EBD – A LEI E OS EVANGELHOS REVELAM JESUS

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

Introdução

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.” (Dt 6.4)

Lei e os Evangelhos pertencem respectivamente ao Antigo e ao Novo Testamento. São livros sagrados de origem divina que integram o cânon das Escrituras. Possuem igual autoridade como regra de fé e prática, porém, com funções distintas. Os preceitos e as narrativas da Lei têm aplicações nos Evangelhos. A função da Lei era transitória; ela revela o pecado, mas também aponta o plano da salvação em Cristo (Gl 3.24,25).

Significa que a Lei não salva, mas esboça o plano da redenção em Cristo confirmado nos Evangelhos. A obra expiatória do Senhor Jesus nos libertou da condenação da Lei (Gl 3.10-13). Nesse sentido, todo o sistema mosaico foi abolido. Nos Evangelhos, as boas-novas dessa salvação estão reveladas. Em suma, as obras da Lei não justificam, mas pela graça somos salvos, por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo. Neste capítulo, estudaremos a relação entre o Pentateuco e a mensagem de Cristo. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).

O PENTATEUCO: A LEI DE DEUS

  • Os cinco livros da Lei

O vocábulo Pentateuco vem do grego penta, “cinco”, e teúchos, “livro”, “rolo” (originalmente, um vaso ou implemento). A referência é aos primeiros cinco livros do Antigo Testamento, formadores de uma unidade básica: os livros de Moisés. O vocábulo foi aplicado a princípio, a esses livros, no século II D.C.; posteriormente, foi empregado por Orígenes, e a partir daí, se tomou uma designação comum para os livros em apreço. Contudo, há eruditos que pensam que a coletânea deveria incluir os seis primeiros livros da Bíblia, formando assim um Hexateuco. Ainda outros pensam que a verdadeira unidade é formada pelos quatro primeiros livros da Bíblia, do que resultaria um Tetrateuco. E, nesse caso, o Deuteronômio seria uma adição posterior, uma repetição ou comentário dos quatro livros anteriores.

Stanley Ellisen informa que “os livros antigos eram escritos em rolos, geralmente de nove metros de comprimento, mais ou menos o tamanho necessário para acomodar de Gênesis até Deuteronômio”. Portanto, a expressão “pentateuco” corresponde ao conjunto formado pelos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. O título desses livros corresponde à primeira palavra do texto hebraico, e na língua portuguesa obedece à tradução do grego da Septuaginta: Gênesis (“começo”), versão do hebraico bereshit (“no princípio”); Êxodo (“saída”), versão do hebraico Shemôt (“os nomes de”); Levítico (“aquilo que é dos levitas”), versão do hebraico wayyiqrã (“E Ele chamou”); Números (“aritmética, números, estatística”) versão do hebraico “Bemidbãr” (“no deserto de”); Deuteronômio (“segunda promulgação da lei”), versão do hebraico “Debãrim” (“palavras”).

O historiador judeu do século I Flávio Josefo menciona, centenas de vezes, Moisés como o autor do livro de Gênesis. Dentre elas, cita-se: “Moisés fala ainda mais particularmente da criação do homem […]”, “Moisés narra em seguida como Deus plantou do lado do oriente um jardim muito delicioso […]”.

  • A grandeza da Lei

Estuda-se a Lei, de modo didático, sob três aspectos:

(a) morais, que possuem validade permanente para todos os povos porque “tratam dos princípios básicos morais sem concessão”;

(b) cerimoniais, que tratam da liturgia dos judeus e compreendem as “festividades religiosas, o sistema de sacrifício e da adoração no santuário, os alimentos limpos e imundos e as instruções sobre a pureza ritual, entre outros preceitos”; e,

(c) civis, que dizem respeito à responsabilidade do israelita como cidadão, tais como os “regulamentos jurídicos e instruções que regiam a nação de Israel”.

Contudo, na verdade, essas três partes integram uma mesma Lei, isto é, a Lei de Moisés — o Pentateuco.

Henrietta Mears resume cada livro do Pentateuco em uma frase, a saber: “em Gênesis o mundo foi feito, em Êxodo se narra a marcha, Levítico contém a Lei, em Números as tribos são contadas, em Deuteronômio a Lei é repetida”. Em concordância com essas sentenças, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus ensina que “a Lei de Moisés” é o mais importante código de leis da antiguidade por sua santidade, por seu caráter espiritual e por sua autoridade divina: “a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom […] a lei é espiritual” (Rm 7.12,14). Contudo, enfatiza o documento doutrinário que a grandeza da Lei vai além de tudo isso, pois nela Deus esboça o plano da redenção humana em Cristo: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).

  • A Lei e a fé cristã

Donald Hagner destaca que “a lei era apenas um estágio antecipatório dos bens futuros, não possuía em si mesma significado duradouro, ou final”. Martinho Lutero ensinou que “a função primária da lei de Moisés consistia em fazer com que as pessoas se sentissem culpadas, para que reconhecessem sua pecaminosidade e aceitassem que mereciam a ira de Deus”. O apóstolo Paulo assevera que a Lei era uma medida temporária, ela foi dada para revelar e punir o pecado, e assim demonstrar a necessidade da graça (Gl 3.19).

O reinado da escravidão. Quando o pecado reina, os homens se tornam capachos de sua implacável tirania. O reinado do pecado é um domínio de opressão. O pecado escraviza e mata. Os súditos do pecado vivem prisioneiros de suas paixões e oferecem os membros do seu corpo à iniquidade.

O reinado da liberdade. Quando a graça reina, os homens se tornam livres. A graça destrona o pecado. Destrói o senhorio do pecado e capacita o crente a oferecer- se a si mesmo, e a tudo o que lhe pertence, em amorável serviço a Deus.603 Em vez de viver sob a tirania do pecado, eles podem voluntariamente se consagrar a Deus e oferecer os membros do seu corpo para a prática da justiça. Estar debaixo da lei é aceitar a obrigação de guardá-la e assim incorrer em sua maldição e condenação (G1 3.10). Estar debaixo da graça é reconhecer a nossa dependência da obra de Cristo para a salvação, e assim ser justificados ao invés de condenados. (LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. p. 603-604).

A Lei esboça o plano da redenção em Cristo. Pelos méritos da cruz de Cristo, fomos resgatados da maldição da Lei.

OS EVANGELHOS: A MENSAGEM DE CRISTO

  • O conceito de Evangelho

O termo “evangelho” tem origem no grego evangelion com o significado de “boas novas”. Refere-se à mensagem do Reino de Deus e da salvação por meio de Cristo (At 15.7; 20.24). Seus autores são chamados de evangelistas, que significa “portadores de boas-novas”.

Benito Marconcini sublinha que os evangelistas “empregam um gênero literário novo e único que os distingue de qualquer obra daquela época e até mesmo dos outros escritos neotestamentários”. De fato, os Evangelhos se destacam entre as Escrituras como o principal testemunho sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus.

Philip Comfort enfatiza que os Evangelhos “mantêm consistentemente o foco das atenções em Jesus, sendo o propósito óbvio da narrativa contar a história dos ensinamentos e obras dEle […] Mais de um quarto dos relatos é tributado ao julgamento, crucificação e ressurreição de Jesus”.

Os três primeiros, Mateus, Marcos e Lucas, são chamados de Evangelhos “Sinóticos”. Esse adjetivo, “sinótico”, vem do termo grego “synopsis”, que significa “ver em conjunto”. A designação passou a ser utilizada a partir do século XVIII em razão do alto grau de semelhança desses evangelistas nas narrativas do ministério de Jesus. Os Sinóticos registram, especialmente, o ministério de Jesus na Galileia e se concentram nas curas, exorcismos e o ensino por parábolas.

A. Carson oferece uma sequência geográfica geral comum, a saber: ministério na Galileia, retirada para o norte, ministério na Judeia e Pereia, e o ministério final em Jerusalém. O quarto Evangelho, João, tem peculiaridades próprias e enfatiza o ministério de Cristo na Judeia, especialmente nas visitas periódicas de Jesus a Jerusalém. O discípulo amado registra algumas curas significativas, mas não faz referência aos exorcismos e às parábolas. João destaca os discursos mais profundos do Senhor Jesus.

Ressalta-se que, embora retratada de modo distinto, a mensagem do evangelho é única (Gl 1.8). Há somente um evangelho, apresentado de quatro maneiras. É indispensável lembrar que os Evangelhos não têm o propósito de fornecer um diário detalhado com o registro de todas as ações e ensinos de Jesus.

O evangelista João afirmou que havia “muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (Jo 21.25), reiterou que muitos sinais de que Jesus fez não estavam escritos no seu Evangelho (Jo 20.30), mas que os que estavam registrados serviam para despertar a fé: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). O Guia Cristão de Leitura da Bíblia ratifica que os Evangelhos “não são biografia de Jesus e não nos fornecem todas as informações que poderíamos desejar ter. Entretanto, contêm tudo que precisamos saber a fim de compreender a relevância de Jesus e do que Ele fez por nós”. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

  • A mensagem do Reino de Deus

A centralidade do tema. A palavra “reino” é encontrada cinquenta e cinco vezes em Mateus, vinte vezes em Marcos, quarenta e seis vezes em Lucas e cinco vezes em João. Quando autorizado, é feito uso da palavra para fazer referência aos reinos seculares e para versões paralelas dos mesmos ditos de Jesus, a frase “o reino de Deus” e expressões equivalentes (e.g., “reino do céu”, “seu reino”) aparecem cerca de oitenta vezes. A palavra “rei” é usada também para Jesus com considerável frequência, mas só raramente em referência a Deus (Mt 5.35; cp. 18.23; 22.2). O verbo “governar” é raro (Lc 1.33; cp. 19.14,27).

Essas estatísticas mostram a grande importância do conceito no ensinamento de Jesus. De acordo com Mateus (3.2), João Batista também falou do reino do céu em palavras que antecipavam as de Jesus. O resumo introdutório de Marcos sobre a mensagem de Jesus deixa claro que o reino de Deus era seu tema central (Mc 1.15; Mt 4.17). Jesus afirmou que sua tarefa era pregar o Evangelho do reino (Lc 4.43), e os evangelistas repetem suas palavras (Mt 4.23; 9.35; Lc 8.1; 9.11; cp. 16.16; At 1.3). Ele designou seus discípulos para proclamar a mesma mensagem (Mt 10.7; 24.14; Lc 9.2; 10.9). Pode, portanto, existir pouca dúvida de que a frase “o reino de Deus” expresse o tema principal de seu ensinamento.

Qual a natureza do reino de Deus.

Sua iminência. Ao fazer do reino ou reinado de Deus o tema de sua pregação, Jesus não teve que atrair interesse para a sua mensagem ou explicar ao povo o que ele queria dizer. Embora suas ideias fossem, na maioria das vezes, erroneamente direcionadas, especialmente como resultado de suas esperanças limitadamente nacionalistas, o povo tinha alguma ideia do que o reino de Deus significava (Mt 18.1; 20.21; Mc 11.10; 15.43; Lc 14.15; 17.20; 19.11; 23.42,51; cp. At 1.6). À primeira vista, portanto, o novo elemento no ensinamento de Jesus estava relacionado não com o caráter do reino, mas com o tempo da sua vinda. O tempo estava totalmente cumprido e o reino de Deus estava próximo (Mc 1.15). O que Deus tinha planejado desde o começo (Mt 25.34) e o que os homens tinham esperado por séculos, estava perto.

Este modo de colocar o assunto indica que por reino de Deus Jesus queria dizer a ação real de Deus no fim da era ao invés do presente e eterno governo de Deus no céu, porque seria estranho dizer que o segundo estava próximo. Certamente Jesus falou do reino eterno de Deus (Mt 25.34s.), pois é baseado no fato de seu presente governo que a esperança de sua futura ação depende.

O que Jesus quis dizer com o reino de Deus estar “próximo”? Pode legitimamente ser traduzida “está perto” ou “tem chegado”. Será que Jesus quis dizer que a ação real de Deus estava para acontecer naquela ocasião de que ele falava, ou que já estava acontecendo? É uma decisão difícil em bases puramente linguísticas, embora a balança da probabilidade favoreça a primeira interpretação. O problema deve ser solucionado ao levar-se em conta todo o ensino de Jesus.

No começo do séc. 20 estudiosos como J. Weiss e A. Schweitzer advogaram uma interpretação agora conhecida como “Escatologia Consequente” (Konsequente Eschatologie). Eles afirmaram que Jesus pregava que o reino de Deus estava muito perto, e que com essa frase ele se referia exclusivamente ao final e visível ato de Deus em estabelecer seu reino. Jesus esperava o fim da era quase de imediato; a inauguração da nova era teria lugar através de um evento cataclísmico glorioso. Apoio para esta opinião pode ser encontrado nos textos que falam dessa era transcendental e de sua vinda (Mt 6.10; cp. Lc 11.2; Mt 8.11; cp. Lc 13.29; Mt 16.28; cp. Mc 9.1; cp. Lc 9.27; Mt 22.1-14; cp. Lc 14.16-24; Mt 26.29; cp. Mc 14.25; cp. Lc 22.16,18; 21.31) ou na iminente vinda do Filho do homem (Mc 13. 26-30; 14.62) e da futura entrada no reino (Mt 5.20; 7.21; 8.1 ls.; cp. Lc 13.28s.; Mt 18.3; cp. Mc 10.15; cp. Lc 18.17; Mt 25.34; Mc 9.47).

Cerca de 30 anos depois uma interpretação diferente do ensino de Jesus foi apresentada, principalmente por C. H. Dodd. Ele adotou a tradução de Marcos 1.15 que sugere que o reino já havia chegado na ocasião em que Jesus estava falando, e ele mostrou que várias outras declarações indicavam que o reino já estava presente durante seu ministério (Mt 10.7; cp. Lc 10.9,11; Mt 11.12; cp. Lc 16.16; Mt 12.28; cp. Lc 11.20; Lc 17.20s.). A própria manifestação e ministério de Jesus eram o ato final de Deus para a salvação do homem, e o reino de Deus não significava algum ato apocalíptico poderoso no fim da história, mas o gracioso e soberano ato de Deus em trazer redenção aos homens em Jesus. Essa teoria ganhou o nome de “Escatologia Realizada”, visto que ela defendia que os eventos escatológicos já haviam acontecido; a frase alemã sich realisierende Eschatologie também é usada para descrevê-la.

O resultado de intensa discussão nos anos recentes tem mostrado que nenhuma das teorias é sustentável por si só. Cada uma só pode ser defendida às custas de responder à evidência da outra, frequentemente por métodos muito duvidosos. A teoria Weiss-Schweitzer prestou atenção unilateral ao que foi dito sobre o futuro advento do reino e ignorou as declarações às quais Dodd posteriormente prestou atenção. Dodd, de sua parte, foi pouco convincente em suas tentativas de interpretar as declarações sobre o futuro de acordo com seu conceito de que o reino já havia chegado. O estudo mais cuidadoso das evidências para determinar a época, feita por W. G. Kümmel, demonstrou que Jesus falou tanto da presença como da vinda futura do reino.

Uma vez que essa polaridade ou dualismo foi reconhecida, o problema é explicá-la.

(a) R. Bultmann e seus seguidores têm frisado a primazia dos elementos futuros no ensino de Jesus, mas têm também reinterpretado as declarações de Jesus em categorias existenciais, de tal modo que o conceito de uma vinda real e futura do reino tem sido efetivamente negada,

(b) A solução do próprio Kümmel foi restringir a presença do reino à sua presença em Jesus; na sua própria pessoa a futura consumação já havia chegado, mas separado da sua presença o reino não está presente, e sua vinda encontra-se no futuro,

(c) Outros, tirando suas sugestões de Marcos 9.1 têm feito distinção entre a vinda do reino no ministério de Jesus e sua vinda futura em poder (e.g., A. M. Hunter), ou entre a revelação velada do reino no ministério de Jesus e sua manifestação aberta no final dos tempos (e.g., C. E. B. Cranfield), ou entre a maneira parcial provisória de sua manifestação no ministério de Jesus, e sua futura manifestação completa (e.g., H. Ridderbos). Existem elementos de verdade em todas essas várias tentativas de elucidação, e elas podem ser combinadas umas com as outras (como alguns estudiosos o fazem), mas

(d) talvez a afirmação mais satisfatória sobre esse assunto seja aquela que é sugerida independentemente por R. Schnackenburg e G. E. Ladd, que distinguem entre o cumprimento e a consumação da promessa do reino do AT. “Para Jesus, o reino de Deus era o governo dinâmico de Deus, que tinha invadido a história em sua própria pessoa e missão para trazer aos homens, na presente era, as bênçãos da era messiânica, e que se manifestaria mais uma vez ainda no fim da era, para trazer essa salvação messiânica ã sua consumação” (G. E. Ladd, p. 303). Por esta terminologia a realidade do advento do reino no ministério de Jesus é salvaguardada.

Provavelmente é trabalho perdido tentar mostrar que um aspecto ou outro da vinda do reino tinha maior significado para Jesus. Embora o verdadeiro número de afirmações que se referem explicitamente à vinda futura seja maior, é verdade que o ensinamento sobre a presença do reino era especialmente característico de Jesus, e continha novas ideias sobre sua natureza. A verdade é que os dois aspectos não foram rigorosamente separados por ele. A vinda futura estava perto porque Deus tinha começado a agir; o tempo presente estava cheio de significado porque Deus já estava trazendo sua dádiva de salvação final aos homens. (MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. p. 117-119).

  • A mensagem da Salvação

Nossa palavra “salvação” vem do latim salvare, que significa “salvar”, e de salus, que significa “saúde” ou “ajuda”. A palavra hebraica traduzida em português por “salvação” indica segurança. O termo grego soteria, e suas formas cognatas, tem a idéia de cura, recuperação, redenção, remédio, bem-estar e resgate. Essa palavra pode ser usada em conexões totalmente físicas e temporais, ou no que diz respeito ao bem-estar da alma, presente e eterna.

A idéia de “salvar”, quando usada para indicar a salvação espiritual, fala do livramento do pecado, da degradação moral e das penas que devem seguir-se, como o julgamento divino. Mas o livramento também nos confere algo, a saber: o perdão, a justificação, a transformação moral e a vida eterna, que consiste na participação na própria vida de Deus, no seu “tipo” de vida. A discussão a seguir explica mais amplamente a natureza desse “livramento para alguma coisa”, bem como desse “livramento de alguma coisa”.

Salvação Segundo o Antigo Testamento

Embora a salvação com freqüência apareça ali apenas como algo no tempo, como da ira de algum inimigo (“o justo viverá por sua fé”, em Hc. 2:4; fala da preservação física), há passagens, como Isa. 45: 17, Dan. 7: 13 ss. E Isa. 53, que entram no nível espiritual da salvação. Os rabinos, após o período patriarcal, criam na alma, no pós-vida, nos lugares celestiais. Mas, a salvação, nas páginas do Antigo Testamento, jamais tomou alguns aspectos revelados no Novo Testamento, especialmente no tocante à plenitude da filiação, em que os homens assumem a natureza do próprio Cristo, a fim de terem sua mesma glória e herança. Esse é um conceito que escapou a teologia dos judeus, e continua a ser ignorado e desconhecido na maioria das igrejas de hoje, onde a salvação é reduzida ao perdão dos pecados e à mudança de endereço para os céus, após a morte física.

Salvação no Novo Testamento.

Até mesmo uma leitura superficial revelará que nem todos os autores do Novo Testamento têm o mesmo ponto de vista acerca da salvação. Não obstante, seus pontos de vista são suplementares, e não contraditórios. A visão da plenitude da salvação é mais clara em alguns escritores sagrados do que em outros.

Nos Evangelhos sinópticos.

A salvação vem por meio de Jesus (ver Luc. 19:9). Ele veio para salvar (Mc. 3:4; Lc. 4: 18; Mc. 18: 11; Lc. 9:56 e Mt 20:28). Sua missão impõe certa obrigação moral sobre os homens (Mc. 8:35; Lc. 7:50; 8:12; 13:24 e Mt. 10:22). A salvação requer um coração contrito, a receptividade como a de uma criança, a renúncia de tudo por causa de Cristo.

Ela nos conduz à vida eterna, à salvação da alma (Mt. 7:13,14; Mc. 8:34). Isso envolve a associação com Jesus em seu reino (ver Mat. 13; Mar. 8:38), que é visto como algo ao mesmo tempo celestial e terreno. Ver Mateus 3.2 sobre a doutrina do Reino. Envolve a inquirição e a final possessão das perfeições morais (Mt. 5:48). Nos evangelhos sinópticos, entretanto, nunca temos a descrição dos níveis mais altos da transformação segundo a imagem de Cristo, em que passamos a ser o que ele é e a possuir o que ele tem. O evangelho normalmente pregado nas igrejas evangélicas se eleva somente até o nível dos evangelhos sinópticos, o que deixa de lado especiais e maiores revelações, como aquelas dadas a Pedro e. mormente, a Paulo.

No Evangelho de João. Nesse evangelho temos um ponto de vista mais similar ao de Paulo do que aos dos evangelhos sinópticos. O princípio de filiação é associado à salvação, e isso é um discernimento penetrante. Fica subentendido que aquilo que é o Filho, nisso nos transformamos, pois também seremos autênticos filhos do Pai Celeste. Somente no evangelho de João, de maneira mais clara e como descrição direta, é que temos o conceito da participação do homem na vida “necessária” e “independente” de Deus, o Pai. Há muitas “modalidades” de vida, a começar pelos animais unicelulares, passando por animais mais completos, do mar, da terra e dos ares.

Finalmente chegamos ao homem, o qual incorpora em si mesmo os aspectos físico e espiritual da vida, de maneira especial. As evidências mostram que toda a vida é dual, e talvez imortal; pelo menos toda e qualquer vida tem uma porção psíquica, que talvez seja o controle real do desenvolvimento físico.

Assim nos ensinam os trechos de João 5:25,26 e 6:57, um dos mais elevados conceitos de todo o Novo Testamento. Os homens chegam a compartilhar dessa forma de vida. tornando-se muito mais elevados que os anjos e membros autênticos da família divina, possuidores da natureza divina (2Pe1 :4). Notemos que o elevadíssimo tipo de vida exposto no Evangelho de João fez parte integral da salvação, sendo mediado através da ressurreição.

No Livro de Atos. Neste ponto retornamos ao terreno dos evangelhos sinópticos, conforme se poderia antecipar do fato de que Lucas, seu autor, também é o autor do evangelho de Atos, um dos evangelhos sinópticos. O perdão dos pecados, o arrependimento, a conversão, a entrada no reino celestial, são elementos da salvação, mas não cobrem a revelação inteira, embora destaquem os conceitos primários da salvação, que são indispensáveis.

Não pode haver glorificação sem o perdão dos pecados e o arrependimento. mas esses são apenas os passos iniciais da salvação. O Livro de Atos é essencialmente uma narrativa sobre como o evangelho de arrependimento se propagou entre todas as nações. (Atos 2:38, 4:12 e 16:30)

Nas Epístolas Paulinas. Neste ponto encontramos os conceitos mais elevados, os quais são enumerados neste parágrafo.

a) Rom. 8:29: a salvação envolve nossa transformação segundo a imagem moral e metafísica de Cristo, em que compartilharemos de sua natureza essencial;

b) Ef, 1.:23: ser “salvo” significa vir a possuir, finalmente, a “plenitude de Cristo”, que é tudo para todos;

c) Ef. 3: 19: ser “salvo” significa compartilhar finalmente de “toda a plenitude de Deus”, em sua natureza, atributos e perfeições;

d) Col. 2:9, 10: ser “salvo” significa participar da plenitude da divindade, tal como o Filho dela participa;

e) 2Cor. 3: 18: tudo isso é produzido pelas operações do Espírito, que nos amolda segundo a natureza moral de Cristo, e então segundo a sua natureza metafísica;

f) A filiação sumaria a obra: aquilo que o Filho é, isso seremos; aquilo que ele possui, nós possuiremos. Cristo é tanto o Caminho como é o Pioneiro do Caminho. Ele assumiu a natureza humana e, na qualidade de homem, foi espiritualizado para compartilhar da divindade, na qualidade de Deus-homem, um novo modo de tal participação. É essa participação na divindade que foi aberta a todos os homens que nele confiam (Rm. 8: 17,29,30), tornando-os capacitados a receber sua herança, sua natureza, sua imagem e sua glorificação.

Para Paulo, pois, ser salvo é tornar-se aquilo que é o Filho de Deus, é compartilhar do que ele possuí. Esse é o mais elevado conceito que o homem conhece. Exige arrependimento e perdão de pecados, mas esses são apenas meios para atingirmos a glorificação.

Nos Escritos de Pedro. A passagem de 2Pe. 1:4 encerra a declaração mais significativa. Mostra-nos que chegamos a participar da divindade, da natureza divina, escapando da corrupção que há no mundo, para que as promessas de Deus se cumpram em nós. (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. p. 54-55).

Os Evangelhos são as Boas-Novas que proclamam o Reino de Deus e a mensagem de salvação em Jesus Cristo.

UMA MENSAGEM TRANSFORMADORA

  • A transformação do caráter

O caráter é definido como “a maneira própria de cada pessoa agir e expressar-se”. Nicola Abbagnano define o caráter como “o modo de ser ou de comportar-se habitual e constante de uma pessoa, na medida que individualiza e distingue a mesma pessoa.

O caráter é a marca distintiva de cada pessoa que regula a sua forma de pensar, de sentir, de desejar, de proceder e reagir de forma habitual. Em vista disso, a pessoa dotada de um caráter firme mantém sua postura, persegue o mesmo ideal e não se move facilmente de seus princípios. De outro lado, a pessoa de um caráter volúvel frequentemente oscila na forma de agir, sua postura muda de acordo com as circunstâncias. Essa atitude demonstra a fraqueza e a hipocrisia de um caráter malformado.

Antônio Gilberto pondera que “o caráter é um componente da personalidade. É adquirido e não herdado. Resulta da adaptação progressiva do temperamento às condições do meio-ambiente: o lar, a escola, a igreja, a comunidade e o estado socioeconômico”.

Portanto, o caráter pode ser forjado, mudado e transformado.

Na Lei de Moisés, o Decálogo, ou os Dez Mandamentos, apresenta as orientações básicas para o modo de viver e agir dos israelitas (Êx 20.1-17). Os três primeiros mandamentos dizem respeito à teologia e os demais se referem a ética. A ética são os fundamentos da moral. A ética e a moral referem-se ao conjunto de costumes, valores e obrigações adotados em uma sociedade. Os princípios éticos e morais do Decálogo também são aplicados nos Evangelhos (Mc 10.19), exceto a guarda do sábado (Mt 12.2-4). Contudo, a mera observância de códigos não pode salvar a ninguém (Lc 18.18-24). Somente a graça divina é capaz de transformar o caráter humano.

A mudança de caráter implica mudança de comportamento. Como já visto, quando o caráter de Zaqueu foi curado, ele mudou radicalmente de postura (Lc 19.8; cf. Ef 4.28-31). Hebreus nos adverte que, sem mudança de vida, ninguém verá a Deus (Hb 12.14). Paulo descreve que o poder transformador do evangelho opera em nós de glória em glória (2 Co 3.18). Por meio da ação do Espírito Santo, e da obediência ao evangelho, o homem pode compartilhar a natureza do caráter de Deus (Mt 5.48). Desse modo, a mensagem do evangelho de Cristo produz substancial mudança no caráter do cristão (Lc 19.8,9). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

  • A restauração da família

Myer Pearlman, na cerimônia de casamento em seu Manual do Ministro, afirma o seguinte: “No jardim do Éden, Deus instituiu essa união a partir do primeiro casal humano, a fim de tomar feliz toda a humanidade. Desde então os seres humanos o têm praticado e, para dar-lhe consistência, o têm legalizado. Pode-se dizer que o casamento é o contrato jurídico de uma união espiritual”. Essa declaração é confirmada na Bíblia e na História.

As Escrituras Sagradas mostram que o casamento foi instituído por Deus no jardim do Éden (Gn 2.18-25) e sancionado pelo Senhor Jesus em sua presença nas bodas de Caná da Galileia (Jo 2.1-11). O propósito, entre outros, é a felicidade, o companheirismo mútuo do casal e a procriação, a maneira legítima da multiplicação dos seres humanos sobre a Terra.

DESVIO DO PRINCÍPIO MONOGÂMICO

A monogamia foi instituída pelo Criador, porém a poligamia foi criada pelos homens. O primeiro polígamo da história foi Lameque (Gn 4.19). A declaração bíblica “e apegar-se-á à sua mulher” (Gn 2.24) fala da monogamia, isto é, o princípio do casamento de um homem com uma única mulher e vice-versa. O código de Hammurabi, escrito em acádico na antiga Caldeia e datado de 1750 a.C., prevê a poligamia nos parágrafos 146 e 148. Historiadores, sociólogos e arqueólogos são unânimes em afirmar que havia desvios do casamento monogâmico na Palestina pré-semítica, como a poligamia e a poliandria (TENNEY, 2008, p. 976).

Os patriarcas hebreus viveram nesse contexto social, e nós encontramos na Bíblia o reflexo da sociedade do antigo Oriente Médio. O texto de Gênesis 16.1-4, narrando a história de Sara, que deu sua criada Agar por mulher a Abraão para que esta pudesse gerar filho, parece-nos uma prática muito estranha à nossa cultura ocidental e, sobretudo, à ética cristã; entretanto, por mais que nos pareça estranho, isso na época era lei. Está registrado nos parágrafos 144-147 do Código de Hammurabi, muito tempo antes do Concerto do Sinai. A mesma coisa fez Raquel, ao conceder sua serva Bila a Jacó que para que lhe gerasse filhos (Gn 30.3-8). Jacó casou com duas irmãs, Leia e Raquel, e teve concubinas (Gn 29.28-31; 35.22).

O adultério naquela época se configurava quando envolvia alguém que fosse casado. Ora, se a lei de Moisés não apresenta o mesmo conceito de adultério que o cristianismo, logo os heróis do Antigo Testamento não podem ser reputados adúlteros, pois a lei não condenava essa prática, e alguns deles viveram antes mesmo da promulgação da lei, no Sinai. Se a lei não proíbe, não pode ser pecado. Só haverá contravenção ou crime a partir do momento em que a lei for sancionada e posta em vigor. “Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei” (Rm 5.13). Assim, essas práticas do Antigo Testamento, anteriormente mencionadas, hoje são pecados, pois são condenadas no Novo Testamento. Salomão pecou pelo fato de não observar Deuteronômio 17.17, que proíbe aos reis de Israel adquirir para si haréns, como faziam os antigos monarcas do Oriente Médio, e casar com mulheres estrangeiras (Ne 13.26), o que era proibido pela lei de Moisés (Dt 7.1-4). Salomão agiu dessa forma motivado por alianças políticas, mas pagou muito caro por isso, pois a poligamia e os casamentos mistos o levaram ao desvio (1Rs 11.1-4), e isso trouxe complicação para Israel durante muito tempo.

No antigo Oriente Médio isso era mais uma questão de ostentar poder (1Rs 11.1-3). A poligamia nunca foi um mandamento da lei de Moisés, mas estava implícita em três ocasiões: 1) “Mas, se a desposar com seu filho, fará com ela conforme o direito das filhas. Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento desta, nem a sua veste, nem a sua obrigação marital” (Êx 21.9,10); 2) “Quando um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem aborrece, e a amada e a aborrecida lhe derem filhos, e o filho primogênito for da aborrecida […]” (Dt 21.15); e 3) na lei do levirato, pois a lei não prescrevia se o cunhado deveria ser solteiro (Dt 25.5).

Os judeus abandonaram essa prática, mas os muçulmanos ainda a mantêm. Israel, que ainda está na lei de Moisés, aboliu a poligamia. Isso ocorreu em 950 d.C., quando o rabino Guershom proclamou a takaná (regulamento interno da sinagoga), estabelecendo a monogamia de caráter regional e provisório. Essa takaná vigorou por 400 anos, até 1350. Aos poucos, as sinagogas de outras jurisdições foram adotando essa prática, de modo que com o tempo esse princípio se universalizou.

Expirado o prazo, ninguém se preocupou com a renovação. A monogamia, todavia, já se tornara regra sem exceção e assim perdurou até a atualidade em Israel (MEZAN, vol. III, s/d, p. 149). O Novo Testamento restabeleceu o princípio monogãmico original da criação (Mt 19.5; 1Co 7.2; 1Tm 3.2).

Jesus disse que, se uma mulher casada for de outro homem, comete adultério contra o seu marido, se ele estiver vivo; e da mesma forma o marido, se for de outra mulher, comete adultério contra a sua mulher, se ela estiver viva (Mc 10.11,12). Jesus foi mais profundo, cortando o mal pela raiz, pela causa, e não pelo efeito. Ele declarou: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.27,28). É verdade que nem sempre podemos impedir que as aves pousem em nossa cabeça, mas podemos impedir que ali façam ninhos. Ninguém está livre de ser sobressaltado por pensamentos pecaminosos, mas qualquer cristão pode perfeitamente impedir que esses pensamentos sejam cultivados (Cl 3.1-5).

A INDISSOLUBILIDADE

A natureza indissolúvel do casamento vem desde a sua origem: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne” (Gn 2.24). O Senhor Jesus Cristo disse que essa passagem bíblica significa a indissolubilidade do casamento: “Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.5,6). É uma união íntima entre duas pessoas de sexos opostos que assumem publicamente o compromisso de viverem juntas; é uma aliança solene, um pacto sagrado, legal e social. Não existe no universo, entre os seres vivos inteligentes, uma intimidade maior do que entre marido e mulher, exceto apenas entre as três pessoas da Trindade.

O voto solene de fidelidade um ao outro “até que a morte os separe”, que se ouve dos nubentes numa cerimônia de casamento, não é mera formalidade. Isso tem implicações profundas diante de Deus: “Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade” (Ml 2.14). O compromisso que os noivos assumem é diante de Deus, independentemente de o casal ser ou não crente em Jesus. Isso diz respeito ao casamento per si, vinculado de maneira intrínseca à sua natureza, pois assim Deus estabeleceu essa aliança “até que a morte os separe”. Esse voto, ou “juramento”, não é para ser desfeito. Os noivos precisam ser conscientizados dessa responsabilidade e para isso é muito importante o curso obrigatório para noivos nas igrejas.

O divórcio é por natureza um pecado contra o princípio divino de indissolubilidade do casamento. Os pais e os jovens da Igreja necessitam de orientação pastoral. É muito importante a realização de encontros casais, tratando de assuntos de família, e também de encontro de jovens, abordando questões relacionadas a namoro, noivado e casamento. Todas as igrejas deveriam promover cursos de noivos para os que estão com casamento marcado.

A escolha do cônjuge deve ser feita sob a direção de Deus. Uma das primeiras coisas a ser observada é o bom testemunho e se o futuro cônjuge realmente demonstra conversão genuína ao evangelho de Jesus Cristo, assumindo responsabilidade em seus compromissos. Outro ponto importante que precisa haver nos dois é o amor e a admiração mútua. Quando o casamento é baseado apenas na beleza física e na atração erótica, a chance de felicidade duradoura é remota.

A maneira pela qual a moça ou o moço trata os pais também mostra qual será o seu comportamento como cônjuge depois de casado. É nesse momento que cada um precisa ser mais racional do que emocional; é uma decisão seria que ninguém pode errar. Há os que são “lobo na pele de ovelha” e conseguem esconder seu intento, sua má índole e seus vícios; esse caso só se resolve com oração. Quem busca a direção divina jamais será enganado. Deus é o maior interessado no bem-estar de seus filhos e de suas filhas. O noivado é para discutir o projeto para a vida de casados, quantos filhos virão, quando isso deve acontecer, qual deve ser a atividade da esposa com relação a trabalho e estudo, e no caso de ela trabalhar fora de casa como deve ser o orçamento familiar. Tudo isso deve ser avaliado e discutido antes para evitar surpresas desagradáveis após o casamento.

Os casados têm o dever de se esforçarem para assegurar a felicidade do cônjuge. O sexo é uma necessidade na vida conjugal. A Bíblia afirma que marido e mulher “são uma só carne”, como já vimos. Isso fala de comunhão, de unidade física, intelectual e espiritual. Unidade física é o relacionamento sexual dentro do casamento, que tem o aval divino, por ser uma prática pura e santa aos olhos de Deus, a ponto de o apóstolo Paulo comparar o ato conjugal à comunhão mística de Cristo com a sua Igreja (2Co 11.2; Ef 5.25,32).

A mulher não deve negar-se ao marido e da mesma forma o marido à mulher, exceto quando de comum acordo para a consagração, ou mesmo em caso de cansaço proveniente de um duro e longo período de trabalho ou de enfermidade. Fora isso, recusar o outro é um perigo muito grande. A Bíblia declara que “a alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce” (Pv 27.7). Todos os casados devem se cuidar para não deixar seu cônjuge faminto, a fim de não correr o rico de vê-lo envolvido em caso amoroso com outras pessoas, o que é especialidade Satanás (1Co 7.3-5).

A sexualidade humana não é apenas para a procriação; Deus a criou para a felicidade e a satisfação dos seres humanos. O livro de Cantares de Salomão é uma demonstração disso, assim como outras partes das Escrituras Sagradas (Pv 5.15-19; Ec 9.9). Esse relacionamento deve ser segundo a Palavra de Deus:

“Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4).

Deus julgará os que preferem as práticas vis e pervertidas, que violam a santidade do ato conjugal, seguindo o padrão imoral do mundo e da prostituição. Nós fomos chamados à santificação, e não para a impureza:

“O que Deus quer de vocês é isto: que sejam completamente dedicados a ele e que fiquem livres da imoralidade. Que cada um saiba viver com a sua esposa de um modo que agrade a Deus, com todo o respeito e não com paixões sexuais baixas, como fazem os incrédulos, que não conhecem a Deus” (1Tss 4.3-5, NTLH).

Temos aqui uma exortação à santidade e à honra da relação sexual dentro do casamento, evitando os excessos e as perversões. (Soares. Esequias, Casamento, Divórcio E Sexo A Luz Da Bíblia. Editora CPAD. p. 13-17; 66-68).

  • A regeneração da sociedade

O Charles F Pfeiffer no dicionário Bíblico Wycliffe diz que palavra regeneração não é apresentado de forma muito proeminente no AT, embora possa ser visto em passagens como Isaías 57.15 e Salmo 51.10. No entanto, pode ser inferido a partir das passagens que falam de uma regeneração nacional. Passagens que falam da salvação de todo Israel por ocasião da segunda vinda de Cristo, indicam a regeneração dos israelitas sobreviventes (Jr 24.7; 31.3; ls. 32.38; Ez 11.19; 36.24-27; 37.14; Rm 11.26). Zacarias 12.10-14 e 13.6 refere-se ao arrependimento de indivíduos judeus.

No NT, o termo palingenesia é usado em relação à restauração escatológica (Mt 19.28) de todas as coisas. Em Tito, na única outra vez em que a palavra é usada, ela se refere à salvação do indivíduo (Tt 3.5). Outras expressões do NT sâo usadas para a mesma verdade, mas todas têm em comum a idéia de uma mudança dramática semelhante, e denominada novo nascimento. O novo nascimento significa renascer ou nascer do alto (Jo 3.3; 1 Pe 1.23), ser nascido de Deus (Jo 1.13), ser gerado por Deus (1 Pe 1.3), ser vivificado (Ef 2.5; Cl 2.13). Esta renovação ocorre pelo poder do Espírito Santo (Jo 3.5; Tt 3.5) e faz do homem uma nova criatura (q.v.; 2 Co 5.17; Ef 2.5; 4.24).

A regeneração deve ser distinguida da justificação.

A justificação muda o relacionamento do crente com Deus. A regeneração afeta sua natureza moral e espiritual e a transforma.

A justificação remove sua culpa; a regeneração, sua atrofia espiritual, de forma que ele passa da morte espiritual paia a vida espiritual. A justificação traz o perdão dos pecados; a regeneração, a renovação da vida espiritual para que o indivíduo possa atuar como um rilho de Deus.

A regeneração também deve ser distinguida da santificação. A santificação, ou a vida de crescimento progressivo na graça, começa somente após a regeneração e continua até que o crente vá estar com Cristo.

Contudo, a santificação é citada em termos similares à regeneração. O cristão é exortado a ser transformado pela renovação de sua mente (Rm 12.2), a revestir-se do novo homem (Ef 4.22-24; Cl 3.9,10), e a considerar-se morto para o pecado, mas vivo para Deus (Rm 6.3-11). Estas passagens mostram que o período de santificação do crente começa com sua regeneração.

Os teólogos da Reforma fazem uma distinção adicional e colocam a regeneração antes da fé, mostrando que o Espírito Santo deve trazer nova vida antes que o pecador possa, pela capacitação de Deus, exercitar a fé e aceitar a Jesus Cristo. No entanto, isto não significa que a regeneração possa ocorrer sem que a fé imediatamente a suceda, porque elas estão unidas (Ef 2,8). Uma não ocorre sem a outra.

As igrejas Católica Romana e Anglicana ensinam uma forma de regeneração batismal, e algumas igrejas da Reforma até falam da regeneração ocorrendo “antes, durante, ou depois do batismo”. As Escrituras, porém, não ensinam a regeneração batismal de modo algum.

Embora Pedro fale do batismo salvando o crente (1 Pe 3.21), ele diz que a regeneração é causada pela Palavra de Deus (1 Pe 1.23), como faz Tiago (Tg 1.18). Parece claro que o que Pedro quer dizer é que o batismo no Espírito salva, a aplicação real do sangue de Cristo pelo Espírito Santo aos nossos pecados na regeneração. Cristo coloca tal ênfase no ato de fé de aceitá-lo como Salvador (Jo 3.16,36; 5.24), que qualquer regeneração, sem um conhecimento racional dele e uma aceitação pessoal não é sequer considerada.

As objeções nas Escrituras para a circuncisão e para a observação da lei como um meio de regeneração mostram que qualquer ensino de uma eficácia de batismo ex opere operato (pela obra operada) também não tem lugar. A Palavra de Deus fornece o conteúdo daquilo em que uma pessoa deve crer para ser salva, e o batismo significa e confessa o poder purificador do sangue de Cristo para remover os pecados; mas a fé salvadora, dada como um dom ao homem no momento da regeneração, é a condição. (PFEIFFER Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. p. 1658-1659).

A observância dos preceitos da Lei não salva, mas por meio da ação do Espírito, a obediência ao Evangelho muda as vidas.

CONCLUSÃO

Estudamos na lição de hoje que toda a Lei Deus dada ao seu povo por intermédio de Moisés apontavam para Cristo (Gl 3. 10-13,24,25). Especificamente, o escritor aos hebreus afirma que todos os ritos cerimonias mostra o Senhor Jesus. Nos evangelhos, isso fica muito claro, pois o propósito final é relevar Jesus como o Salvador da humanidade Em suma, as obras da Lei não justificam, mas pela graça somos salvos, por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo.

Até a próxima lição!

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