EBD – A Estrutura da Bíblia

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

INTRODUÇÃO

Nesse trimestre, estamos estudando na Revista Lições Bíblicas da CPAD o seguinte assunto: A Supremacia das Escrituras: a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada foi escrita majoritariamente em hebraico e grego, em um período aproximado de 1.600 anos, por cerca de 40 homens, e se estrutura em Antigo e Novo Testamentos. Seus livros são divinamente inspirados e formam o cânon bíblico. Conhecer a estrutura da Bíblia é importante para manejá-la bem. Memorizar as Escrituras e amá-las não são opções excludentes. Muito pelo contrário, os antigos decoravam as Escrituras porque a amavam. Inclusive, a etimologia da palavra “decorar” tem como fonte a palavra “coração”. Por isso, a importância de conhecer a estrutura do livro que amamos. Quem ama a Bíblia procura manejá-la muito bem.

No próximo domingo, na Escola Dominical estudaremos sobre o “A Estrutura da Bíblia”. Veremos como a Bíblia está organizada, sua classificação dos livros, a canonicidade e as particularidade do Antigo e Novo Testamento. Como objetivo de ajudar os nossos nobres professores nessa nobre tarefa de ensinar, estamos trazendo um pequeno resumo sobre o tema.

O texto áureo da lição que diz:

“E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos.” (Lc 24.44) 

Os israelitas referiam-se às Escrituras como sendo “a lei e os profetas” (Mt.7:12; Mt.22:40; Lc.16:16) ou “lei de Moisés, profetas e salmos” (Lc.24:44), expressão que até hoje é utilizada pelos filhos de Israel, que se referem aos escritos sagrados do que nós chamamos de Antigo Testamento como sendo a TANACH (Torá – lei; Neviim – profetas e Chetuvim – escritos).

Também eram conhecidos simplesmente como “Escrituras”, como vemos em Mt.21:42; 22:29, 26:54,56; Mc.12:24; 14:49; Lc.24:27,32,45; Jo.5:39; At.17:2,11; 18:24,28; 15:4; I Co.15:3,4, ou, “Santas Escrituras” (Rm.1:2) ou “Escrituras dos profetas” (Rm.16:26) ou “Escritura” (Mc.12:10; 15:28; Lc.4:21; Jo.2:22; 7:38,42; 10:35; 13:18; 17:12; 19:24,36,37; 20:9; At.1:16; 8:32; Rm.4:3; 9:17; 10:11; 11:2; Gl.3:22; 4:30; I Tm.5:18; II Tm.3:16; Tg.2:8,23; 4:5; I Pe.2:6; II Pe.1:20).

Definição do termo cânon

Procedente do vocábulo hebraico: “kannesh”, que significa: “vara de medir” (Ez 40.3), e do grego: “kanon”, que, basicamente, tem o mesmo significado do termo hebreu. A palavra “cânon” é usada em teologia com este significado: padrão, regra de procedimento, critério ou norma (Gl 6.16). A Bíblia, como o nosso cânon por excelência, arvora-se como a nossa única regra de fé e conduta, pois a temos como a infalível Palavra de Deus. Em termos técnicos, podemos definir assim o cânon das Sagradas Escrituras: coleção de livros reconhecidos pela igreja cristã como singularmente inspirados pelo Espírito Santo. Chamamos os livros da Bíblia de canônicos para diferençá-los dos apócrifos (não inspirados).

Significado prático do termo

Nos primórdios do cristianismo, a palavra cânon significava regra de fé, ou escritos normativos (isto é, as Escrituras autorizadas). Por volta da época de Atanásio (cerca de 350 d.C), o conceito de cânon bíblico ou de Escrituras normativas já estava em desenvolvimento. A palavra cânon aplicava-se à Bíblia tanto no sentido ativo como no passivo. No sentido ativo, a Bíblia é o cânon pelo qual tudo o mais deve ser julgado. No sentido passivo, cânon significava a regra ou padrão pelo qual um escrito deveria ser julgado inspirado ou dotado de autoridade.

COMO A BÍBLIA ESTÁ ORGANIZADA

Definição do termo Bíblia

A palavra “Bíblia” é de origem grega e seu significado é “os livros”, ou seja, é um nome plural, que já indica que as Escrituras se constituem de um conjunto de livros, uma verdadeira “biblioteca”. No Dicionário Bíblico Wycliffe vemos que vários outros termos descritivos são encontrados no Novo Testamento para referir-se aos escritos do Antigo Testamento, tais como “a Lei” (Mc 5.18; Lc 16.17; Jo 12.34); “Moisés e os Profetas” (Lc 16.29; 24.27); “a Lei e os Profetas” (Mt 22.40; Lc 16.16); “a Lei de Moisés, os Profetas e os Salmos” (Lc 24.44). Nesse aspecto, é importante ressaltar que a designação de uso mais frequente no texto bíblico é o termo “as Escrituras” (plural) ou “a Escritura” (singular), e refere-se tanto aos livros inspirados do Antigo como do Novo Testamento (2 Tm 3.16; 2 Pe 3.16). E, pelo fato de a Bíblia ser a única revelação escrita de Deus dada pelo Espírito Santo, ela ainda é identificada como a “Palavra de Deus” (Mc 7.13; At 12.24; Ef 6.17). (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021)  

Em seu livro, Joseph Angus Revised diz que “A palavra BÍBLIA, “livro”, afirma ao mesmo tempo a sua unidade e a sua proeminência. Empregamos o singular, livro, e não o plural livros, e sem nenhum adjetivo característico. A Bíblia é um livro, e em certo sentido é o “único” livro. A propriedade do termo “Bíblia” pode-se dizer que é indiscutível. A unidade ressaltada através das suas partes, unidade na diversidade, tem sido aceita pela consciência cristã e tem produzido maravilhosa influência. Ε, curioso que tenha sido devido em parte a um engano o uso de tal termo. “Bíblia” é o mesmo nome que se dá às Escrituras em latim, Bíblia. Ε também uma palavra que está no singular, mas então é a forma latina da palavra grega Βιαλία, que já não é o singular, mas o plural de αιαλίον, livro, um diminutivo de αίαλος, nome dado à entrecasca do papiro.

Pelo uso que se fez do papiro é que αίαλος veio a significar livro, e αιαλίον um livro pequeno. (Também em latim “liber” significa primeiramente casca, e depois livro; o diminutivo “libellus” é um livro pequeno). No Novo Testamento, os termos αιαλίος e αίαλον aplicam-se ou a um só livro do Antigo Testamento, ou a um grupo deles, tal como o Pentateuco. Ε nos livros apócrifos aparece a expressão os santos livros, referida ao Antigo Testamento. O plural assim empregado passou para a Igreja Cristã: desde o final do século segundo são as Escrituras conhecidas pelas designações “os livros”, “os livros divinos”, “os livros canônicos”.

Os Pais da Igreja latina também lhe chamaram “Biblioteca divina”. Mas uma vez que o nome grego αιαλία do plural foi adotado em latim, esqueceu.se o valor da primitiva significação. Bíblia na sua forma gramatical tanto pode ser um plural neutro, como o singular feminino. O fato de serem as Escrituras um todo harmônico fez que do plural bíblia, significando livros, derivasse o singular bíblia, significando “o livro”. No estudo da Bíblia havemos ainda de recorrer à primitiva e própria significação, considerando as diversas partes de preferência ao todo. Mas não deixa l de ser maravilhoso que das diversas palavras de Deus, reveladas ao homem, proviesse concepção de uma só, a Palavra de Deus! A Bíblia é ao mesmo tempo uma biblioteca e um livro”. (Revised. Joseph Angus., História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008).

O Cânon da Bíblia.   

O pastor Antônio Gilberto anota que o Cânon ou Escrituras canônicas é a coleção completa dos livros divinamente inspirados, que constituem a Bíblia. Cânon é palavra grega, e significa, literalmente, “vara reta de medir”, assim como uma régua de carpinteiro. No Antigo Testamento, o termo aparece no original em passagens como Ezequiel 40.5: “Vi um muro exterior que rodeava toda a casa e, na mão do homem, uma cana de medir, de seis côvados, cada um dos quais tinha um côvado e um palmo; ele mediu a largura do edifício, uma cana, e a altura, uma cana.” No sentido religioso, cânon não significa aquilo que mede, mas aquilo que serve de norma, regra.

Com este sentido, a palavra cânon aparece no original em vários lugares do Novo Testamento: “E a todos quantos andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus” (Gl 6.16). “Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação que Deus nos demarcou e que se estende até vós” (2 Co 10.13). “Não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios, e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação” (2 Co 10.15). “Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos” (Fp 3.16). A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou regra de fé e prática. Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferençá-los dos apócrifos. O emprego do termo cânon foi primeiramente aplicado aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C.) (Silva, Antônio Gilberto da, A Bíblia através dos séculos. Editora: CPAD. 15 Edição 2004)   

Os Dois Testamentos Bíblicos.

Recorrendo Philip Wesley Comfort, ele escreveu em seu livro que “A palavra “testamento”, nas designações “Antigo Testamento” e “Novo Testamento”, para as duas divisões da Bíblia, remonta através do latim testamentum ao termo grego diathéke, o qual na maioria de suas ocorrências na Bíblia grega significa “concerto” em vez de “testamento”. Em Jeremias 31.31, foi profetizado um novo concerto que iria substituir aquele que Deus fez com Israel no deserto (cf. Ex 24.7,8). “Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro” (Hb 8.13). Os escritores do Novo Testamento veem o cumprimento da profecia do novo concerto na nova ordem inaugurada pela obra de Cristo. Suas próprias palavras ao instituir esse concerto (1 Co 11.25) dão autoridade a esta interpretação. Portanto, os livros do Antigo Testamento são assim chamados por causa de sua estreita associação com a história do “antigo concerto”.

E os livros do Novo Testamento são desse modo designados porque se tratam dos documentos do estabelecimento do “novo concerto”. Uma semelhança ao nosso uso comum do termo “Antigo Testamento” encontra-se em 2 Coríntios 3.14: “Na lição do Velho Testamento”, embora Paulo provavelmente queira aludir à lei, a base do antigo concerto, em vez de todo o volume da Escritura hebraica. Os termos “Antigo Testamento” e “Novo Testamento”, nomeados para as duas coleções de livros, entraram no uso geral entre os cristãos na última parte do século II. Tertuliano traduziu diathéke para o latim por instrumentum (um documento legal) e também por testamentum. Infelizmente, foi a última palavra que vingou, considerando-se que as duas partes da Bíblia não são “testamentos” no sentido ordinário do termo”. (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. pag.15-16).

Afirmamos que a Bíblia se divide em dois testamentos divinamente inspirados: o Antigo e o Novo Testamentos.         

O ANTIGO TESTAMENTO 

Os Livros do Antigo Testamento.

Na Bíblia hebraica, os livros estão dispostos em três divisões: a Lei, os Profetas e os Escritos.

  • A Lei abrange o Pentateuco, os cinco “livros de Moisés”.
  • Os Profetas desdobram-se em duas subdivisões: os “Primeiros Profetas”, compreendendo Josué, Juízes, Samuel e Reis; e os “Últimos Profetas”, abarcando Isaías, Jeremias, Ezequiel e “O Livro dos Doze Profetas”.
  • Os Escritos contêm o restante dos livros: primeiro, Salmos, Provérbios e Jó; depois, os cinco “Rolos”, a saber, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações de Jeremias, Eclesiastes e Ester; e, finalmente, Daniel, Esdras-Neemias e Crônicas.

O total é tradicionalmente computado em 24, mas esses 24 correspondem exatamente ao nosso cômputo comum de 39, visto que no último cálculo os Profetas Menores são contados como 12 livros, e Samuel, Reis, Crônicas e Esdras-Neemias, como dois livros cada. Na Antiguidade, havia outras maneiras de contar os mesmos 24 livros.

Em uma dessas maneiras (atestada por Josefo), o total descia para 22; em outra (conhecida por Jerônimo), subia para 27. A origem da organização dos livros na Bíblia hebraica não pode ser rastreada. Acredita-se que a divisão em três partes corresponda às três etapas nas quais os livros receberam reconhecimento canônico, mas não há evidências diretas sobre isso. Na Septuaginta, os livros estão arranjados de acordo com a similaridade de assuntos.

O Pentateuco é seguido pelos livros históricos, que são sucedidos pelos livros poéticos e sapienciais, vindo por último os livros proféticos. E essa ordem que, em suas características essenciais, foi perpetuada (via Vulgata) na maioria das edições cristãs da Bíblia. Em certos aspectos, essa sequência é mais condizente com a ordem cronológica dos conteúdos da narrativa do que com a da Bíblia hebraica. Rute, por exemplo, aparece imediatamente depois de Juízes (visto que relata fatos ocorridos “nos dias em que os juízes julgavam”), e o trabalho do cronista aparece na sequência Crônicas-Esdras-Neemias.

A divisão em três partes da Bíblia hebraica está refletida na redação de Lucas 24.44 (“na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos”). Mais comumente, o Novo Testamento refere-se à “Lei e os Profetas” (vide Mt 7.12) ou a “Moisés e os Profetas” (vide Lc 16.29). (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD, pag. 16-18). 

Canonicidade do Antigo Testamento. 

Recorrendo outra vez a Philip Wesley, ele fala sobre canonicidade do Antigo Testamento: “com relação ao seu lugar na Bíblia cristã, o Antigo Testamento, em essência, é introdutório: o que Deus antigamente falou aos pais pelos profetas esperou por seu cumprimento naquilo que nos foi falado pelo Filho (Hb 2.1,2). Não obstante, nos primeiríssimos dias do Cristianismo, o Antigo Testamento era a Bíblia que os apóstolos e outros pregadores do Evangelho levavam consigo quando saíam para proclamar Jesus como o Messias, o Senhor e Salvador divinamente enviado: encontraram em suas páginas testemunho claro sobre Jesus (Jo 5.39) e uma descrição natural do modo de salvação mediante a fé nEle (Rm 3.21; 2 Tm 3.15).

Para usar o Antigo Testamento, tinham a autoridade e o exemplo do próprio Jesus. E, desde então, a Igreja sempre tem obtido sucesso, quando segue o precedente estabelecido por Ele e seus apóstolos e reconhece o Antigo Testamento como Escritura cristã. “O que era indispensável para o Redentor, sempre deve ser indispensável para os redimidos”. (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. p. 19-20).

Particularidades do Antigo Testamento. 

O uso do Antigo Testamento é altamente importante; e basta uma simples exposição desse uso para nos mostrar a conexão entre o ele e o Novo Testamento. Ainda que a maior parte do Antigo Testamento fosse dirigida a uma nação, contudo ele prescreve muita coisa para o homem como homem, contendo princípios de moralidade que são universais e eternos. Os preceitos dados a Adão e o Decálogo, e ainda as lições de todo o Livro, ilustram e reforçam a verdade moral.

Uma parte considerável da história do Antigo Testamento é a história do governo de Deus Nesse governo revela Deus o seu próprio caráter e o nosso. Ε por isso, toda e qualquer utilidade que se possa tirar de uma narração desse gênero deriva dessa parte do volume sagrado.

Além disso, a impossibilidade de poder alguém salvar-se pela lei é claramente patenteada nessa primeira dispensação. A fé patriarcal com as suas comunicações imediatas ou tradicionais, terminou numa corrupção tal que nem mesmo pelo dilúvio pôde ser detida. As mais solenes instituições legais com seus ritos e sanções ao mesmo tempo instrutivos e solenes, não foram bastante poderosas para livrar o povo da idolatria, embora o grande Legislador tantas vezes interviesse com as suas divinas determinações; e quando, depois da volta do cativeiro, cessou a idolatria, apareceu então o formalismo e a infidelidade, predominando depois nos costumes judaicos.

Nesse meio tempo o poder da religião natural se experimentou entre os pagãos. Ε o resultado de tudo isso, o resultado da experiência feita sob todas as formas de governo nos diferentes graus de civilização e na posse das luzes próprias e dos conhecimentos tradicionais, é a demonstração clara de que em nosso estado de queda qualquer reforma pela lei é sem esperança, e que deveria perecer a nossa raça se outro plano de salvação não fosse introduzido.

O Antigo Testamento, foi, portanto, dado, em certo sentido, para nos mostrar o nosso estado pecaminoso, e para nos encerrar naquela fé que mais tarde se havia de manifestar (Gl 3.23).

Ε para esta nova fé, é a lei antiga uma introdução. Ensinava ela aos que eram humildes e espirituais, na primeira dispensação alguma coisa do plano da salvação, que na segunda devia ser revelado.

Ε por isso aparecem na lei os tipos, as profecias, os sacrifícios, com segurança do perdão ao penitente e a revelação de um Deus infinitamente misericordioso; embora a causa real do perdão, isto é, a determinação divina na manifestação da justiça com misericórdia, não fosse inteiramente compreendida até que a obra reparadora de Cristo teve a sua realização. A primeira dispensação teve, sem dúvida, outros fins em vista. Foi preservado o conhecimento do verdadeiro Deus, que poderia ter desaparecido; e também o efeito da verdadeira religião, mesmo nas suas formas menos perfeitas, foi esclarecido com belos exemplos. A relação que existe entre o Novo Testamento e os mencionados fins da lei antiga é óbvia.

O segundo, ou o novo pacto, é um duplo complemento do primeiro. Tendo sido o primeiro um pacto de tipos e predições, o segundo lhes dá cumprimento, pondo o fato no lugar da profecia, e a substância no lugar da sombra. E, como na primeira aliança era imperfeita a revelação acerca de Deus e do dever, a segunda completou o sistema de verdades e de preceitos, que apenas estavam parcialmente revelados, desenvolvendo-o e explicando-o com mais espiritualidade nas suas aplicações, tornando-o universal, e procurando a sua segurança de um modo mais elevado pela influência do Espírito Santo. Num duplo sentido, pois, o evangelho é o complemento κλήρωσις da Lei. (Revised. Joseph Angus, História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008). 

Os livros inspirados que integram o cânon do Antigo Testamento é classificado na nossa Bíblia como “Lei, Históricos, Poéticos e Proféticos”. 

O NOVO TESTAMENTO

Os livros do Novo Testamento

Esses livros foram reconhecidos pela Igreja após a morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo e estão classificados em quatro grupos principais:

a) Evangelhos, que são os quatro livros de Mateus, Marcos, Lucas e João;

b) Histórico, formado pelo livro de Atos dos Apóstolos;

c) Epístolas, que se subdividem em Epístolas Paulinas, com 13 cartas de Romanos a Filemom; as Epístolas Gerais, com 8 cartas de Hebreus a Judas; e

d) Revelação, constituído pelo livro de Apocalipse.

O conjunto totaliza 27 livros inspirados e autorizados que são chamados de canônicos (1 Co 2.4,13). Observe essa categorização na tabela abaixo. Nos primórdios do cristianismo, ainda no século I d.C., surgiram muitos falsos ensinos e falsos profetas conforme Cristo já tinha alertado a Igreja (Mt 7.15; Mc 13.22).

Durante os séculos II e III, diversos livros heréticos foram escritos e receberam o nome de livros espúrios (pseudepígrafos e apócrifos). O conteúdo desses livros se resume em falsos ensinos permeados de erros gnósticos, docéticos e ascéticos acompanhados de desmedida fantasia religiosa.19 Faz-se ainda menção de livros que desfrutavam de algum prestígio histórico e devocional, tais como “o Pastor de Hermas” (c. 15-140 d.C) e “o didaquê” (c. 100-120 d.C).

Contudo, os livros espúrios e não canônicos jamais foram reconhecidos como inspirados. Somente os 27 livros acima listados é que são aceitos como autênticos e fidedignos de integrar o cânon do Novo Testamento. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).   

Canonicidade do Novo Testamento

Russell Norman Champlin nos informa que o Antigo Testamento forneceu o impulso criador de um Novo Testamento. A Vida e as Palavras de Jesus Cristo e, em consequência, a necessidade de criar uma autoridade além da autoridade do A.T. A Nova Religião Cristã, que criou a necessidade de mais Escrituras além das Escrituras judaicas, para formar a base da nova revelação.

Os Apóstolos, primeiros grandes líderes da Nova Religião revelada, os quais, com seus livros e epístolas, forneceram a base das novas Escrituras. E, os Pais Apostólicos, que criaram os cânones primitivos e uma nova autoridade na igreja cristã primitiva. Os Concílios da igreja primitiva e medieval.

Resumo da História do Canon

Durante o tempo dos apóstolos, algumas das epístolas de Paulo e um ou mais evangelhos já eram aceitos como Escritura. Já no começo do século II D.C., de modo geral, ainda não universal, treze epístolas de Paulo eram recebidas como Escrituras, como também os quatro evangelhos, as epistolas de I Joio e I Pedro, e também o livro de Apocalipse totalizando vinte livros ou mais. lrineu aceitava vinte e dois livros (185 d. C). Alguns livros não aceitos hoje em dia foram aceitos por certos elementos dos primeiros séculos, especialmente a epistola de Barnabé, as epístolas de Clemente e o Pastor de Hermas.

Durante o século III D.C. eram aceitos quase universalmente todos os vinte e sete livros do N.T., com a exceção da epístola de Tiago. Contudo, alguns aceitavam essa epístola também. Origenes foi o primeiro dos pais da igreja a aceitar a epistola de Tiago (254 D.C.), mas também aceitava a epístola de Barnabé e o Pastor de Hermas, pelo que o seu N.T. constava de vinte e nove livros.

No século IV D.C. chegou-se à fixação quase universal do cânon do N. T., tal como existe hoje em dia. Os concílios, tanto os antigos como os da Idade Média, em geral aprovaram o cânon de vinte e sete livros, tal como os conhecemos na atualidade.

Indivíduos da antiguidade, da Idade Média e dos tempos modernos retiveram e retém diversas opiniões especialmente com relação aos livras discutidos: II Pedro, II e III João, Hebreus, Judas e Apocalipse – ao todo, sete livros. (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 636).  

Particularidades do Novo Testamento.

Como particularidade, destaca-se que sete livros do Novo Testamento foram classificados como “antilegomena”. Essa designação significa que, em algum momento e por alguma razão, a autenticidade desses livros foi questionada por alguns dos Pais da Igreja e, por causa disso, por volta do século IV, esses livros ainda estavam desprovidos do reconhecimento universal. De acordo com o historiador Eusébio de Cesareia, tais livros são os seguintes:

Não se deve esconder, porém, que alguns põem de lado a Epístola aos Hebreus, dizendo ser contestada, alegando não ser uma das epístolas de Paulo […] Entre os livros questionados, ainda que sejam bem conhecidos e aprovados por muitos, são reputados aquele chamado Epístola de Tiago e de Judas. Também a Segunda Epístola de Pedro e os chamados a Segunda e a Terceira de João […] além disso, como já afirmei, caso pareça correto, o Apocalipse de João, que alguns como já se disse, rejeitam, mas outros colocam entre os genuínos. Norman Geisler pondera que isso não significa que não haviam tido aceitação inicial por parte das comunidades cristãs primitivas.

O próprio Eusébio assegura que não eram espúrios, mas que, embora reconhecidos por muitos, estavam sendo contestados por outros. Geisler anota que “o problema básico a respeito da aceitação da maioria desses livros não era sua inspiração, ou falta de inspiração, mas a falta de comunicação entre o Oriente e o Ocidente a respeito de sua autoridade divina”. Desse modo, assim que tais dúvidas foram dirimidas, a partir do século V, esses livros deixaram de ser questionados.

Uma especificidade do Novo Testamento repousa no fato de que todos os seus livros foram escritos em grego koiné, um dialeto comum e presente por toda a cultura de fala grega e que muito auxiliou na propagação do Evangelho nos primórdios do cristianismo (At 19.10). Algumas expressões, mesmo redigidas no vernáculo grego, possuem significado em aramaico. Dentre elas, citamos: Talitá cumi — “Menina, levanta-te” (Mc 5.41); Aba Pai — “Lit.: Pai, pai; ‘Meu Pai’” (Mc 14.36); Eloí, Eloí, lemá sabactâni? — “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15.34).

O conjunto dos livros canônicos do Novo Testamento foi escrito antes do término do século I. O último livro é o Apocalipse de João, datado por volta do ano 96 d.C.; e ratificamos que, desde o encerramento do cânon, os cristãos reconhecem apenas os livros como inspirados. Como já visto, em 1.227 d.C., o texto foi separado em capítulos. Em torno de 1.555 d.C., o Novo Testamento também foi dividido em versículos.

A divisão em capítulos e versículos facilitou a leitura e a memorização, além de possibilitar o estudo sistemático da inspirada Palavra de Deus. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).   

Os livros inspirados que integram o cânon do Novo Testamento na nossa Bíblia são classificados como “Evangelhos, Histórico, Epístolas e Revelação”.   

Conclusão

A Bíblia contém tudo aquilo que Deus quis revelar à humanidade. Seu principal objetivo é demonstrar a Salvação através da fé em Cristo. Por isso, não devemos modificar, acrescentar ou excluir nenhuma de Suas Palavras, nem incluir nenhum outro livro que não foi Inspirado por Deus.

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