EBD – A Inerrância da Bíblia

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados Professores e alunos,

Paz do Senhor!

“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.18)

Introdução

Infalibilidade e Inerrância são vocábulos que apontam a veracidade das Escrituras. Indicam que a Bíblia Sagrada não falha e não erra. Significa afirmar que ela é a verdade em tudo o que diz, tanto em questões espirituais quanto históricas e científicas (Mt 5.17,18; Jo 10.35). Nesta lição, veremos a Inerrância, a preservação e a verdade da Palavra de Deus.   

O QUE É INERRÂCIA DA BÍBLIA

O conceito de Inerrância bíblica.

Compreender a inerrância dos textos bíblicos é doutrina essencial para assegurar a supremacia da Palavra de Deus. John Higgins alerta que “abrir mão da doutrina da inerrância é o primeiro passo para se abrir mão da autoridade da Bíblia […] se for admitida a existência de algum erro nas Sagradas Escrituras, alijaremos a veracidade divina, fazendo a certeza desaparecer”. Apesar dessa advertência, constata-se uma tendência em certos círculos cristãos de abandono da doutrina da inerrância da Bíblia. O perigo repousa, sobretudo, na adoção de princípios hermenêuticos que valorizam o ceticismo racionalista como o emprego da “alta crítica negativa” e o “método histórico-crítico” na interpretação das Escrituras Sagradas. Em virtude dessas discrepâncias e outros equívocos, surgiram no cristianismo conceitos e níveis distintos de inerrância. Contudo, nesta obra reafirmamos a posição ortodoxa pentecostal de “ser a Bíblia inteiramente a verdade; nenhuma falsidade ou mentira lhe pode ser atribuída”.

No clássico livro A Origem da Bíblia, o conceito de inerrância é apresentado com “a conotação de que a Bíblia não contém nenhum erro de ação (erros materiais), nem contradições internas (erros formais). Em síntese, a inerrância é a doutrina segundo a qual a Bíblia não contém erro algum. Significa que ela é verdadeira em tudo o que afirma. Desse modo, a Escritura é isenta de erros nos aspectos doutrinários, espirituais, éticos, morais, históricos, culturais, científicos e em todos os demais temas. O argumento é irrefutável: Deus não pode errar, e, como a Bíblia é divinamente inspirada, ela não pode conter erros. Assim sendo, a inerrância, a infalibilidade e a inspiração estão entrelaçadas. Nesse sentido, nossa Declaração de Fé professa que “a Bíblia é a nossa única fonte de autoridade, a inerrante, infalível, completa e inspirada Palavra de Deus” (Sl 19.7; Jo 10.35).

(Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).

Russel Normal vai dizer que essa palavra vem do latim, in, «não”, e fallibilis, «falso». A forma verbal é fallere, «enganar”. Tudo quanto é infalível, fica entendido, é isento de erro, falácio e incerteza. «Em termos latos, é ser isento de qualquer erro; indica a doutrina que diz que um indivíduo, instituição, sistema doutrinário ou obra literária é inerrante. (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 3. p. 317)   

A Bíblia reivindica a sua inerrância.

O pastor Antônio Gilberto nos informas sobre que: “Inúmeras pessoas sabem quem é Jesus; creem que Ele fez milagres; creem em sua ressurreição e ascensão, mas… não creem na Bíblia! Essas pessoas precisam conhecer a atitude e a posição de Jesus quanto à Bíblia. Ele leu-a (Lc 4.16-20); ensinou-a (Lc 24.27); chamou-a “A Palavra de Deus” (Mc 7.13); e cumpriu-a (Lc 24.44). A última referência citada (Lc 24.44) é muito maravilhosa, porque aí Jesus põem sua aprovação em todas as Escrituras do Antigo Testamento, pois Lei, Salmos e Profetas eram as três divisões da Bíblia nos dias do Novo Testamento. Jesus também afirmou que as Escrituras são a verdade (Jo 17.17). Viveu e procedeu de conformidade com elas (Lc 18.31). Declarou que o escritor Davi falou pelo Espírito Santo (Mc 12.35,36).

No deserto, ao derrotar o grande inimigo, fê-lo com a Palavra de Deus (Dt 6.13,16; 8.3). Nota – O título “Sagradas Escrituras” ou “Escrituras” pode vir no plural ou singular, porém sempre com letra maiúscula. Exemplos no plural: Mateus 21.42; Lucas 24.32; João 5.39. No singular: João 7.38,42; 19.36,37; 20.9; Atos 8.32. No singular e com minúscula refere-se a uma passagem particular: Marcos 12.10; Lucas 4.21; Atos 1.16 (todas no ARC: a ARA põe tudo em maiúsculas). “Sagradas Escrituras”, ou “A Sagrada Escritura”, é o nome sagrado da revelação divina, assim como “Testamento” é o seu nome de compromisso, e “Bíblia”, seu nome como livro.

O leitor poderá dizer: – “Tratamos do Antigo Testamento, e, do Novo?” – Bem, quanto ao Novo Testamento, em João 14.26, o Senhor Jesus, antecipadamente, pôs o selo de sua aprovação divina ao declarar: “O Espírito Santo… vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. Assim sendo, o que os apóstolos ensinaram e escreveram não foi a recordação deles mesmos, mas, a do Espírito Santo. No mesmo Evangelho, capítulo 16.13,14, o Senhor disse ainda que o Espírito Santo os guiaria em “toda a verdade”; portanto, no NT temos a essência da revelação divina. No versículo 12 do citado capítulo, Jesus mostrou que seu ensino aqui foi parcial, devido à fraqueza dos discípulos, mas ao mesmo tempo declarou que o ensino deles, sob a ação do Espírito Santo, seria completo e abrangeria toda a esfera da verdade divina. Diante de tudo que acabamos de dizer, quem aceita a autoridade de Cristo, aceita também as Escrituras como de origem divina, tendo em vista o testemunho que delas dá o Senhor Jesus. – Quem pode apresentar argumentos?” (Silva, Antônio Gilberto da, A Bíblia através dos séculos. Editora: CPAD. 15 Edição 2004)

O Matthew Henry  no seu comentário nos diz o seguinte: “Aqui está o pedido (v. 17): “Santifica-os na verdade”, por meio da tua verdade, por meio da tua palavra, pois “a tua palavra é a verdade”. É a verdade – é a verdade propriamente dita. Ele deseja que eles possam ser santificados:

Como cristãos. Pai, santifica-os, e isto será sua preservação, 1 Tessalonicenses 5.23. Observe aqui:

(1) A graça desejada – a santificação. Os discípulos eram santificados, pois não eram deste mundo. Ainda assim, Ele pede: Pai, santifica-os, isto é:

[1] “Confirma a obra da santificação neles, fortalece sua fé, inflama seus bons sentimentos, fixa suas boas resoluções”.

[2] “Prossegue este bom trabalho neles e continua-o. Que a luz brilhe cada vez mais”.

[3] “Completa-os, coroa-os com a perfeição da santidade. Santifica-os completamente e até o fim”. Observe que, em primeiro lugar, a oração de Cristo, por todos os que são seus, é que eles possam ser santificados. Porque Ele não pode, infelizmente, reconhecê-los como seus, seja aqui ou no futuro, nem empregá-los na sua obra, nem apresentá-los ao seu Pai, se não estiverem santificados.

Em segundo lugar, aqueles que, pela graça, são santificados, precisam ser repetidamente santificados. Até mesmo os discípulos devem orar pela graça que santifica, pois, se o autor da boa obra não a concluir, nós estaremos perdidos. Não ir adiante é o mesmo que retroceder. Aquele que é santo deve se manter santo, santificando-se mais ainda, prosseguindo adiante, alçando voo para cima, como se não tivesse alcançado um nível satisfatório de santificação.

Em terceiro lugar, é Deus quem santifica, assim como é Deus quem justifica, 2 Coríntios 5.5.

Em quarto lugar, é um encorajamento para nós, nas nossas orações pela graça que santifica, que é Cristo quem intercede por nós.

(2) Os meios de concessão desta graça – por meio da verdade, “a tua palavra é a verdade”. Não que o Santo de Israel esteja limitado em termos de meios, mas, no conselho de paz, entre outras coisas, foi determinado e concordado:

[1] Que toda a verdade necessária seria englobada e resumida na Palavra de Deus. A revelação divina, como agora está apresentada na palavra escrita, e não somente a verdade pura, sem misturas, mas a verdade inteira, sem insuficiências.

[2] Que esta palavra da verdade deve ser o meio exterior e normal da nossa santificação. Não de si mesma, pois então ela sempre santificaria, mas como o instrumento que o Espírito usa comumente para iniciar e prosseguir com este bom trabalho. E a semente do novo nascimento (1 Pe 1.23), e o alimento da nova vida, 1 Pedro 2.1,2”. (HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. p. 1023).

A infalibilidade e a inerrância da Bíblia.  

No livro do C. Sproul. Posso Crer na Bíblia diz o seguinte sobre a infalibilidade e a inerrância da Bíblia: “Afirmamos que a Escritura, tendo sido dada por inspiração divina, é infalível, de modo que, em vez de nos enganar, ela é verdadeira e confiável em todos os assuntos aos quais se refere. Negamos a possibilidade de que a Bíblia seja, ao mesmo tempo, infalível e errante em suas afirmações. A infalibilidade e a inerrância podem ser distinguidas, mas não separadas. A afirmação central do Artigo XI é a infalibilidade da Escritura.

Infalibilidade é definida, neste contexto, em termos positivos que significam a veracidade e a confiabilidade de todos os assuntos que a Escritura aborda. Negativamente, infalibilidade é definida como a qualidade daquilo que não falha. A negação do Artigo XI toca em um importante ponto de controvérsia, em especial na era moderna. Há aqueles que afirmam que Bíblia é infalível, mas não inerrante. Assim, a infalibilidade é separada da inerrância.

A negação argumenta que não é possível sustentar com coerência que algo é, ao mesmo tempo, infalível e errante em suas afirmações. Sustentar tal disjunção entre infalibilidade e inerrância envolveria uma contradição notória. Embora as palavras infalível e inerrante tenham sido usadas frequentemente quase como sinônimos, há uma distinção histórica e técnica entre as duas. A distinção é entre o potencial e o factual, o hipotético e o real. A infalibilidade tem a ver com a questão de habilidade ou potencial; aquilo que é infalível deve ser incapaz de cometer erros ou enganos.

Por contraste, aquilo que é inerrante é aquilo que, de fato, não erra. Teoricamente, algo pode ser falível e, ao mesmo tempo, inerrante. Ou seja, é possível alguém que erra não errar. No entanto, o contrário não é verdade. Se alguém é infalível, isso significa que ele não pode errar, e, se não pode errar, ele não erra. Se ele realmente erra, isso prova que ele é capaz de errar e, por isso, não é infalível. Assim, afirmar que algo é infalível e, ao mesmo tempo, errante é distorcer o significado de infalível e/ou de errante ou estar em uma situação de confusão. Neste sentido, infalibilidade e inerrância não podem ser separadas, embora possam ser distinguidas em termos de significado.

Em situações em que a palavra infalível tem sido substituída por inerrante, tem havido comumente uma intenção de afirmar sobre a Escritura um ponto de vista menos significativo do que o indicado pela palavra inerrante. De fato, o vocábulo infalível em seu significado original e técnico é um termo mais elevado do que inerrante. Outra vez, é importante reconhecer que algo falível poderia ser teoricamente inerrante. Mas aquilo que é infalível não pode ser teoricamente errante, ao mesmo tempo”.  (C. Sproul. Posso Crer na Bíblia. Editora FIEL. 1 Ed. 2012)

Temos que afirmar que a Bíblia é totalmente inspirada por Deus e está isenta de qualquer erro e, por isso, é a nossa autoridade final de fé e prática.

O ESPÍRITO SANTO PRESERVOU AS ESCRITURAS

Os manuscritos autógrafos.

Recorremos outra vez ao C. Sproul “Afirmamos que a inspiração, falando estritamente, se aplica somente ao texto original da Escritura, que, na providência de Deus, pode ser determinado, com grande precisão, dos manuscritos disponíveis. Afirmamos também que as cópias e as traduções da Escritura são a Palavra de Deus até ao ponto em que representam fielmente o original. Negamos que qualquer elemento essencial da fé cristã seja afetado pela ausência dos autógrafos. Além disso, negamos que está ausência torne a afirmação da inerrância bíblica inálida ou irrelevante. O Artigo X lida diretamente com a questão permanente do relacionamento entre o texto da Escritura que possuímos agora e os documentos originais, que não foram preservados, exceto por meio de cópias.

Em primeira instância, a inspiração se aplica estritamente aos autógrafos originais da Escritura, as obras originais dos autores inspirados. Isto indica que o controle infalível de Deus na produção das Escrituras originais não foi perpetuado através das eras no processo de copiar e traduzir. É evidente que há algumas pequenas variações entre as cópias manuscritas que possuímos e que o processo de tradução tem de inserir variações para aqueles que leem as Escrituras em uma língua diferente do hebraico e do grego. Portanto, os elaboradores da Declaração de Chicago não estão defendendo uma transmissão do texto inspirada perpetuamente.

Visto que não temos os manuscritos originais, alguns têm argumentado que um apelo aos originais perdidos torna irrelevante todo o caso da inspiração. Raciocinar desta maneira é mostrar desprezo pelo trabalho bastante sério que tem sido feito no campo da crítica textual. A crítica textual é a ciência que procura reconstruir um texto original por meio de uma análise cuidadosa e um exame dos manuscritos que possuímos agora. Esta tarefa tem sido realizada com respeito a todos os documentos da antiguidade que chegaram até nós por meio de cópias manuscritas. As Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são provavelmente os textos que chegaram até nós com a atestação mais ampla e mais confiável. Em mais de 95% dos casos, os originais podem ser reconstruídos com uma certeza prática.

Mesmo nos poucos casos em que alguma dúvida permanece, isso não interfere no significado da Escritura ao ponto de obscurecer um dogma da fé ou um mandamento de vida. Assim, na Bíblia como a possuímos agora (e como é transmitida a nós por meio de traduções confiáveis), nós temos, de fato, a própria Palavra de Deus, uma vez que os manuscritos transmitem a nós toda a verdade vital dos originais. A outra afirmação do Artigo X é que as cópias e as traduções da Escritura são a Palavra de Deus até ao ponto que representam fielmente o original. Embora não tenhamos os originais, temos traduções e cópias bem reconstruídas que, até ao ponto em que correspondem aos originais, podemos dizer que são a Palavra de Deus.

Mas, por causa da presença evidente de erros nas cópias e erros de tradução, tem de ser feita a distinção entre a obra original de inspiração nos autógrafos e o trabalho de traduzir e copiar esses autógrafos. A negação se preocupa com o fato importante de que naqueles minúsculos segmentos de manuscritos existentes nos quais a crítica textual não tem sido capaz de determinar com toda a certeza a redação original, nenhum ensino essencial da fé cristã é afetado. Limitar a inerrância ou a inspiração ao manuscrito original não torna irrelevante toda a contenção. Faz muita diferença. Se o texto original fosse errante, a igreja teria a opção de rejeitar seus ensinos. Se o texto original.(C. Sproul. Posso Crer na Bíblia. Editora FIEL. 1 Ed. 2012)   

Os manuscritos apógrafos.

Na Declaração de fé das Assembleia de Deus nos diz: “Os livros apócrifos (palavra que significa “escondido”) apresentam erros históricos e geográficos, bem como anacronismos, além de ensinarem doutrinas falsas e práticas divergentes das Escrituras inspiradas, a exemplo da oração pelos mortos. Os pseudoepígrafos (palavra que significa “falso escrito”) foram produzidos por autores anônimos e espúrios, que atribuíram indevidamente sua autoria a profetas e apóstolos.” (Soares. Esequias, Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Editora CPAD. p. 29).

No Dicionário Wycliffe nos fala sobre o assunto: “Palavra comum ente usada para designar uma coletânea de livros edificantes, porém não incluídos no cânon das Escrituras. Terminologia Apócrifos como um adjetivo grego, significando “coisas ocultas” é encontrado em Daniel 2.22 (Theodotian); Sir 14.21; 39.3,7; 42.19; 43.32; 48.25; e no NT em três passagens (Mc 4.22; Lc 8.17; Cl 2.3). Inicialmente era equivalente a esoterikos – escritos destinados ao círculo íntimo e impossível de ser entendido por mais alguém – “guardados para os sábios dentre o povo” (cf. IV Ed 14). Mas, com Agostinho (De civ. dei xv.23), uma segunda ideia de obscuridade da origem ou autoria é sugerida. Desde a época de Jerônimo tem-se designado livros nâo-canônícos e, desde a época da Reforma, uma coletânea definitiva de tais livros. Carlstadt definiu “Apócrifos” como escritos excluídos do cânon, quer os autores dos livros fossem conhecidos ou não”. (PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. p. 155-156).

Os apócrifos e pseudoepígrafos. 

A palavra “apócrifo” (adjetivo grego) significa secreto ou oculto, e muitas vezes foi usada para referir-se às escrituras secretas de alguma seita. Mais tarde, a palavra foi aplicada aos livros espúrios, heréticos ou falsificados. Em outras palavras, os livros apócrifos são os que têm sido julgados não canônicos, ou seja, não inspirados tanto pelos israelitas, hebreus ou judeus (referindo-se ao Antigo Testamento) e pela Igreja Cristã (referente ao Novo Testamento). Em 1546, no Concílio de Trento, o catolicismo romano adotou sete desses livros, denominou-os de deuterocanônicos (reconhecidos após estudo) e os inseriu no cânon católico do Antigo Testamento.

O teólogo E. J. Young observa, entre outras incongruências, que “não existe nenhum sinal nesses livros que ateste origem divina […] os livros justificam a falsidade e a fraude, fazem com que a salvação dependa de obras meritórias […] e inculcam uma moralidade baseada em conveniências”. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).

Não reconhecemos a autoridade espiritual dos livros apócrifos, nem dos pseudoepígrafos, chamados pelos católicos romanos, respectivamente, de deutero-canônicos e apócrifos. O Senhor Jesus fez menção das Escrituras Sagradas dos seus dias, a Bíblia tripartida dos judeus, “Lei, Profetas e Escritos”, e nelas não constam esses livros,11 pois nunca fizeram parte do Antigo Testamento dos judeus. (Soares. Ezequias, Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Editora CPAD. p. 28-29).   

Temos que continuar afirmando que o Espírito Santo manteve a revelação divina incorruptível, bem como a exatidão das palavras originalmente inspiradas por Deus. 

A VERDADE NAS ESCRITURAS

A Bíblia é a verdade plena.

O termo “verdade”, do hebraico emeth, significa o que é “confiável” e “correto”. O vocábulo grego aletheia tem o sentido de “real” e “fidedigno”.

O teólogo John Higgins relaciona uma série de declarações que atestam a verdade plena e absoluta da Palavra de Deus. Dentre elas, destacamos:

(1) A verdade de Deus é expressada com exatidão, e sem quaisquer erros, nas próprias palavras da Escritura ao serem usadas na construção de frases inteligíveis;

(2) A verdade de Deus é expressada com exatidão através de todas as palavras da totalidade da Escritura, e não meramente através das palavras de conteúdo religioso ou teológico;

(3) A verdade de Deus é expressada de modo inerrante somente nos autógrafos (escritos originais), e de modo indireto, nos apógrafos (cópias dos escritos originais).

Além dessas proposituras teológicas, a própria Escritura reivindica a sua veracidade.

A Bíblia afirma categoricamente que Deus é a verdade (Jo 14.6; Rm 3.4) e a sua Palavra também é a verdade (Jo 17.17).

Portanto, se a verdade depende de Deus, e Deus é a verdade em pessoa, então a verdade absoluta revela Deus e a sua vontade. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.   

Usando como base para afirmarmos “o que a Bíblia diz é o que Deus diz”, vejamos o que Paul David diz sobre a integridade de Deus

“A palavra integridade vem do latim integer, que se refere a algo completo ou inteiro. Quando usado em relação a Deus, a palavra significa que o caráter de Deus é inteiro, sem falta, perfeito. Há três palavras que podem ser utilizadas para descrever a integridade de Deus:

(1) Deus é Genuíno – Ele é real, não é inventado, fabricado, nem é uma imitação.

(2) Deus é Verdadeiro – Ele só age e fala dentro da esfera da verdade. A falsidade é contrária à Sua natureza.

(3) Deus é Fiel – Ele fará tudo o que prometeu. DEUS É GENUÍNO Nas Escrituras, a palavra verdadeiro [genuíno] é traduzida do hebraico “emeth” e do grego “alethinós”. Ambas as palavras denotam, não apenas a veracidade de Deus, mas também a Sua autenticidade. Deus é genuíno, real. Ele é exatamente aquilo que revela ser. Ele não é uma falsificação, uma invenção ou mera imitação. É o único Deus verdadeiro – distinto dos ídolos feitos por mãos de homens e dos falsos deuses nascidos nas imaginações corruptas dos homens”. (Washer. Paul David., O Único Deus Verdadeiro. Publicado por HeartCry Missionary Society. 4 Ed. 2011. p. 78).   

A verdade espiritual e moral.

Nesse sentido, Charles Hodge, ao tratar da completitude das Bíblia, argumenta que “nada pode ser legitimamente imposto à consciência dos homens como verdade ou dever que não esteja diretamente ensinado ou obrigatoriamente implicado nas Escrituras Sagradas”.

Em nossa obra Valores Cristãos, destacamos que: A ética e a moral cristã têm como principal fundamento o texto inspirado das Sagradas Escrituras. É verdade que não se pode desprezar a tradição da Igreja, as leis civis e criminais, as variadas literaturas e nem tampouco os bons costumes adotados pela sociedade, entretanto, para o cristão, toda e qualquer prática e conduta precisa passar pelo crivo e pelo aval da Palavra de Deus (Hb 4.12).

Nessa compreensão, quando os princípios adotados pela ética e moral cristã são essencialmente bíblicos, então eles também são imutáveis. Isso implica dizer que a verdade bíblica não pode ser relativizada ou flexibilizada para atender o egoísmo, as vãs filosofias e o hedonismo da raça humana. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021). 

O pastor Claudionor de Andrade vai afirmar que: “Reagindo contra o liberalismo teológico, principalmente na Alemanha, ensinam os neo-ortodoxos que a Bíblia se torna a Palavra de Deus à medida que alguém, ao lê-la, tem um encontro experimental com o Senhor. Apesar das aparências, esse posicionamento abre espaço para muitas especulações danosas à fé cristã. A Bíblia não se torna a Palavra a Deus; ela sempre é a Palavra de Deus. Portanto, erram aqueles que afirmam: “A Bíblia fechada é um simples livro; aberta, a boca de Deus falando”.

Nada mais errado; aberta ou fechada, a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e inerrante! Há que se tomar muito cuidado, pois, com as sutilezas teológicas; destas é que nascem as heresias.

Karl Barth, apesar de seus esforços em combater o liberalismo, não foi de todo feliz. Ele deveria, por exemplo, ter ensinado que a Bíblia, independentemente da reação de seus leitores, jamais deixou de ser a Palavra de Deus.

Embora considerado o maior teólogo do Século XX, Barth não foi de todo ortodoxo. E, como todos o sabemos, no terreno das Sagradas Escrituras não há meia-ortodoxia; a ortodoxia tem de ser absoluta. Se a tornarmos relativa, não teremos, então, nenhuma ortodoxia; e, sim, heresias, apostasias e erros. A neo-ortodoxia de Barth não foi de todo eficaz; pecou pelos meios-termos. (Claudionor de Andrade, Teologia Sistemática Pentecostal. Editora CPAD. 2 Ed. 2008. p. 24).

A verdade histórica e científica.   

Lewwis Chafer afirma que: “Não existe um problema pequeno quando é feita uma tentativa de afirmar cientificamente uma verdade de acordo com o entendimento de uma era de tal modo que ela venha ser ao mesmo tempo aceitável nas eras subsequentes. A ciência sempre muda e sempre está sujeita às suas próprias revisões, e até mesmo submissas a completas revoluções.

Ela reflete com om grau de exatidão o progresso de geração em geração do conhecimento humano. No campo da ciência, nenhum autor humano foi capaz de evitar o destino da obsolescência em períodos posteriores: todavia, todavia os registros divinos têm sido estruturados de forma que não há conflito com a verdadeira ciência nesta ou em outra época da história humana. É impossível para os autores humanos escreverem como a Bíblia é escrita em assuntos de ciência. Não é argumento contra a Bíblia o fato de ela empregar termos usados comumente como os confins da terra, os quatro cantos da terra, ou o sol se pondo.

Não seria mais inteligível dizer que a terra está levantando do que dizer que o sol está se pondo. Esta última frase é coisa que para a visão humana, sempre ocorre. Na verdade, qual termo poderia ser usado além daquele que descreve o que o homem vê com os seus olhos? A Bíblia esta justificada no uso dos termos geralmente usados, especialmente visto que nenhum outro termo foi proposto, nem podiam outros melhores ser descobertos.

Deus somente poderia executar a tarefa sobre-humana de escrever um livro que, embora dispensasse os fatos relativos à natureza, desde a sua criação até as suas glorias finais, não obstante evita um conflito com a ignorância e a intransigência que existem em variedade infinita desde o começo a história humana. (Chafer., Lewwis Sperry. Teologia Sistemática. Vol I e II. Editora Hagnos. 1 Ed. 2003. p. 75).

Devemos crê que Deus é a verdade e, sua Palavra, é a sua extensão. Tudo o que a Bíblia ensina tanto na teologia, história ou ciência é a verdade.

CONCLUSÃO

A Bíblia, sem sombra de dúvida, é a inerrante, genuína e infalível Palavra de Deus. Diversas foram as tentativas de descredibilizar no transcurso da história pelos críticos liberais, porém como palavra de um Deus que não mente, mas que é fiel em cumprir com as suas promessas, manteve-se de pé, demonstrando a verdade dita por Jesus “passarão os céus e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24:35; Lc 21:33).

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