EBD – A Bíblia como um guia para a vida

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

INTRODUÇÃO

O apóstolo Tiago assevera que a Palavra de Deus transforma a nossa natureza, e nos conduz pela vereda da salvação,

“Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma.” (Tg 1.21).

Em vista disso, Peter Davids assinala “não ser suficiente que a pessoa esteja convencida a respeito de Jesus; a pessoa deve entregar-se a Cristo, aceitar seu ensino, e essa fidelidade é o estilo de uma nova vida”.

Tiago enfatiza três verdades vitais.

Em primeiro lugar, o verdadeiro crente nasce da Palavra de Deus

“Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas.” (1.18).

A Palavra de Deus é a divina semente. Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. Nascemos, assim, de cima, de Deus, do Espírito. Recebemos, portanto, uma nova natureza, uma nova vida.

Em segundo lugar, o verdadeiro crente acolhe a Palavra (1.21). Há uma preparação própria para receber a Palavra:

“Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia…”

A Palavra de Deus é comparada a uma semente, e o coração do homem, a um solo. Antes de lançarmos a semente precisamos preparar a terra. Jesus falou de quatro tipos de solo: o solo endurecido, o superficial, o congestionado e o frutífero (Mt 13.1-23).

Antes de acolhermos a Palavra, precisamos remover a erva daninha da impureza e da maldade. Também é requerida uma atitude correta para receber a Palavra: “… recebei com mansidão a palavra em vós implantada…” A mansidão é o oposto da ira (1.19). E necessário adubar o terreno para que a semente frutifique. A Palavra deve ter raízes profundas em nossa vida. Aceitamos de bom grado a transformação que Deus opera em nós através da Palavra. Tiago fala ainda acerca do resultado da recepção da Palavra: “… a qual é poderosa para salvar as vossas almas”. Quando nascemos da Palavra, ouvimos a Palavra, recebemos a Palavra e praticamos a Palavra, podemos ter garantia da salvação.

Em terceiro lugar, o verdadeiro crente pratica a Palavra (1.22-25). Não basta ouvir ou ler a Palavra, é preciso praticá-la. Não basta apenas o conhecimento da verdade, é necessário também a prática da verdade. Muitos crentes marcam sua Bíblia, mas a Bíblia não os marca. Há grandes benefícios em se praticar a Palavra. Primeiro, quem pratica a Palavra conhece a si mesmo (1.23,24).

A Palavra aqui é comparada não com a semente, mas com o espelho. O principal propósito do espelho é o autoexame. Quando você olha para dentro da Palavra e compreende o que ela diz, você conhece a você mesmo: seus pecados, suas necessidades, seus deveres e suas recompensas. Ninguém olha no espelho e logo vai embora sem fazer nada. Você olha no espelho para saber se já penteou o cabelo, se já lavou o rosto ou se a roupa está bem passada. Você olha no espelho para ver as coisas como elas são. Quando você olha no espelho, você descobre que tipo de pessoa você é e como você está. Há alguns perigos quanto ao espelho que precisamos evitar: devemos evitar olhar apenas de relance no espelho. Muitas pessoas não estudam a si mesmas quando leem a Bíblia. Muitas pessoas leem a Bíblia todo dia, mas não são lidas por ela, não a observam.

Devemos tomar cuidado para não esquecermos o que vemos no espelho. Muitas vezes lemos a Bíblia tão distraidamente que nem conseguimos ver quem nós somos, como está a nossa aparência. Não temos convicção de pecado. Não sentimos sede de Deus. Não falamos como Isaías: “Ai de mim!”. Não falamos como Pedro; “Senhor, aparta-te de mim, porque eu sou um pecador”. Não falamos como Jó: “Eu me abomino no pó e na cinza”. Devemos nos acautelar para não fracassarmos em fazer o que o espelho mostra. Não basta ler a Bíblia, é preciso praticá-la. Não basta falar, é preciso fazer. Reunimo-nos muito para conhecer e pouco para praticar.

Por que Tiago chama a Lei de Deus de “lei perfeita, lei da liberdade?” É porque quando a obedecemos, Deus nos liberta. Aquele que comete pecado é escravo do pecado (Jo 8.34). Disse Jesus: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31,32). Deus não deu a Sua lei como meio de salvação, mas a deu como um estilo de vida para os salvos, aqueles que haviam sido redimidos (Êx 20.2). Quem pratica a Palavra torna-se bem-aventurado no que realizar (1.15). Ouvir a palavra sem praticá-la é enganar-se a si mesmo. E como se olhar no espelho, ver a roupa suja e não fazer nada. Ouvir a Palavra e não praticá-la é ter uma falsa religião. O fim é o engano, é a tragédia. Mas, quem obedece à Palavra é bem-sucedido em tudo quanto faz (Js 1.6-8). LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. p. 32-35.   

A BÍBLIA É UM ALICERCE PARA A VIDA

Em Mateus nos diz:

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.” (Mt 7.24-27).

Quando as tempestades batem contra a casa com toda a sua fúria, ela ainda permanece firme. O termo enchente, utilizado por algumas versões, significa, literalmente, rios. O clima da Palestina é como o do sul da Califórnia, sob muitos aspectos. Os leitos dos rios ficam secos durante a maior parte do ano. Mas quando as chuvas do inverno e da primavera chegam, surgem as inundações. Jesus retratou o ouvinte descuidado como um homem que de forma insensata construiu a sua casa sobre a areia, e então a perdeu. As casas na Palestina são em sua maioria construídas com pedras ou com tijolos secos ao sol. Quando as tempestades dissolvem a argamassa, as paredes tendem a cair. (Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. p. 69).

Os verdadeiros discípulos de Jesus não irão apenas ouvir as Suas palavras, mas praticá-las, permitindo que a mensagem faça diferença em sua vida. Nesse ensino, Jesus explicou que o verdadeiro seguidor, que pratica as Suas palavras, é como a pessoa que constrói a sua casa sobre a rocha. Aquele que “constrói sobre a rocha” é um discípulo que ouve e obedece, e não um impostor. Praticar a obediência é construir sobre o sólido alicerce das palavras de Jesus, a fim de enfrentar as tempestades da vida.

Embora as duas pessoas tenham construído suas casas, e essas casas até pareçam idênticas, somente uma suportará o teste. Somente a pessoa que ouve e pratica a vontade de Deus receberá a recompensa. A casa construída sobre a areia irá desabar. Quando vierem as tempestades, a pessoa não terá firmeza, a sua vida se despedaçará, e o fim será uma grande queda – o juízo final, a destruição (7.13,14), e a separação de Deus (7.22,23). Assim como o caráter é revelado pelos frutos (7.20), a fé é revelada através das tempestades. A pessoa sábia, que procura agir de acordo com a Palavra de Deus, edifica a sua vida de forma que esta possa suportar qualquer dificuldade ou problema. Será o alicerce, e não a casa, que determinará o que acontecerá no dia do juízo final. (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. p. 55).   

A Palavra de Deus é luz

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.” (Sl 119.105)

Sobre essa declaração, o Comentário de Aplicação Pessoal discorre que “temos as Escrituras como a nossa luz e o Espírito Santo para esclarecer e nos orientar, à medida que aprendemos mais sobre a verdade”. Implica dizer que aquele que não é guiado pelas Escrituras encontra-se desorientado, cedo ou tarde irá tropeçar, e consequentemente sucumbirá. Somente a luz das Escrituras dissipa a escuridão espiritual e nos conduz em segurança pelo caminho da vida eterna.

A respeito disso, Cristo declarou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas” (Jo 8.12). Essa afirmação do Senhor Jesus lembra a coluna de fogo que orientou os filhos de Israel durante a noite nas suas peregrinações no deserto (Êx 13.21). O Comentário Bíblico Beacon enfatiza que “da mesma maneira como Jeová era o seu guia e Iluminador naquela ocasião, assim também Jesus é o EU SOU, (gr. ego eimi) sempre presente, sempre iluminado, dispersando a escuridão”. E, nessa direção, também Paulo ensina que devemos andar como filhos da luz (Ef 5.8), isto é, afastados da prática do pecado (1 Jo 3.6). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.  

Alguém disse bem que a maior de todas as habilidades é a confiabilidade, fato que se aplica especialmente à vida cristã. Considerando que desejamos que Deus seja fiel a nós, é errado Deus esperar que sejamos fiéis a ele? A fidelidade é uma demonstração de fé, que vem de ouvir e receber a Palavra de Deus (Rm 10:17; 2 Ts 2:13). O salmista descreve diversas áreas nas quais a fidelidade manifesta-se na vida daquele que crê. Os pés (v. 105). Este versículo combina duas imagens bíblicas conhecidas: a vida é um caminho (vv. 32, 35, 101, 128; 16:11; 23:3; 25:4) e a Palavra de Deus é a luz que nos ajuda a seguir o caminho certo (v. 130; 18:28; 19:8; 36:9; 43:3; Pv 6:23; 2 Pe 1:19).

O mundo antigo não conhecia iluminação como a que temos hoje; as pessoas carregavam consigo pequenos potes de cerâmica contendo óleo, e a luz dessas lamparinas iluminava apenas o próximo passo do caminho. Não vemos o percurso todo de uma só vez, pois quando seguimos a Palavra, caminhamos pela fé. Cada ato de obediência mostra o passo seguinte, e, por fim, chegamos a nosso destino. Dizem que vivemos numa “era esclarecida”, mas, na verdade, vivemos em um mundo coberto de trevas (Jo 1:5; 3:19; 8:12; 12:46; Cl 1:13; 1 Pe 2:9), e somente a luz de Deus pode nos guiar pelo caminho certo. Se obedecermos à Palavra, continuaremos andando na luz (1 Jo 1:5-10). WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. p. 305-306.

A Palavra de Deus é imutável

Ele é plenamente confiável, sua Palavra é absolutamente constante. Deus não mente (Nm 23.19), e nem pode mentir (Hb 6.18). Portanto, os princípios bíblicos e as doutrinas revelados nas Escrituras têm aplicação hoje, assim como tiveram antigamente (Is 55.11). Em suma, os padrões da ética e da moral cristã não sofrem mudanças (1 Pe 1.20). Os valores cristãos são permanentes, pois a fonte de autoridade é permanente (Mt 5.18). Não cabe ao cristão contradizer e nem ajustar as Escrituras para atender aos interesses das ideologias pós-modernas. Assim sendo, o comportamento e o caráter do cristão se alicerçam nas doutrinas bíblicas (Ef 2.20). Os textos aqui citados, e tantos outros que por falta de espaço não foram mencionados, atestam que a Bíblia Sagrada é exatamente aquilo que ela afirma ser: a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.   

A vida do crente está alicerçada na imutável Palavra de Deus: a luz para o nosso caminho.

A BÍBLIA NOS TORNA PESSOAS SÁBIAS

O conceito de sabedoria

O substantivo hebraico para sabedoria é “hokmãh”. O Dicionário Vine anota que essa palavra aparece 141 vezes no Antigo Testamento, e, na maior parte das vezes, em Jó, Provérbios e Eclesiastes. O termo significa “o conhecimento e a habilidade de fazer escolhas certas no momento oportuno. A consistência de fazer a escolha certa é indicação de maturidade e desenvolvimento”. A palavra correspondente para sabedoria em grego é “sophia”, e está relacionada e se assemelha com a prática da prudência, isto é, “a capacidade de discernir modos de ação com vistas aos seus resultados”. Em síntese, ambos os termos têm o sentido de “habilidade”, “experiência” e “qualidade de quem é sábio”. O teólogo Russel Joyner assegura que a Bíblia coloca a sabedoria no âmbito da prática, por isso a verdadeira sabedoria “reúne o conhecimento da verdade com a experiência do cotidiano”.

Significa que o conhecimento absorvido pela mente deve ser aplicado em todas as situações da vida. A orientação de provérbios “adquire a sabedoria, adquire a inteligência” (Pv 4.5) sublinha que não é suficiente acumular informações e encher o intelecto de conhecimento. A sabedoria ultrapassa o conhecimento dos fatos, das leis e das ciências. Nesse aspecto, o conhecimento sem a prática adequada do aprendizado não produz sabedoria (Pv 3.7). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021. 

Deus é a fonte da sabedoria

A Maior Fonte de Toda Sabedoria “… ao Rei eterno, imortal, invisível, único Deus” (1Tm 1.17); “… o único Deus, nosso Salvador” (Jd. v25). O teísmo bíblico representa Deus como o dono de qualidades humanas mais nobres em grau infinito. Platão transformou a sabedoria em um de seus “universais”, a partir da qual fluem todas as manifestações inferiores da mesma qualidade, e isto está em consonância com o pensamento bíblico. A sabedoria é atribuída à Deidade (1Reis 3.28; Is 10.13; 31.2; Jr 10.12; 51.15; Dn 5.11). Deus tomou conhecida Sua sabedoria na natureza e na revelação. Ele a abre à intuição humana se um homem for piedoso e estiver em busca de um caminho mais alto (Rm 11.33; 1Co 1.24,26; Tg. 1.5; Ap 7.12; Atos 6.10; Ef 1.17; Cl 1.9; 3.16). Logicamente, a despeito das revelações, a sabedoria divina não pode ser alcançada pelo homem em nenhum sentido completo, mas é meramente um aspecto da salvação do homem (o ser finito, em constante movimento em direção a Deus, o Infinito). Esse é um processo eterno. (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. p. 7). 

O temor é o princípio da sabedoria

A Bíblia registra que “o temor do Senhor é o princípio do saber” (Pv 1.7, ARA). A expressão “temor do Senhor” aparece doze vezes no livro de Provérbios, e no modo imperativo “Temei ao Senhor” é encontrado outras quatro vezes (Pv 1.7,29; 2.5; 3.7; 8.13; 9.10; 10.27; 14.2,26,27; 15.16,33; 16.6; 22.4; 23.17; 24.21). A reiterada repetição dessa frase denota o princípio fundamental da religião revelada: “o temor a Deus”. O Dicionário Bíblico Wycliffe apresenta o seguinte conceito para a palavra “temor”: Um temor santo (heb. yir’a, gr. phobos) que significa ter grande temor ou respeito pela majestade e santidade de Deus, uma reverência piedosa (Gn 20.11; Sl 34.11; At 9.31; Rm 3.18). Davi fala desse temor como sendo limpo e puro (Sl 19.9); […] Este temor é dado por Deus e permite que o homem respeite a autoridade de Deus, obedeça aos seus mandamentos, se desvie do mal (1Sm 12.14,20-25; Sl 2.11; Pv 8.13; 16.6) e busque constantemente a santidade (2Co 7.1; Fp 2.12).

Os benefícios da sabedoria

Davi em sua juventude, ele dedicava-se ao negócio nos campos como pastor; a partir de sua juventude ele dedicou-se aos negócios da corte e do acampamento. Então, como ele conseguiu obter uma grande quantidade de aprendizado? Aqui, ele conta-nos como conseguiu isso, Deus foi o autor disso: tu […] me fazes mais sábio. Toda verdadeira sabedoria é de Deus. Ele adquiriu-a por meio da palavra de Deus, pelos teus mandamentos e teus testemunhos. Estes podem fazer-[nos] sábio[s] para a salvação e para que o homem de Deus seja […] perfeitamente instruído para toda boa obra. Estes, Davi pegou para ser sua companhia constante: “Estão sempre comigo, estão sempre na minha mente, sempre diante dos meus olhos”.

Ao estudar e praticar os mandamentos de Deus e torná-los sua regra, ele aprendeu a se conduzir com prudência em todos os seus caminhos (1Sm 18.14). Ele sobrepujou seus inimigos em inteligência; Deus, por esses meios, tornou-o mais sábio para desconcertar e derrotar os desígnios deles contra ele do que eles o eram para projetar suas tramoias. A sabedoria celestial apresenta o ponto, pelo menos, contra a política carnal. Ao guardar os mandamentos, garantimos que Deus está do nosso lado e o tornamos nosso amigo, e, sem dúvida, isso é mais sábios que os que o tornam inimigo deles. Ao guardar os mandamentos, garantimos a paz e a calma da mente que nossos inimigos roubariam de nós, e isso é sábio para nós, mais sábio do que eles o são para eles mesmos, para este mundo e para o outro.

Ele superou seus mestres e tinha mais entendimento que todos eles. Ele quer dizer que todos que foram seus mestres, que condenaram sua conduta e tomaram para si a tarefa de prescrever para ele (observando os mandamentos de Deus, ele administrava seus assuntos de tal maneira que parecia, no evento, que ele tinha adotado as medidas corretas, e eles, as erradas) ou que deveriam ter sido seus mestres, os sacerdotes e os levitas, que se assentavam na cadeira de Moisés e cujos lábios deviam ter guardado conhecimento, mas que negligenciaram o estudo da lei e se importavam com suas honras e ganhos e apenas com as formalidades de sua religião; assim, Davi que conversava muito com as Escrituras tomou- se mais inteligente que eles por esse meio. Ou talvez ele queira dizer aqueles que foram seus mestres quando era jovem; ele edificou tão bem sobre as fundações que eles estabeleceram que, com a ajuda de sua Bíblia, tornou-se capaz de ensinar a eles, de ensinar a todos eles. Agora, ele não era mais um bebê que precisava de leite, mas tinha os sentidos exercitados (Hb 5.14).

Isso não é uma acusação contra nossos mestres, mas, antes, uma honra para eles aperfeiçoar-nos tanto que os excedemos, e não precisamos deles. Pregamos para nós mesmo por meio da meditação e, assim, temos mais entendimento do que todos os [nossos] mestres, pois alcançamos o entendimento de nosso coração, o que eles não alcançam. Ele ultrapassou os velhos, quer os de seu tempo (ele era jovem, como Eliú, e eles eram muito velhos, mas o fato de observar os preceitos de Deus lhe ensinou mais sabedoria que todos os muitos anos deles, Jó 32.7,8) quer os de tempos anteriores; ele mesmo cita o provérbio dos antigos (1 Sm 24.13), mas a palavra de Deus deu-lhe melhor entendimento das coisas do que poderia ter alcançado por meio da tradição e de todo aprendizado transmitido pelas eras precedentes. Em suma, a palavra escrita é um guia mais seguro para o céu que todos os doutores e pais, os mestres e anciãos da igreja; e a observação dos escritos sagrados ensina-nos mais sabedoria que todos os escritos deles. (WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. p. 641-642)

Deus é a fonte da sabedoria e, por isso, o temor do Senhor é o princípio de toda a sabedoria. Logo, meditar e aplicar a Bíblia em nossa vida nos torna pessoas sábias.

A BÍBLIA E A PRUDÊNCIA PARA A VIDA   

O conceito de prudência

O Dicionário Bíblico Wycliffe informa que o termo hebraico “arum” é usado no sentido positivo para identificar uma pessoa sensata: “a sabedoria do prudente é entender o seu caminho” (Pv 14.8); “o prudente atenta para os seus passos” (Pv 14.15); “os prudentes se coroarão de conhecimento” (Pv 14.18); e “o que observa a repreensão prudentemente se haverá” (Pv 15.5). Porém, a expressão ainda pode ser empregada no mau sentido para identificar alguém sagaz ou astuto: “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo” (Gn 3.1); “Ele aniquila as imaginações dos astutos […] Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (Jó 5.12,13); “tu escolheste a língua dos astutos” (Jó 15.5); e “tomaram astuto conselho contra o teu povo” (Sl 83.3, ACF). Destaca igualmente que a expressão hebraica “bin” e o adjetivo grego “synetos” apontam para uma decisão inteligente: “o sábio de coração será chamado prudente” (Pv 16.21); “o procônsul Sérgio Paulo, que era um homem inteligente” (At 13.7, NAA). Desse modo, no aspecto positivo, os textos sinalizam uma conduta não precipitada.

O Dicionário Vine enfatiza que o substantivo grego “phronesis” e suas declinações implica “ter entendimento” e denota “sabedoria prática, prudência na administração dos negócios” (Lc 1.17; Ef 1.8). Já o substantivo “synesis” é traduzido por “inteligência” e sugere “rapidez de apreensão”, a “consideração penetrante que precede a ação” (1 Co 1.19). Essa concepção pode ser vista equitativamente nos tratados da filosofia aristotélica: O ato prudente considera as circunstâncias, prevê as possíveis consequências, analisa os antecedentes, compara a ação com obras semelhantes, pondera os prós e contras, reprime as paixões que escurecem a razão, delimita os interesses próprios da decisão correta. O exame e a reflexão poderão realizar-se com maior ou menor velocidade dependendo do indivíduo e da magnitude e qualidade da ação. Tomás de Aquino (1225-1274 d.C) define a prudência como razão reta do agir (latim: recta ratio agibilium).

Considera como uma virtude própria da razão prática. Em outras palavras, Aquino ensina que é próprio do homem prudente a capacidade de deliberar bem em vista de certo fim. Em vista disso, em termos gerais, a prudência é a virtude própria da boa escolha que evita ações temerárias. Refere-se à faculdade crítica de avaliar situações e encontrar a maneira adequada de abordagem na busca da melhor solução. Nesse aspecto, com cautela e bom senso, uma pessoa prudente é capaz de discernir e fazer a escolha correta. Contudo, convém esclarecer que biblicamente a prudência está unida estreitamente à sabedoria. E, como já visto, a sabedoria procede de Deus (Ef 1.8,9). Por isso, a prudência é sobretudo uma virtude de quem é sábio, e, portanto, habilitado a realizar as escolhas certas (Dt 30.19; Lc 10.42). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.   

A prudência dos justos

Esse termo é empregado pelo evangelista Lucas quando descreve o ministério de João Batista. A missão do precursor do Messias é converter o coração “dos pais aos filhos” e os rebeldes à “prudência dos justos” (Lc 1.17). Ao discorrer sobre essa última declaração, Matthew Henry observa que “a verdadeira religião é a sabedoria dos homens justos, diferentemente da sabedoria do mundo. Sermos religiosos é, ao mesmo tempo, a nossa sabedoria e o nosso dever; nisto existe tanto equidade quanto prudência”. Significa que o Evangelho tem como desígnio trazer as pessoas de volta para Deus. E, quando isso acontece, os ignorantes, desobedientes e rebeldes de outrora se tornam sábios, justos e prudentes.

Essa sabedoria prática que orienta e corrige o viver diário é o resultado da verdadeira conversão a Cristo. Aqueles que experimentam o novo nascimento desenvolvem o caráter e praticam a boa conduta dos justos. Nesse sentido, a mensagem da salvação em Cristo não apenas restaura o pecador, mas também o faz andar por veredas de retidão. Salomão assegura que “a vereda dos justos é como a luz da aurora” (Pv 4.18).

Hernandes Lopes considera que não se trata apenas de um caminho iluminado, “mas um caminho cuja luz vai crescendo como a luz do sol até ser dia perfeito […] sua história começa na conversão e avança no processo da santificação, mas seu alvo é a glorificação, o dia perfeito”. O apóstolo Paulo declara que a graça de Deus nos alcança o perdão, e ainda a sabedoria e a prudência (Ef 1.7,8). A sabedoria para compreender a verdade revelada, e a prudência para agir corretamente, segundo a vontade de Deus (Ef 1.9). Essas dádivas são aperfeiçoadas pela oração, leitura das Escrituras e comunhão com o Espírito Santo (1 Ts 5.17; 2 Tm 3.14,15; Ef 5.18). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

Deus não apenas recebe e perdoa àqueles que ele reconciliou consigo mesmo como filhos; ele também os ilumina com a compreensão do seu propósito. Sua graça é derramada sobre nós em toda a sabedoria e prudência (1.8). A palavra grega sophia, “sabedoria”, é o conhecimento que olha para o coração das coisas, que as conhece tal como realmente são, e phronesis, “prudência”, é a compreensão que leva a agir corretamente. Como William Barclay diz: “Cristo outorga aos homens a habilidade de ver as grandes venturas da eternidade e de resolver os problemas de cada instante”. Os homens têm essa sabedoria e prudência porque Deus revela o mistério da sua vontade. Esse mistério é a maneira pela qual Deus traz a uma unidade restaurada o Universo inteiro, que se tornara desordenado devido à rebelião e ao pecado do homem. (LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. P. 28).       

Os benefícios da prudência

O livro de Provérbios descreve os propósitos e os benefícios da prudência (Pv 1.1-6). Nessa direção, o preâmbulo articula os objetivos do texto (Pv 1.2-6) e o seu destinatário (Pv 1.4,5). Cada versículo começa com a expressão “para”, com exceção do versículo 5, em que o termo não aparece, mas está implícito. Essa série de frases é um sumário das finalidades dos provérbios de Salomão, a saber: “para se conhecer a sabedoria e a instrução” (Pv 1.2a); “para se entenderem as palavras da prudência” (Pv 1.2b); “para aceitar o comportamento prudente” (Pv 1.3a); “para fazer o que é reto, justo e íntegro” (Pv 1.3b); “para dar perspicácia e discrição” (Pv 1.4); “[para] o sábio aumentar o aprendizado” (Pv 1.5a); “[para] o criterioso adquirir orientação” (Pv 1.5b); e “para entender um provérbio e os ditos dos sábios” (Pv 1.6).

Para alcançar essas metas, o livro apresenta instruções éticas no intuito de moldar o caráter que resulta em benesses para os que escutam e praticam as sábias instruções. Dentre elas, destaca-se: o autocontrole para não revidar ofensas (Pv 12.16). Ao contrário, aquele que não tem a capacidade de controlar as emoções é insensato.

Bruce Waltke salienta que “os sábios consideravam essa disposição interna de exasperação uma emoção perigosa: ela mata o insensato (Jó 5.2) e deve ser contida; o sábio não a demonstra”. Outro proveito da prudência é a postura de humildade para não exibir conhecimento (Pv 12.23).

Hernandes Lopes avalia que o prudente “não enaltece a si mesmo como um fariseu soberbo nem se compara aos demais apenas para se sobressair. A humildade é o caminho da honra, enquanto a altivez é a autopista da vergonha”.

A prudência, inclusive, favorece na correta tomada de decisões (Pv 13.16). Bruce Waltke comenta que a pessoa prudente se protege por meio de “um conhecimento que inclui ver o perigo de antemão e se refugiar, e que fala com cautela e prudência”. A pessoa prudente, ainda, pensa antes de agir para não ser influenciada (Pv 14.15).

Derek Kidner sublinha que o tolo ou o ingênuo “aceita de segunda fonte aquilo que deveria ser averiguado por conta própria […] agindo de acordo com o estado dos sentimentos, e não com os méritos do caso”. O prudente, também, alcança boa reputação e alta posição (Pv 14.35). Hernandes Lopes anota que “se formos prudentes, ceifaremos favor; se formos indignos, colheremos fúria.

O empregado prudente que vive de forma irrepreensível, fala de forma irrefutável e realiza obras inegáveis goza do respeito e do favor de seus superiores”. O prudente, igualmente, sujeita-se ao aprendizado e a correção (Pv 15.5). Todo aquele que atende a repreensão e aceita humildemente a disciplina se comporta com prudência. O caminho da vida não é a rebeldia, mas a obediência. Além disso, a pessoa prudente desvia-se do perigo por meio de soluções cautelosas e antecipadas (Pv 22.3). Nos Evangelhos, Cristo enfatizou que a pessoa prudente tem a Palavra de Deus como alicerce e regra de vida (Mt 7.24).

Nesse ponto, Tasker sublinha que “o homem cuja fé em Cristo é real e sincera poderá sobre esta fé, e o fará, construir o edifício do caráter cristão, que resistirá às tempestades de incompreensão e desapontamento, de cinismo e dúvida, de sofrimento e perseguição, quando ameaçarem destruí-lo”. Ademais, o Senhor ensinou que o servo prudente procede com retidão e cumpre seus deveres com fidelidade (Mt 24.45).

Mantém-se ocupado, cumprindo fielmente as suas tarefas, e desse modo se conserva preparado para quando o seu Senhor chegar. Na parábola das dez virgens, Jesus ensina que a pessoa prudente cuida com esmero da sua vida espiritual e mantém acesa a chama do Espírito (Mt 25.4).

Myer Pearlman considera que “as virgens prudentes representam aqueles crentes que, reconhecendo possível demora do Noivo, não somente o aguardam pacientemente, como conservam-se diligentemente num estado espiritual apropriado a qualquer chamada repentina”. Em vista disso, a Bíblia nos exorta a viver prudentemente, e não como néscios (Ef 5.15). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.   

A prudência é a sabedoria na prática. Ela nos leva a agir corretamente e sem precipitações, segundo a vontade de Deus.

CONCLUSÃO

A Bíblia é um guia seguro para a nossa caminhada cristã. O texto sagrado aponta para Cristo: o único caminho que leva à vida (Mt 7.14). Nessa nobre tarefa, a imutável Palavra de Deus alumia o caminho que devemos trilhar. Assim, por meio da obediência às Escrituras, e o temor a Deus, recebem a sabedoria e prudência em nosso andar como filhos da luz,

“Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8).   

Até a próxima lição!

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