EBD – Lucas-Atos: o modelo pentecostal para hoje

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

Destacaremos nesta lição, a ação do Espírito Santo na vida de Cristo Jesus, e da Igreja no livro de Atos, capacitando-a para proclamação do Evangelho. Observaremos que esse modo de viver serve de modelo para a igreja atual. Nos dias atuais precisamos buscar o Batismo no Espírito Santo como revestimento de poder do Alto para realizarmos a obra de Deus e alcançar uma vida cristã vitoriosa.

INTRODUÇÂO

Lucas-Atos são dois volumes de autoria do médico amado, “Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas”. (Cl 4.14). Os relatos são escritos a partir de premissas históricas e teológicas. Roger Stronstad anota que “apesar da particularidade histórica de cada livro, eles têm uma perspectiva teológica homogeneamente comum”. Assim sendo, Lucas é tanto historiador como teólogo. Desse modo, além da dimensão histórica, a obra lucana tem também uma dimensão didática. Essas narrativas servem de modelo para o comportamento cristão e a vida da Igreja em todos os tempos. Lucas descreve a capacitação do Espírito Santo no ministério de Jesus e no ministério da Igreja. A unção do Espírito que repousava em Jesus também foi concedida à Igreja,

“De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” (At 2.33).

Esse revestimento de poder na vida do crente não é apresentado como dom para salvação, mas como a unção dos salvos para o testemunho e o serviço cristão. Esse é o padrão bíblico adotado pelo pentecostal submisso ao ensino das Escrituras Sagradas. Desde o Pentecostes, o derramar do Espírito Santo permanece como modelo para a Igreja de Cristo. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021). 

O EVANGELHO DE LUCAS: O ESPÍRITO SANTO NO MINISTÉRIO DE CRISTO       

O Espírito Santo no Evangelho

O propósito de Deus não se encerra na cruz, mas continua na obra do Espírito Santo. O Espírito Santo é destacado neste Evangelho desde o princípio. João é cheio do Espírito desde o ventre (1.15). O Espírito Santo cobre Maria com sua sombra (1.35). Quando Jesus foi batizado, o Espírito Santo veio sobre ele (3.22). O mesmo Espírito o conduziu ao deserto por ocasião da tentação (4.1). Jesus regressou à Galileia no poder do Espírito Santo (4.14). Quando pregou na sinagoga de Nazaré, afirmou que o Espírito Santo estava sobre ele (4.18).

Jesus exultou no Espírito (10.21), e os discípulos seriam ensinados pelo Espírito em sua jornada missionária (12.12). A blasfêmia contra o Espírito é o mais grave pecado (12.10). O Pai dá o Espírito àqueles que o pedem (11.13). Jesus envia a promessa do Pai e reveste seus discípulos com o poder do Espírito (24.49). O Espírito Santo vem sobre Isabel, sobre Maria, sobre Jesus e sobre os discípulos (1.15,35; 2.25-27; 3.22; 4.14,18; 11.13; 12.10,12; 24.49). Lucas fala mais sobre o Espírito Santo do que qualquer outro evangelista, formando um vínculo de continuidade tanto no ministério de Jesus quanto na vida da igreja primitiva. (LOPES. Hernandes Dias. Lucas Jesus o Homem. Editora Hagnos. 1 Ed 2017).   

O Espírito Santo e o batismo de Cristo   

A Nossa Declaração de Fé ensina que a palavra “batismo” significa “mergulho, imersão” e que o batismo simboliza a morte, sepultamento e ressurreição de Cristo, deixando claro que se trata de uma prática realizada por meio da imersão do corpo inteiro (Mt 3.16; At 8.38-39; Rm 6.4). Ao descrever o batismo no Jordão, Lucas informa que, estando o Senhor em oração, ocorreram três eventos extraordinários:

(a) o céu se abriu (Lc 3.21);

(b) o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma de pomba (Lc 3.22a); e

(c) ouviu-se uma voz vindo do céu que estava aberto (Lc 3.22b).

A abertura do céu significa que se segue uma revelação da parte de Deus. A expressão “forma corpórea, como pomba” enfatiza que a descida do Espírito Santo foi uma coisa real, não ilusão visionária. E, todos testemunharam a voz do céu que dizia a Jesus:

“Tu és meu Filho amado” (Lc 3.22b).

O céu aberto, o evento da descida do Espírito e a voz que o identificava como Filho de Deus tinham como propósito marcar o início do ministério público de Jesus (Lc 4.1,14,18). O relato não indica que Jesus não tivesse o Espírito, isso porque Ele já tinha o Espírito desde a concepção (Lc 1.35).

Esse evento simbolizava a unção real da messianidade de Jesus (Is 11.2; 42.1). Também serviram como sinal para João Batista confirmar que Jesus era de fato o Cristo (Jo 1.32,33). Percebe-se, também, na narrativa a presença e atuação da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).

Quando Jesus foi batizado por João Batista, Ele, que posteriormente batizaria seus discípulos no Espírito, no Pentecoste e durante toda a era da igreja (ver Lc 3.16; At 1.4,5; 2.33,38,39), Ele mesmo pessoalmente foi ungido pelo Espírito (Mt 3.16,17; Lc 3.21,22).

O Espírito veio sobre Ele em forma de uma pomba, dotando-o de grande poder para levar a efeito o seu ministério, inclusive a obra da redenção. Quando nosso Senhor foi para o deserto depois do seu batismo, estava “cheio do Espírito Santo” (4.1). Todos os que experimentarem o sobrenatural renascimento espiritual pelo Espírito Santo, devem, como Jesus, experimentar o batismo no Espírito Santo, para lhes dar poder na sua vida e no seu trabalho (At 1.8). Stamps, Donald C, Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD. pag. 1529.   

O Espírito Santo e a tentação de Cristo

Em todos os desafios da tentação, Jesus contra-ataca por meio das Escrituras. O Diabo sugeriu que Jesus provasse a sua filiação divina transformando pedra em pão (Lc 4.3), Cristo revidou citando Deuteronômio 8.3, e reafirmou que o homem não vive só de pão, mas de toda palavra que procede de Deus (Lc 4.4). O Adversário, para instigar o Senhor, distorce o livro de Salmos 91.11-12 e sugere que Jesus teste a sua condição de Filho de Deus atirando-se do pináculo do Templo (Lc 4.9-11). O Senhor o repele e ratifica o verdadeiro sentido das Escrituras: “não tentarás o Senhor, teu Deus” (Dt 6.16; Lc 4.12).

O Maligno também ofereceu todos os reinos do mundo em troca de ser adorado por Jesus (Lc 4.5-7). Porém, o Senhor cita Deuteronômio 6.13 e com firmeza lhe retruca: “Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4.8, ACF). A postura adotada por Jesus sinaliza que Ele manteve a comunhão com o Pai fortalecido pela oração e o jejum (Lc 4.2b). A vitória do Senhor sobre a tentação demonstra que Ele estava capacitado para cumprir o seu ministério. Cristo venceu o Diabo pelo poder do Espírito e da Palavra de Deus (Lc 4.4,8,12,13). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

Donald Stamps diz que “imediatamente após o batismo, Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo diabo durante quarenta dias (4.1,2). Foi pelo fato de estar cheio do Espírito Santo (4.1) que Jesus conseguiu resistir firmemente a Satanás e vencer as tentações que lhe foram apresentadas. Da mesma maneira, a intenção de Deus é que nunca enfrentemos as forças espirituais do mal e do pecado sem o poder do Espírito. Precisamos estar equipados com a sua plenitude e obedecer-lhe a fim de sermos vitoriosos contra Satanás. Um filho de Deus propriamente dito deve estar cheio do Espírito e viver pelo seu poder”. (Stamps, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD. p. 1529).   

O Espírito Santo e a missão de Cristo

Vencida a tentação no deserto, Jesus voltou à Galileia, conduzido pelo Espírito (Lc 4.14). Aqui é importante pontuar a ação do Espírito Santo no ministério de Jesus. Ele foi conduzido ao deserto e de lá retornou, sempre no poder do Espírito. Lucas informa que, após ministrar em alguns lugares, o Espírito dirigiu o Senhor para Nazaré (Lc 4.15,16). Nazaré era uma aldeia situada a 24 quilômetros do mar da Galileia. Era um lugar depreciado pelos judeus (Jo 1.45,46), porém, foi ali que o anjo anunciou o nascimento de Jesus (Lc 1.26), o local onde Ele foi criado, e por isso chamado de Nazareno (Mt 2.23). Na sinagoga de Nazaré, em um dia de sábado, Jesus levantou-se para ler (Lc 4.16). O rito litúrgico na sinagoga obedecia à leitura da Lei e dos profetas. A. T. Robertson esclarece que “sete pessoas eram convidadas a ler pequenos trechos da Lei. Essa primeira lição era seguida por uma leitura dos profetas e um sermão, a segunda lição”.

Nesse dia, coube a Jesus fazer a leitura de um dos profetas e proferir o sermão. Não sabemos se o oficiante lhe entregou aleatoriamente o livro de Isaías ou se era a lição fixa do dia (Lc 4.17), mas sabemos que era ação providencial do Espírito de Deus. Ao desenrolar o rolo de Isaías, Jesus leu a passagem que dizia: “O Espírito do Senhor é sobre mim” (Lc 4.18; cf. Is 61.1,2). Ao terminar a leitura, Jesus assentou-se no lugar do orador e a congregação fixou os olhos nEle (Lc 4.20). Então, o Senhor passou a explicar o texto e afirmou: “Hoje se cumpriu esta Escritura” (Lc 4.21). Aqui, Jesus declara que a unção do Espírito qualificava seu ministério para evangelizar os pobres, curar os quebrantados de coração, libertar os cativos e oprimidos, restaurar os cegos e anunciar aos pecadores o ano aceitável do Senhor (Lc 4.18,19). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021. 

Portanto a unção do Espírito Santo esteve presente na vida e ministério do Senhor Jesus, capacitando-o a cumprir a missão para a qual Deus Pai o havia enviado.

ATOS DOS APÓSTOLOS: O ESPÍRITO SANTO NO MINISTÉRIO DA IGREJA  

O Espírito Santo em Atos

Ao concluir o Evangelho, Lucas anota que Jesus instruiu os discípulos a esperar o revestimento de poder do alto (Lc 24.49). Stanley Horton diz que Atos dos Apóstolos, de início, registra que a obra de Jesus foi continuada pelo Espírito Santo, através dos apóstolos. Eles, no entanto, não predominam no livro dos Atos, mas o Espírito Santo. O Jesus é o assunto principal nos evangelhos e, em comparação, pouco é dito sobre o Espírito Santo. Mas, em Atos, o Espírito Santo é o Consolador, Ajudador e Mestre. Tudo na vida e na pregação dos apóstolos e dos crentes primitivos se centralizava em Jesus como Salvador vivo e Senhor exaltado.

O desejo de estender o Evangelho até os confins da Terra era de Cristo (1.8). Mas o poder para realizá-lo era do Espírito Santo, igual ao de Cristo. Mesmo assim, percorre pelo livro uma nova consciência do Espírito Santo. Provinha, não somente da sua experiência pentecostal inicial, mas da consciência diária da presença, da orientação e da comunhão do Espírito e de muitas manifestações do seu poder. O batismo com o Espírito Santo nunca se tornou em mera lembrança de alguma coisa que ocorrera no passado distante. Era uma realidade sempre presente. Jesus preparou, através do Espírito Santo os apóstolos. Mas isso não significa que o Espírito não pudesse operar através de outras pessoas, ou que a direção da Igreja fosse entregue aos apóstolos.

O Espírito Santo comandaria tudo. Ele usaria a quem desejasse. Muitos discípulos levaram o Evangelho por onde passavam, após a morte de Estêvão, ao passo que os apóstolos permaneceram em Jerusalém (Atos 8.1,4; 11.19-21). Ananias foi enviado para impor as mãos sobre Saulo de Tarso (9.10,17). Tiago, irmão de Jesus, que não era apóstolo, teve sua proposta aprovada no Concilio de Jerusalém, e assumiu a direção da igreja em Jerusalém, no decorrer do tempo (Atos 15.13; Gálatas 2.12). O livro de Atos demonstra, no entanto, que os apóstolos foram as primeiras testemunhas da Ressurreição e dos ensinos de Jesus. As condições impostas para a seleção de um sucessor de Judas esclarecem isso, pois precisava ser um dos que costumeiramente reuniram com os doze e viajavam com eles durante o ministério terrestre de Jesus, de modo que pudesse ser testemunha dos ensinamentos de Cristo. Tinha, também, de ser testemunha da Ressurreição e da doutrina que Jesus ensinou após esse evento (Atos 1.21-25).

Paulo fala de seu apostolado, não pelo fato de ter sido enviado por Cristo “(apóstolo é um enviado com uma comissão), mas por ter sido testemunha, em primeira mão, tanto da Ressurreição como das palavras de Jesus. Ele não recebeu dos homens o Evangelho que pregava, mas do Senhor Jesus (Gálatas 1.11,12,16-19; 2.2,9,10). Na realidade, ele frequentemente chamava a atenção ao fato de que podia provar o que dizia, citando declarações de Jesus (1 Coríntios 7.10). Além disso, as visitas dos apóstolos não eram uma supervisão ou uma sanção apostólica, mas um desejo de estabelecer igrejas. Foi assim que Pedro e João ajudaram a Filipe (8.14).

Mas não disseram o que ele deveria fazer em seguida. Primeiramente, um anjo, e depois o Espírito Santo deu-lhe orientação (8.26,29). Quando alguns discípulos, cujos nomes não são mencionados, levaram o Evangelho aos gentios em Antioquia, Barnabé foi enviado para ajudá-los. Ele também era apóstolo (14.14), mas a ênfase recai no fato de ser um homem bom e cheio do Espírito Santo e de fé (11.24). Logo, era o Espírito Santo, e não os apóstolos, quem dava a orientação. Por essa razão, temos razões justificáveis para nos referir a este livro como os Atos do Espírito Santo. Desde o princípio, percebe-se a preeminência do Espírito Santo.

Não somente as últimas palavras de Jesus foram dadas mediante o Espírito Santo, mas também essas instruções tinham a ver com Ele. Jesus solicitou que eles não saíssem de Jerusalém (Atos 1.4). O derramamento no dia de Pentecoste jamais teria tido aquele efeito, nem teria atraído tanta atenção, se apenas cinco ou seis pessoas tivessem permanecido. Jesus queria que a Igreja tivesse um bom começo. Além disso, o livro dos Atos ressalta repetidas vezes a união de um agir “unanimemente”, de maneira que o Espírito Santo cumpria a oração de Jesus em João 17. Era importante que os discípulos estivessem juntos num só lugar, a fim de que essa união fosse fomentada e suas bênçãos concretizadas. (HORTON. Stanley. M. O que a Bíblia Diz Sobre o ESPÍRITO SANTO. Editora CPAD).

A promessa cumprida no Pentecostes

Como já visto, a promessa do batismo no Espírito Santo remonta às profecias de Isaías, Ezequiel e Joel (Is 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28). No Novo Testamento, João Batista, o precursor do Messias, confirma essa promessa que é registrada por todos os evangelistas (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.32,33; At 11.16). Em Lucas-Atos, Cristo a avalizou como sendo “a promessa do Pai” (Lc 24.49; At 1.4), isto é, feita pelo Pai por meio de seus santos profetas. Nossa Declaração de Fé ratifica que “o batismo no Espírito Santo é um revestimento de poder do alto, uma promessa divina aos salvos, uma experiência espiritual”.

O cumprimento da promessa se deu no Dia de Pentecostes (At 2.1). O termo “pentecostes” refere-se à festa judaica que ocorria cinquenta dias após a Páscoa (Lv 23.15-21; Dt 16.9-12). Os judeus da Palestina tinham sua maior celebração na festa da Páscoa, ocasião em que Cristo foi crucificado e ressuscitou (Lc 22.1,2; 24.1,6). Porém, entre os judeus da dispersão, a festa do Pentecostes era a mais concorrida, ocasião da descida do Espírito Santo (At 20.16; 1 Co 16.8). Isso explica a variedade de idiomas presentes em Jerusalém na festividade (At 2.9-11). Lucas escreveu que, cumprindo-se o dia do Pentecostes, os discípulos reunidos no cenáculo foram cheios do Espírito Santo e falaram noutras línguas (At 2.1, 4).

A narrativa de Atos registra dois sinais sobrenaturais que marcaram o advento do Espírito Santo: o “som, como de um vento” (At 2.2) e as “línguas repartidas, como que de fogo” (At 2.3). Nossa Declaração de Fé ensina que “eram sinais particulares que não se repetiram posteriormente nos batismos no Espírito Santo subsequentes, pois se tratava de um evento solene e único, que marcou o início de uma nova dispensação”. Somente o falar em línguas se repetiria nos demais registros de Atos. Desse modo, a partir do Pentecostes, os discípulos começaram a pregar pelo poder do Espírito. Muitas maravilhas e sinais eram operados e as almas eram alcançadas (At 2.43,47). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021. 

A expansão da Igreja Primitiva

Atos é um manual sobre o crescimento saudável da igreja. Vivemos num tempo de busca desenfreada pelo crescimento numérico da igreja. O pastor Stanley Horton nos informa que, vemos o Espírito Santo operando na Igreja no ensino, nos milagres, nas plenitudes, nos batismos, mas, acima de tudo, na disseminação do Evangelho e no estabelecimento da Igreja. A primeira evidência da obra do Espírito Santo foi a capacitação dos apóstolos a fazer discípulos, verdadeiros estudantes, dos 3.000 que se converteram. Esse discipulado foi desenvolvido mediante vários tipos de experiências: conhecimento da doutrina dos apóstolos, comunhão, partir do pão e orações (Atos 2.42). Parte dessas atividades realizava-se no Templo, pois muitos crentes o frequentavam diariamente (Atos 2.46), e os apóstolos lá compareciam todos os dias, ensinando e contando as boas novas de Cristo (do Messias) Jesus (3.1,12-26; 5.42).

Mas faziam a mesma coisa diariamente, de casa em casa (5.42). A doutrina dos apóstolos não era apenas teórica, no entanto. O Espírito Santo era realmente quem ensinava. Ele usava o ensinamento da verdade para levá-los à comunhão cada vez mais estreita, não meramente uns com os outros, mas primeiramente com o Pai e o Filho (1 João 1.3,7; 1 Coríntios 1.9). Essa comunhão também era um compartilhar espiritual, uma comunhão no Espírito Santo (2 Coríntios 13.13; Filipenses 2.1).

Pode ter sido incluída, ali, a participação da Ceia do Senhor. Mas a ênfase aqui não recai sobre o ritual. O resultado da obra do Espírito Santo foi levar o povo a uma nova união (Atos 4.32). Conforme indica Ezequiel 11.19, um só coração, a união de mente e de propósito, acompanha a nova experiência no Espírito. Essa comunhão, essa união no Espírito, deu-lhes fé, amor e solicitude uns pelos outros, que os levava a compartilhar seus bens com os que precisavam. (Ver Tiago 2.15,16; 1 João 3.16-18; 4.7,8,11,20). Nesse sentido, “tinham tudo em comum” (Atos 2.44,45). Não se tratava de comunismo. “Comum” simplesmente significa “repartido”. Ninguém dizia: “Isso é tudo meu. Você não poderá ter parte nisso”. Sempre que viam um irmão passando necessidade, compartilhavam tudo quanto tinham (4.32).

Alguns realmente vendiam propriedades e davam o dinheiro da venda aos apóstolos, para distribuição (2.44; 4.37). Mas não eram obrigados a fazer isso (Atos 5.4). Boa parte desse compartilhar era realizada na comunhão à mesa. Ao partirem o pão, nos seus lares, dividiam a comida com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus, e gozando do favor com o povo, ou seja, com a maioria da população dos judeus em Jerusalém (Atos 2.46,47). E o Senhor acrescentava à Igreja todos os dias os que iam sendo salvos! Períodos de oração também marcavam o discipulado deles.

Estavam regularmente no Templo, para as orações da manhã e da tarde. Um prolongado tempo era dedicado a oração, quando enfrentavam a oposição e o perigo (Atos 2.42; 4.24-30; 12.5,12). Os milagres, sinais que indicam a natureza e o poder de Jesus, e maravilhas que mostram a presença de Cristo no meio deles, fortaleciam os crentes. Também fizeram com que o medo, um espírito de temor e reverência, viesse sobre o povo (Atos 2.43). Mas o poder do Espírito Santo, expresso nos milagres, fazia parte da vida espiritual. As pessoas não percebiam que viviam em dois níveis – espiritual e natural. O Espírito Santo envolvia suas vidas por inteiro.

A adoração, a comunhão com Deus, partir do pão, o evangelismo e os milagres, todas essas coisas concretizavam uma experiência unificada no Espírito Santo. A atuação do Espírito Santo na maioria dos crentes encorajava, assim, sua obra na minoria. As necessidades e os perigos que tinham em comum levavam-nos a congregar-se juntos. Era necessário o testemunho no Templo. Também era preciso o testemunho nos grupos que se reuniam nos lares. Desde o início, o Espírito Santo os ajudava a manter o equilíbrio sem incorrer nas formas vazias do ritualismo. (HORTON. Stanley. M. O que a Bíblia Diz Sobre o ESPÍRITO SANTO. Editora CPAD).

A manifestação do Espírito Santo em Atos dos Apóstolos revela a inauguração da história da Igreja como agência de Cristo.    

UM MODELO PENTECOSTAL PARA A IGREJA DE NOSSOS DIAS

O revestimento de poder do alto

Pedro promete que os que se arrependerem e forem batizados, “receberão o dom do Espírito Santo”. Esta promessa deve ser entendida no contexto do derramamento do Espírito no Dia de Pentecostes, o qual Pedro e seus colegas há pouco experimentaram. O trabalho inicial do Espírito segue o arrependimento e lança numa nova vida em Cristo. A promessa de Pedro se refere a um subsequente dom gratuito do Espírito e cumpre a promessa de Joel de poder carismático e pentecostal.

Tal poder equipa os crentes para serem testemunhas de Cristo e os capacita a fazer milagres (cf. At 2.43). Este batismo é uma roupa com poder; é um dom que Jesus encoraja os discípulos a buscar (Lc 11.13). O poder pentecostal é prometido a todos os crentes: “A vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe” (i.e., aos gentios). O batismo com o Espírito é uma experiência potencialmente universal, como demonstram Cornélio e sua casa (At 10) e os discípulos em Éfeso (19.1-7). A promessa de uma dotação especial do Espírito não é somente para a audiência imediata de Pedro, mas para todos os que creem em Jesus Cristo e o seguem em obediência (cf. At 5.32).

Não há restrição de tempo — de geração em geração (At 2.39); não há restrição social—de jovem a velho, de mulher a homem e de escravos a pessoas livres (w. 17,18); não há restrição geográfica — de Jerusalém até aos confins da terra (At 1.8). Deus deseja que todo o seu povo tenha a mesma experiência momentosa que os discípulos receberam no Dia de Pentecostes. O cumprimento de sua promessa do Espírito, dada no Antigo Testamento, não se exaure no Livro de Atos quando a Igreja alcança os gentios. Permanece uma bênção presente e universal, “a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar”, incluindo “a todos os que estão longe”.

No sermão, Pedro responde à pergunta: “Que faremos, varões irmãos?” “Com muitas outras palavras” (v. 40) indicam que Lucas deu apenas um resumo do sermão. Pedro continua advertindo, exortando e pleiteando com a audiência para que se salvem da geração má à qual eles pertencem (cf. Lc 9.41). O significado literal é “sede salvos” (sothete, voz passiva). Há um modo de ser livre do julgamento que os incrédulos inevitavelmente enfrentarão, mas as pessoas não podem fazer nada para merecer a própria salvação. Fé e arrependimento são o único meio prescrito para receber o perdão de pecado.

A resposta à mensagem de Pedro é opressiva. Cerca de três mil pessoas recebem a pregação por considerá-la verdadeira. Adotando-a como regra de ação, elas se submetem ao batismo e, assim, dão expressão pública da fé em Jesus como o Salvador ungido. Agora, elas estão unidas aos outros crentes e reconhecidas como membros da Igreja. O derramamento do Espírito no Dia de Pentecostes estabeleceu os discípulos como comunidade pentecostal e carismática. A Igreja desfruta de impressionante crescimento depois que Jesus transferiu seu Espírito aos discípulos e Pedro pregou uma mensagem inspirada. Mediante a pregação inspirada, o Espírito Santo aumenta o número de crentes. (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. p. 638-639).

As línguas como evidência inicial   

A palavra grega glossa (“língua”) aparece cerca de 50 vezes no NT com vários usos. Ela é usada 17 vezes como o órgão do corpo relacionado à fala (por exemplo, Mc 7.33; Lc 1.64), uma vez figurativamente para línguas repartidas como que fogo (At 2.3), e sete vezes no livro de Apocalipse em um sentido étnico (por exemplo, 5.9; 7.9). Nas 25 vezes restantes, ela descreve o fenómeno de falar em línguas (Mc 16.17; At 2.4,11; 10.46; 19.6; 1 Co 12.10 [duas vezes],28,30; 13.1,8; 14.2,4,5 [duas vezes], 6,13,14,18,19,22,23,26,27,39). As construções variam: Ela é descrita como “novas línguas” (glossais. kainais, Mc 16.17), “outras línguas” (heterais glossais, At 2.4), “tipos [ou variedade] de línguas” (gene glosson, 1 Co 12.10,28), e simplesmente “língua” ou “línguas” (por exemplo, 1 Co 14.19,22), O adjetivo “estranha” que consta em 1 Coríntios 14.2,4,13,14,19,27 não é encontrado no texto original, mas é uma adição ínterpretativa dos tradutores. Na maioria das vezes, a palavra é encontrada no singular ou no plural com o verbo “falar” (laleo; por exemplo, 1 Co 14.2,4,5,6). Uma vez ela é usada com o verbo “orar” (1 Co 14.14) e uma vez com o verbo “ter” (1 Co 14.26).

Os lexicógrafos estão, de forma geral, de acordo com a opinião de que glossa pode ser classificado de três maneiras:

(1) literalmente como o órgão da fala (ou figurativamente como línguas repartidas como que de fogo);

(2) de idiomas (e como um sinónimo para uma distinção étnica); e,

(3) de uma expressão ininteligível ou de êxtase.

Identificação O fenómeno de faiar em línguas não ocorreu no AT ou durante o período dos evangelhos. Alguns intérpretes identificam certos casos de profecia no AT com o fenómeno da glossolalia (Nm 11,26-30; 23.7-10,18-24; 24.3-9,15-24; 1 Sm 10.1-13; 19.18-24; 1 Rs 18.26-29), mas não há nenhuma declaração explícita de que os homens mencionados falaram em línguas, e isto não pode ser demonstrado (para os casos históricos de glossolalia em religiões não-cristãs.

A única referência à glossolalia nos evangelhos (Mc 16,17) é profética, e é encontrada na porção discutida do evangelho de Marcos (16.9-20). A primeira ocorrência bíblica de glossolalia ocorreu no dia de Pentecostes em Jerusalém (At 2.4-13). Além disso, somente duas outras ocasiões históricas e uma seção didática são encontradas no registro bíblico. Aqueles que creram na casa de Cornélio em Cesaréia falaram em línguas (At 10.46), como aconteceu com os discípulos de João quando creram, em Éfeso (At 19.6), A prática de falar em línguas em Corinto foi o motivo de um tratamento mais longo do assunto (1 Co 12.14). Nenhum outro caso específico é registrado, embora alguns comentaristas acreditem ter ocorrido em Samaria (At 8,17,18), e por ocasião da conversão de Paulo (At 9.1-17).

As instruções de Paulo, no que diz respeito à glossolalia em 1 Coríntios 14, são evidentemente endereçadas a todas as igrejas (vv. 33,34), o que implicaria em que o dom não estava limitado a Corinto, Alguns intérpretes enxergam o fenómeno em certas frases distintas das Escrituras (por exemplo, “anunciavam com ousadia a palavra de Deus”, At 4.31; “o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”, Rm 8.26; “cânticos espirituais, Ef 5.19; cf. 1 Co 14.15; “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias”, 1 Ts 5.19,20; “fale segundo as palavras de Deus”, 1 Pe 4.11).

Tal identificação, se não for dúbia, é, na melhor hipótese, incerta, uma vez que não é feita nenhuma referência específica à língua. Como devem ser identificadas estas ocasiões em que há uma expressão de glossolalia? Seriam elas ocasiões em que se expressa um miraculoso dom de falar idiomas estrangeiros anteriormente desconhecidos? Seriam estas ocasiões de fala humanamente desconhecida, apenas uma miraculosa fala de alguém em estado de êxtase? Ou ambos? Excetuando aqueles que negariam qualquer elemento miraculoso, e que procurariam explicar os acontecimentos com alguma base puramente naturalista, há três posições básicas quanto à identificação: Fala extática.

Alguns intérpretes veem todos os casos e referências à glossolalia como expressões orais extáticas, isto é, uma fala humana ininteligível, talvez celestial (cf, 1 Co 13.1, “línguas… dos anjos”). No caso dos estrangeiros em Atos 2, quando “cada um os ouvia falar na sua própria língua” (v. 6; cf. w. 8,11), deve ter ocorrido um milagre do ouvir bem como do falar. Porém devemos nos lembrar de que o falar em línguas teve início antes da chegada de qualquer público (cf. v. 4 com v, 6). Alguns estudiosos modernos discutem sobre um relato “original” do Pentecostes (At 2.1-6, 12ss. e sem o heterais [“outras”] do v. 4), o que significaria então apenas expressões orais em êxtase, e que Lucas posteriormente acrescentou as referências a idiomas estrangeiros (At 2.66-11 e o heterais do v. 4). Este suposto acréscimo posterior serviria como uma explicação mais favorável quando a glossolalia havia caído em descrédito, ou como uma interpretação simbólica do Pentecostes como uma reversão de Babel, ou como um paralelo ao registro Midrash da entrega da lei no Sinai nos 70 idiomas dos homens.

 A opinião, e a mais comumente sustentada, é a de que todos os relatos bíblicos de glossolalia eram idiomas estrangeiros miraculosamente conferidos. Alguns alegam, porém, que existem algumas diferenças detectáveis entre os fenómenos em Atos e aqueles que foram registrados em 1 Coríntios. Por exemplo.

(1) Em Atos, grupos inteiros sobre os quais o Espírito veio, começaram imediatamente a falar em línguas, ao passo que em Coríntios parece que nem todos receberam este dom (1 Co 12.10,30), ou receberam e não o mantiveram.

(2) Em Atos as línguas parecem ter sido uma experiência inicial irresistível e temporária, ao passo que em Coríntios foi um dom contínuo sob o controle daquele que falava (1 Co 14.27,28).

(3) Em Atos, as línguas eram prontamente entendidas pelos ouvintes, ao passo que em Coríntios o dom adicional de interpretação era necessário para tornar a fala inteligível (1 Co 14.5,13,27). Porém, alguns argumentam que estas diferenças são de uma natureza tal que não se exige que as línguas em Coríntios sejam diferentes (quanto ao tipo) daquelas que foram mencionadas em Atos (que foram claramente ouvidas como idiomas estrangeiros). PFEIFFER Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. p. 1166-1167.

A plenitude do Espírito Santo   

Ficando cheios do Espírito. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo”. Podemos distinguir três fases desta plenitude. A original, quando o crente recebe o Espírito Santo pela primeira vez, sendo nEle batizado (At 1.5; 2.4; 9.17). Depois, existe aquela condição que se descreve com as palavras: “Cheio do Espírito Santo” (At 6.3; 7.55; 11.24), que explicita o comportamento diário do homem espiritual. Quais as evidências de que alguém está cheio do Espírito? (G1 5.22.23). Finalmente, há revestimentos do Espírito para ocasiões especiais. Paulo recebeu a plenitude do Espírito Santo após a sua conversão, mas Deus lhe concedeu um revestimento especial para repreender o poder do diabo. Pedro ficou cheio do Espírito no dia de Pentecoste, mas Deus lhe concedeu uma unção especial quando ficou na presença do concilio dos judeus (At 4.8). Os discípulos todos tinham recebido o batismo no Espírito Santo no dia de Pentecoste, mas, em resposta às suas orações, Deus lhes concedeu um revestimento especial para fazerem frente à perseguição por parte dos líderes dos judeus (At 4.31).

Uma pessoa pode ter a plenitude do Espírito Santo na sua vida, e ainda pedir um derramamento especial para subir ao púlpito, equipando-o com unção especial para falar. Ser cheio do Espírito é mais do que um privilégio; é um dever. “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). O que significa viver uma vida cheia do Espírito? Em primeiro lugar, consideremos a falta de tal experiência: mundanismo falta de preocupação pelos perdidos, falta de testemunho, retenção do dinheiro devido às ofertas a Deus, falta de oração e de leitura bíblica, atitude de indulgência para com o pecado. Consideremos também as indicações positivas de uma vida cheia do Espírito Santo:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” Gálatas 5.22,23.

(Pearlman. Myer. Atos: e a Igreja se Fez Missões. Editora CPAD. p. 24-25).

A experiência pentecostal permanece atual na igreja, mostrando-se evidente na manifestação dos dons espirituais.   

CONCLUSÃO 

Lucas descreve a capacitação do Espírito Santo no ministério de Jesus, e no ministério da Igreja. Esse revestimento de poder na vida do crente não é apresentado como dom para salvação, mas como a unção dos salvos para o testemunho e o serviço cristão. Esse é o padrão bíblico adotado pelo pentecostal submisso ao ensino das Escrituras Sagradas.   

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