O que é a última trombeta?

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O que é a última trombeta?

Teólogos pós e mesotribulacionistas associam a última trombeta ou a trombeta de Deus (1 Co 15.50-58; cf. 1 Ts 4.16,17) à sétima trombeta do período tribulacional (Ap 11.15-18). Entretanto, exegeticamente falando, não há necessidade ou obrigatoriedade de fazermos essa relação. Ao que nos parece, Paulo tinha em mente uma expressão militar familiar, já que, nos acampamentos romanos, o primeiro toque de trombeta era para desarmamento das tendas; o segundo, para que houvesse prontidão; e o último, um aviso para marchar. Ademais, como esse apóstolo morreu alguns anos antes de João escrever o último livro do Novo Testamento, não tinha conhecimento das trombetas apocalípticas.

A trombeta do Arrebatamento é para convocar o povo de Deus; já as de Apocalipse anunciam terríveis juízos que virão sobre os adoradores da Besta (cf. caps. 8-11). Enquanto os acontecimentos atrelados a selos, trombetas e taças demorarão meses para se cumprir (apenas o juízo da quinta trombeta durará 5 meses), a trombeta mencionada por Paulo é instantânea, “num momento, num abrir e fechar de olhos” (1 Co 15.52). Mas, e quanto ao galardão mencionado em Apocalipse 11.18? Essa passagem menciona as nações amotinadas para o Julgamento das Nações, antes do Milênio, quando todos os salvos, de modo geral — inclusive os do período tribulacional —, serão galardoados, ocupando posições no Reino de Cristo por mil anos. Tal recompensa nada tem que ver com o Tribunal de Cristo, quando os salvos arrebatados serão galardoados (2 Tm 4.7,8; Ap 22.12). Já o galardão mencionado logo após o toque da sétima trombeta será outorgado aos que foram salvos antes do Milênio, os mártires do período tribulacional, os quais terão sofrido a perseguição do Anticristo (cf. 6.9,10; 20.4-6).

Quando a sexta trombeta de juízo soar, quatro anjos serão soltos, e a terça parte dos homens será morta, mas ninguém se arrependerá. Soará, então, a sétima, quando os reinos do mundo serão de nosso Senhor, “e ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15), o que é uma alusão à proximidade do Milênio. Note que os 24 anciãos — que representam a Igreja, vistos no Céu por João antes do início do período tribulacional (cf. caps. 4-6) — não estarão na Terra quando a sétima trombeta for tocada (11.16). Ademais, logo após a sexta, não haverá mais salvos vivos na Terra (cf. 7.14), e os adoradores da Besta que sobreviverem não se arrependerão (9.20,21). Nesse caso, se a sétima trombeta diz respeito à Segunda Vinda, por que a Grande Tribulação continua com as últimas pragas mediante sete taças (15.1-7)? Portanto, definitivamente, a sétima trombeta não é a de 1 Coríntios 15.52, sobretudo porque a Igreja já estará no Céu quando ocorrerem os juízos ligados a selos, trombetas e taças.

Por Ciro Sanches Zibordi – pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil.

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