem preparar-se para fazer doações anônimas (v. 3), para orar em lugares onde estejam isolados dos semelhantes, a sós com Deus, e para mostrar o mesmo semblante alegre no tempo de jejum, como no tempo de um festival (17). Para todos estes a recompensa está por vir, a recompensa do Pai celestial prometida aos que o amam e querem agradá-lo, quer recebam ou não a aprovação dos homens. (V. G. Tasker, Mateus, Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. 1 Ed 1980. p. 57).

Os atos de ofertar, jejuar e orar têm na prática da descrição a boa recomendação de Jesus Cristo

II – AUXILIANDO O PRÓXIMO SEM ALARDE

1- Qual é a motivação do teu coração?

[…] a misericórdia é uma expressão legítima da espiritualidade cristã (6.2). A esmola era um dos quesitos mais importantes da espiritualidade judaica. Robert Mounce diz que dar dinheiro aos pobres era um dos mais sagrados deveres no judaísmo. O socorro aos necessitados é uma expressão da verdadeira fé. Quem ama a Deus, prova isso amando ao próximo. Quem foi alvo da misericórdia divina, é instrumento da misericórdia ao próximo. O homem não é salvo pelas obras de caridade, mas evidencia sua salvação por meio delas. A salvação não é pelas boas obras, mas para as boas obras. A graça é a causa da salvação, a fé é o instrumento, e as boas obras, o resultado.

[…] a misericórdia é uma prática esperada do cristão (6.2). Jesus não diz “se deres esmola”, mas “quando deres esmola”. Com isso, afirma que se espera que o cristão dê esmola. Um coração regenerado prova sua transformação em atos de misericórdia. O cristão tem o coração aberto, o bolso aberto, as mãos abertas e a casa aberta. (LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. p. 213).

2- O que buscamos quando auxiliamos o próximo?

Os versos seguintes são exemplos dados para mostrar que atos piedosos são deturpados se praticados com o objetivo de “serem vistos pelos homens”. Jesus declara que as três expressões de piedade judaica, dar esmolas, orar e jejuar (mencionadas aqui na ordem de importância que lhes era atribuída) também era características dos filhos do Reino de Deus — mas somente quando eram praticadas sem nenhuma ostentação e sem nenhum desejo de receber louvores dos homens. Como bem diz Levertoff, “embora os discípulos devam ser vistos praticando boas obras, eles não devem fazer boas obras com o objetivo de serem vistos”. Era uma característica do tipo hipócrita de fariseu atrair atenção para si quando ia entregar suas dádivas (v. 2). V. G. Tasker, Mateus, Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. 1 Ed 1980. p. 57.

3- A maneira de ofertar segundo Jesus.

A misericórdia precisa vir de mãos dadas com a discrição. O cristão não dá ao pobre para ser visto nem para ser exaltado pelos homens, mas dá para que o necessitado seja suprido e Deus seja glorificado.

O Sermão do Monte nos estimula a estar plenamente conscientes a respeito da motivação do coração no ato de ajudar o próximo.

III – DEUS CONTEMPLA O BEM QUE REALIZAMOS

1- O Deus que tudo vê.

No tocante à gramática, o texto grego pode ser também traduzido: “… e o teu Pai, aquele que te vê, te recompensará em secreto.” Objeções a essa construção: a. Depois da introdução, que se refere aos hipócritas que tudo fazem para que os homens admirem suas boas obras e onde Jesus admoesta seus ouvintes no sentido de que essas obras não devem ser publicadas, e, sim, que devem ser mantidas em secreto até onde for possível, esperaríamos uma declaração com relação ao efeito de que as obras que não são anunciadas publicamente, contudo serão vistas e recompensadas pelo “teu Pai que vê em secreto”. A introdução abrupta do Pai como “Aquele que te vê”, sem modificativo, faria pouco sentido aqui; b. A Escritura por toda parte proclamam que todas as palavras, todas as ações, etc., dos homens, inclusive o que acontece em secreto, se farão públicas (Ec 12.14; Mt 5.3-12; 10.26,27; Mc 4.22; Lc 8.17; 12.2,3; Rm 2.16; 1Co3.13; 14.25; Ap 20.12,13). A ideia de que os atos de bondade para com os pobres, feitos em secreto, permanecerão para sempre em secreto, e que ainda a recompensa será conferida em secreto, se choca com esse ensino bíblico. (HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. 1 Ed 2001. Editora Cultura Cristã. p. 451).

2- O Deus que recompensa.

Vimos que Deus é onisciente, tudo sabe e tudo vê, nada limita sua visão, de maneira que se alguém der uma esmola a uma pessoa em uma estrada isolada, Ele vê, caso dê em uma estrada bem movimentada de pessoas, Ele vê, se for para uma pessoa desconhecida, Ele vê. Tudo isso nos ensina que ainda que aos olhos humanos qualquer bondade feita a alguém não seja vista por outros, o Pai que está no céu contempla toda a piedade.

Aquele que exerce a justiça própria perante os homens, desenvolvendo o papel de um ator serão louvados com os aplausos humanos, mas aquele que ajuda o seu próximo com sinceridade, amor e verdade será galardoado com amor pelo bondoso Deus, como bem diz o escrito aos Hebreus: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hb 6.10, ARA).

Podemos dizer que a recompensa ou galardão é algo totalmente espiritual, aquele que vive de acordo com a vontade de Deus, agradando-o em tudo, recebe a vida espiritual (Sl 1.1-3), sendo como árvore junto de águas, ele dará frutos na estação própria, tudo isso aponta para uma qualidade de vida saudável no aspecto espiritual, essa realidade tem início nesta vida e se concretizará no futuro (1Jo 3.2). Jesus tinha consciência de um galardão, por isso suportou a cruz (Hb 12.2). Moisés deixou toda a glória do Egito e preferiu sofrer com o povo de Deus no deserto porque tinha consciência de algo melhor (Hb 11.26). Jesus ensinou aos seus seguidores que aqueles que são limpos de mãos e puros de coração verão a Deus (Mt 5.8), diante de tudo isso a certeza da recompensa é certa.

O cristão que tem qualidade de vida espiritual é vitalizado pela força divina a produzir o melhor na prática das obras, isto é, ouro, prata, pedras preciosas, ao contrário daquele que não tem qualidade de vida, as obras que produzirá são fracas, a saber, madeira, feno e palha (1Co 3.12). Quem deseja um dia ver a Deus irá produzir o melhor para a sua glória, além disso, é consciente que seu trabalho será avaliado no tribunal de Cristo (1Co 3.14).

Para não cumprirmos o desejo da carne, os quais não agradam a Deus (Rm 8.8), é preciso ter uma vida dominada pelo Espírito Santo (Gl 5.16), somente assim a natureza carnal será dominada. Gomes. Osiel, Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. p. 96,97).

As palavras dos seguidores de Jesus devem apresentar retidão e honestidade

CONCLUSÃO

Por meio de Jesus, ficamos cientes de que Ele deseja que andemos na verdade, sejam os honestos que a nossa justiça ultrapasse a eles (Mt 5.20) em todos os aspectos, sem jamais buscar a exibição.

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