A Igreja e o avanço da iniquidade no final dos tempos – (Parte 1)

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Em Mateus 24.12, Jesus advertiu que, no final dos tempos, a iniquidade não diminuiria, mas se multiplicaria, e o verdadeiro amor se tornaria cada vez mais raro. Isso significa que os vícios humanos, infelizmente, continuarão avançando, chegando ao ponto, como o texto parece sugerir, de serem tratados como grandes virtudes, o que lembra Isaías 5.20,21,24.

O apóstolo Paulo, por sua vez, fala de “tempos difíceis” ou “tempos trabalhosos” para os cristãos no final dos tempos (2Tm 3.1-5). Os homens realmente vão “de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2Tm 3.13). Apesar de todo o acúmulo de conhecimento e do desenvolvimento gigantesco da ciência e da tecnologia, nunca houve tantas atrocidades e males sociais como nestes dois últimos séculos. Isso porque avanço tecnológico e aumento de conhecimento científico não mudam caráter, não transformam vidas espiritualmente. Na essência, o homem ainda é o mesmo, corrompido e carente de salvação.

Uma das artes do demônio é se camuflar de anjo de luz (2Co 11.14). Logo, não impressiona que a velha barbárie saia paulatinamente de seu último casulo com uma máscara de “progresso”, um frontispício mais bem caiado a esconder suas interioridades mefíticas. A defesa do aborto e da eutanásia; a liberação das drogas; a destruição do conceito natural de família; o decremento do poder parental; a exaltação de comportamentos reprováveis; a legitimação de comportamentos psicóticos como sendo saudáveis; o depreciamento de comportamentos sociais saudáveis; o hedonismo; o relativismo moral; a destruição e a inversão dos valores; o controle orwelliano da linguagem; tudo isso nada mais é do que a volta dos bárbaros, mas agora com uma face simpática, asseada e envernizada, além de apoiada em um sentimentalismo tóxico. Nós, porém, não nos iludimos com a fachada, pois não ignoramos o conteúdo. É preciso remar contra a maré deste mundo, contra as ondas do zeitgeist deste tempo. “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12.3).

Jesus falou várias vezes que seus seguidores seriam perseguidos (Mt 5.10-12; 10.16-22; Jo 17.14). Aliás, é nesse sentido que Ele faz a sua célebre declaração de que não veio “trazer a paz, mas a espada”, explicando em seguida que se referia ao fato de que muitos cristãos sofreriam fortíssima oposição, até mesmo de seus próprios familiares (Mt 10.34-39). Porém, um detalhe muito importante a ser frisado sobre esse assunto – mas pouco lembrado hoje em dia – é que Jesus não se referiu a essa perseguição como algo que aconteceria apenas nos dias dos apóstolos. Ele também falou de uma perseguição em um contexto escatológico, apontando para um futuro mais distante, quando seus seguidores sofreriam uma oposição mundial (“Sereis odiados de todas as nações”) na qual seriam grandemente “atribulados”, com muitos mártires dentre eles (Mt 24.9-13). Ora, segundo dados de agências especializadas, é maior o número de mártires cristãos nos séculos 20 e 21 do que em qualquer outra época da história da igreja.

O apóstolo Paulo asseverou que “o Dia de Cristo” – isto é, do retorno de Jesus – não havia chegado ainda, como muitos (provavelmente mestres gnósticos) apregoavam erroneamente em seus dias, “quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola” (2Ts 2.2). Depois, acrescentou que Jesus não retornaria “sem que antes venha a apostasia” (2Ts 2.3), embora “o mistério da iniquidade” já operasse em sua geração e haveria de continuar atuando durante muito tempo (2Ts 2.7). O termo traduzido como “apostasia” em 2 Tessalonicenses 2.3 é, no original grego, aphistêmi, que significa “abandonar”, “afastar-se”, “rebelar-se”. Já “iniquidade”, em 2 Tessalonicenses 2.7, é, no original grego, anomias, que significa “total desrespeito à lei”, “falta de conformidade à lei”, “impiedade”. É o mesmo vocábulo que aparece em Mateus 24.12, onde Jesus descreve o cenário social e espiritual do mundo no final dos tempos. Logo, “mistério da iniquidade” é uma alusão a um espírito de total desapego, inconformidade, falta de temor e de respeito em relação às normas divinas; é um espírito de completa desobediência e afastamento dos valores divinos para vida do ser humano, e que, segundo Jesus, se multiplicará de tal forma no final dos tempos que marcará fortemente o último cenário da humanidade antes do retorno dEle. O “mistério da iniquidade”, que é outro nome para o zeitgeist do final dos tempos, é o precursor da “apostasia”.

Ainda falando sobre esse zeitgeist, Paulo diz que Deus permitirá que venha sobre os homens a “operação do erro” para que “deem crédito à mentira” (2Ts 2.10); e em outra passagem, escrevendo a seu discípulo Timóteo, Paulo afirma que “haverá tempo em que não suportarão à sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se a fábulas” (2Tm 4.3,4). Ou seja, as pessoas não apenas serão enganadas: elas aceitarão a mentira porque elas desejarão ser enganadas. Elas estarão como que enfeitiçadas, cegas e hipnotizadas pelo seu amor à mentira. Não desejarão a verdade para se salvarem, mas a rejeitarão, porque esta lhes incomodará, ser-lhes-á extremamente desagradável. É a “operação do erro” em seu apogeu.

O apóstolo João ressalta esse espírito do final dos tempos, o qual denomina de “o espírito do anticristo”, ou seja, um espírito de forte oposição aos valores cristãos: “E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne [isto é, nega que o Cristo, o Messias, que é Deus, realmente tenha encarnado] não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” (1Jo 4.3).

Sobre os frutos dessa onda, Jesus disse ainda: “Quando o Filho do Homem [Ele, Jesus] voltar, porventura achará fé na Terra?” (Lc 18.8). E Paulo alerta para que não nos iludamos, porque “o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1Tm 4.1,2).

Por Silas Daniel, pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor.

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