EBD – A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16) 

INTRODUÇÃO

A doutrina da inspiração divina da Bíblia é central para o crente tê-la e cultivá-la como a única regra de fé e prática. Essa inspiração divina está clara na própria Bíblia, pois ela a reivindica para si (2Tm 3.16)

“E Moisés escreveu todas as palavras do SENHOR, e levantou-se pela manhã de madrugada, e edificou um altar ao pé do monte e doze monumentos, segundo as doze tribos de Israel” (Êx 24.4).

Mas o que seria o processo de inspiração divina que faz da Bíblia a Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus? (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 23, nº 88).

A inspiração divina é a operação sobrenatural do Espírito Santo, que por meio de seus autores resultou na composição das Escrituras, única revelação escrita de Deus para a humanidade. Neste capítulo, veremos que a inspiração da Bíblia é divina, verbal e plenária. Desse modo, sublinha-se que “o Espírito Santo garantia a exatidão e a suficiência de tudo quanto era escrito como a revelação da parte de Deus”. Por essa razão, a Bíblia é para o salvo a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Nosso pressuposto teológico e doutrinário sustenta que a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus escrita. Ela foi inspirada verbalmente, seus autores a escreveram orientados e supervisionados pelo Espírito Santo. A inspiração da Bíblia é plena, todos os livros e palavras da Bíblia têm total e completa autoridade. Esse ensino concorda com a nossa Declaração de Fé, que professa crer “na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão”. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).   

No Brasil, com o avanço do liberalismo teológico em faculdades e seminários outrora ortodoxos, a doutrina da Bíblia nunca se fez tão necessária. Pois não são poucos os teólogos que não mais a defendem como a Palavra de Deus inspirada e inerrante. Entraremos a ver o que é realmente a Bíblia, sua autoria divino- humana e outros pontos de igual importância, que nos ajudarão a compreender por que as Sagradas Escrituras são o Livro dos livros. Apesar de sua antiguidade, continua a Bíblia tão atual quanto o foi nos dias de Moisés, Jeremias e Paulo. Ela dá testemunho acerca de Cristo e testifica que Ele é, de fato, o Filho de Deus. (Claudionor de Andrade, Teologia Sistemática Pentecostal. Editora CPAD. 2 Ed. 2008. p. 19).  

A DOUTRINA DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA

      A inspiração bíblica é divina.

De acordo com 2 Timóteo 3.16, são precisamente os escritos bíblicos o material inspirado. A inspiração é um trabalho de Deus concluído não nos homens que tinham de escrever as escrituras (como se, havendo-lhes dado uma ideia do que dizer, Deus os deixou entregues a si mesmos para encontrarem uma maneira de dizê-lo), mas no próprio produto escrito. É a Escritura — graphé, o texto escrito — que é inspirada por Deus. A idéia essencial aqui é que a Escritura inteira tem as mesmas características que tinham os sermões dos profetas não só quando pregavam, mas também quando escreviam

“E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração, sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. (2Pe 1.19-21, sobre a origem divina de toda “profecia da Escritura”).

Isso significa que a Escritura não é apenas a palavra do homem — fruto de seu pensamento, premeditação e habilidade, mas também e de igual forma é a Palavra e Deus, falada através da boca do homem ou escrita com o instrumento de registro do homem. Em outras palavras, a escritura tem uma autoria dupla, sendo que o homem é apenas o autor secundário; o autor primário, através de cuja iniciativa, presteza e esclarecimento, e sob cuja superintendência cada escritor humano fez seu trabalho, é o Deus Espírito Santo. (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. p. 51).

O conceito de inspiração deve levar em conta tudo quanto é necessário para a revelação divina ser comunicada com exatidão. O modo correto de inspiração deve incluir todos os elementos que a Bíblia postula tanto no ato de inspirar quanto nos efeitos desse ato. Deve também reservar um lugar apropriado à atividade de Deus e à atividade humana. Ao examinarmos os dados fornecidos nas Escrituras, vários elementos envolvidos no ato de inspirar são apresentados com clareza.

(1) Toda a Escritura é respirada por Deus; procede da boca de Deus (2 Tm 3.16).

(2) Os autores da Escritura falaram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21).

(3) Os escritores sagrados não falavam segundo a própria vontade, mas de acordo com a vontade divina.

(4) Todavia, eles tomavam parte ativa e dinâmica na produção das Escrituras.

Não eram meros robôs (Lc 20.42; Jo 12.39; At 3.22). Semelhantemente, a Escritura fornece soluções quanto ao ato de inspirar.

(1) Toda a Escritura é respirada por Deus e, portanto, toda a Escritura é a Palavra de Deus (1 Co 14.37; 2 Tm 3.16).

(2) Toda a Escritura é proveitosa; é uma regra completa e suficiente para a fé e prática (2 Tm 3.16,17).

(3) Nenhuma linha da Escritura pode ser deixada de lado, anulada ou destruída; a totalidade da Escritura tem de ser aceita em sua integridade e plenitude (Jo 10.35).

(4) A Escritura é mais fidedigna que qualquer observação meramente humana, seja empírica, seja científica, seja filosófica (2 Pe 1.12-19).

(5) Nenhuma parte da Escritura é condicionada, quanto à sua veracidade, por nenhuma limitação de seu autor humano (2 Pe 1.20).

O condicionamento histórico normal, bem como a pecaminosidade e finitude humanas, são contrabalançados pela supervisão do Espírito Santo.

À luz dessas observações, extraídas da própria Escritura, pode-se fazer uma avaliação dos cinco modos de inspiração sugeridos. Tais conceitos, por considerarem a inspiração meramente um dom natural de iluminação, não prestam a devida atenção ao fato de Deus haver “soprado” a Escritura. O conceito da orientação dinâmica, que entende serem as questões de fé e práticas devidamente inspiradas, em contraste com os assuntos mais corriqueiros, não fornece nenhum método seguro para determinar o que é inspirado e o que não o é. Nem sequer leva em conta a declaração bíblica de que toda a Escritura é inspirada, inclusive os versículos tidos como obscuros. (HORTON. Stanley. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD).

A inspiração bíblica é verbal

A revelação aos profetas era essencialmente verbal. Na maioria das vezes, havia um aspecto visionário, mas até mesmo a “revelação em visões é também revelação verbal” (I. Koehler, Old Testament Theology, E. T., 1957). Brunner observa que nas “palavras de Deus, as quais os profetas proclamam como havendo-as recebido diretamente de Deus e tendo sido comissionados a repeti-las, quando as receberam talvez encontremos a analogia mais próxima do significado da teoria da inspiração verbal” (Revelation and Reason). E, de fato, encontramos. Entretanto, não encontramos meramente uma analogia, mas o paradigma; sendo que aqui “teoria” é uma palavra inadequada, pois estamos tratando da própria doutrina bíblica em si.

A inspiração bíblica deveria ser definida nos mesmos termos teológicos que definem a inspiração profética: a saber, como o processo inteiro (multiforme, não há dúvida, em sua forma psicológica, como o foi a inspiração profética), por meio do qual Deus moveu os homens que havia escolhido e preparado (cf. Jr 1.5; G11.15) para escrever exatamente o que Ele queria que fosse escrito, a fim de comunicar a instrução de salvação ao seu povo e, através dele, ao mundo. Assim, a inspiração bíblica é verbal por sua própria natureza, pois a Escritura respirada por Deus é constituída pelas palavras dadas por Ele. Desse modo, a Escritura inspirada é a revelação escrita, assim como os sermões dos profetas eram revelação falada. O registro bíblico da auto-revelação de Deus na história da redenção não é meramente testemunho humano à revelação, mas a própria revelação.

A inspiração das Escrituras era uma parte integral no processo de revelação, pois nelas Deus deu à Igreja sua obra de salvação na História e sua interpretação autoritária do lugar da Igreja no plano eterno. “Assim diz o Senhor” poderia ser o prefixo de cada livro das Escrituras com não menos propriedade do que aparece (359 vezes, de acordo com Koehler) nas declarações proféticas individuais contidas na Palavra. Portanto, a inspiração garante verdade de tudo o que a Bíblia afirma, assim como a inspiração dos profetas garantiu a verdade da representação que faziam da mente de Deus. (“Verdade” aqui denota correspondência entre as palavras do homem e os pensamentos de Deus, seja no campo dos fatos, seja no campo do significado.) Como verdade proveniente de Deus, Criador dos homens e legítimo Rei, as instruções bíblicas, assim como as palavras proféticas, trazem em si a autoridade divina. (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. p. 51-53).

Paulo escreveu a Timóteo, asseverando que as Escrituras podiam fazê-lo “sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15). O valor das Escrituras deriva-se de sua origem. Paulo indica que o mérito das Escrituras não está no escritor humano, mas no próprio Deus. Ele afirma: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16). O termo “inspiração” é derivado desse versículo, e aplicado à escrita da Bíblia. A palavra grega empregada aqui é theopneustos que, literalmente, significa “soprada por Deus”. As versões mais recentes dizem com razão: “Toda Escritura é inspirada [soprada] por Deus” (NVI). Paulo não está dizendo que Deus soprou alguma característica divina nos escritos humanos das Escrituras, ou que toda a Escritura respira um ambiente de Deus, que fala dEle. O adjetivo grego (theopneustos) é claramente predicativo, e é usado para identificar a fonte originária de todas as Escrituras.95 Deus é o Autor, em última análise. Logo, toda a Escritura é a voz de Deus, a Palavra de Deus (At 4.25; Hb 1.5-13).

O contexto de 2 Timóteo 3.16 tem em vista as Escrituras do Antigo Testamento. A declaração de Paulo é que a totalidade do Antigo Testamento é a revelação inspirada da parte de Deus. O fato de que o Novo Testamento ainda estava sendo escrito, exclui a mesma reivindicação interna e explícita para ele. Mesmo assim, algumas declarações específicas feitas pelos escritores do Novo Testamento subentendem que a inspiração das Escrituras se estende à Bíblia inteira. Por exemplo, em 1 Timóteo 5.18 Paulo escreve: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário”. Paulo está citando Deuteronômio 25.4 e Lucas 10.7, considerando “Escritura” as citações tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Além disso, Pedro refere-se a todas as epístolas de Paulo que, embora tratassem a respeito da salvação divina, contêm “pontos difíceis de entender”. Por isso, algumas pessoas as “torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pe 3.16, grifos nossos). Note que Pedro coloca todas as Epístolas de Paulo na categoria de Escritura. Torcê-las é torcer a Palavra de Deus, resultando na destruição do transgressor.

Os escritores do Novo Testamento comunicam “com as palavras que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Co 2.13), assim como Jesus prometera (Jo 14.26; 16.13-15). Na sua segunda epístola, Pedro fala de sua morte iminente e do seu desejo de que seus leitores se mantenham na verdade que ele já lhes havia compartilhado. Mostra-lhes que a fé em Cristo não é nenhuma invenção, e lembra-lhes de que ele mesmo era testemunha ocular daqueles eventos. Pedro estava com Cristo, vendo-o e ouvindo-o pessoalmente (2 Pe 1.12-18). O apóstolo passa, então, a escrever de algo mais firme que seu testemunho pessoal (2Pe 1.19). Falando das Escrituras, afirma que os autores humanos eram “levados adiante” (pheromenoi) pelo Espírito Santo ao comunicarem as coisas de Deus.

O resultado disso era uma mensagem não iniciada pelos desígnios humanos nem produzida pelo mero raciocínio e pesquisa humanos (sem serem excluídas tais coisas). Pedro afiança: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20,21). O emprego que Pedro faz da expressão “profecia da Escritura” é um caso de pars pro tota. Ou seja: uma parte da Escritura representa a totalidade desta. “O ímpeto que levou à escrita provinha do Espírito Santo. Por essa razão, os leitores de Pedro devem prestar atenção… pois não é simplesmente a palavra dos homens, mas a Palavra de Deus. (HORTON. Stanley. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD).   

A inspiração bíblica é plenária

A inspiração da Bíblia também é plenária, isto é, a inspiração é total e completa, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Paulo afirma que “toda” a Escritura, e não apenas parte dela, é inspirada (2 Tm 3.16, ARA). Pedro esclarece que “nenhuma profecia da Escritura” foi redigida por vontade humana, mas todas são de origem divina (2 Pe 1.20,21).

Norman Geisler ressalta que a “inspiração da Bíblia não é somente verbal (ou seja, reduzida apenas às palavras), mas também plena, isto é, ela se estende a todas as partes das palavras e a tudo o que elas ensinam ou implicam”. Nossa Declaração de Fé professa que a “inspiração da Bíblia é especial e única, não existindo um livro mais inspirado e outro menos inspirado, tendo todos o mesmo grau de inspiração e autoridade”. Significa que nenhum texto deve ser desprezado, pois não existem diferentes graus de inspiração na Bíblia. Em Romanos, lemos que “tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito” (Rm 15.4).

Nesse aspecto, ratificamos que a Bíblia não apenas “contém” ou “torna-se” a Palavra de Deus, mas, sobretudo, ela “é” a inspirada Palavra de Deus — plena, sem erros e sem falha alguma. Higgins enfatiza que “a inspiração verbal e plenária eleva o conceito da inspiração até à plena infalibilidade, posto que todas as palavras são, em última análise, palavras de Deus”. Em suma, todas as partes das Escrituras são inspiradas e foram escritas com exatidão. Porém, por ser um livro imparcial, a Escritura também registra os erros de muitos de seus personagens, tais como as mentiras de Abraão e de Isaque (Gn 12.13; 20.2; 26.7). Porém, faz-se necessário avaliar o contexto para não incorrer na interpretação equivocada daquilo que a Bíblia não diz para ser obedecido. Não obstante, a totalidade da Escritura Sagrada é inspirada, seus autores a escreveram sob a supervisão do Espírito Santo. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021).   

INSPIRAÇÃO DIVINA E OS AUTORES DA BÍBLIA

A Inspiração dos autores.

A palavra “inspiração” vem do latim e é a tradução do termo grego theópneustos de 2 Timóteo 3.16, que na RC temos assim traduzido:

“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça”.

“Inspirado por Deus”, conforme consta na ARA, não é um texto melhorado em relação a RC, pois theópneustos significa respirado por Deus para fora em vez de para dentro — divinamente expirado, em vez de inspirado. No século passado, Ewald e Cremer argumentaram que o adjetivo traz consigo um sentido ativo, “inspirando o Espírito”, e Barth parece concordar. Sua explicação é que significa não apenas “dado, enchido e guiado pelo Espírito de Deus, mas também “manifestando, alastrando-se para fora e revelando ativamente o Espírito de Deus”.

Mas, em 1900, B. B. Warfield provou decisivamente que o sentido da palavra somente pode ser usado no passivo. A ideia não é Deus respirando Deus para fora, mas Deus tendo respirado a Escritura para fora. As palavras de Paulo significam, não que a Escritura seja inspiradora (embora isto seja verdade), mas que a Escritura é um produto divino, devendo ser encarada e avaliada como tal. (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. p. 49). 

No tocante à orientação do escritor pelo Espírito, tem-se sugerido que a influência do Espírito estendeu-se somente ao impulso original para se escrever, ou somente à seleção dos tópicos, ou apenas aos pensamentos ou ideias do autor, conforme este achasse melhor. Na inspiração plenária e verbal, todavia, a orientação do Espírito estendia-se até às próprias palavras que o escritor selecionava para expressar os seus pensamentos. O Espírito Santo não ditava as palavras, mas guiava o escritor para que este, livremente, escolhesse as palavras que realmente expressavam a mensagem de Deus. “Por exemplo, o escritor poderia ter escolhido “casa” ou “construção”, segundo a sua preferência, mas não poderia ter escolhido “campo”, pois isso teria mudado o conteúdo da mensagem.” (HORTON. Stanley. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD).   

As limitações dos autores

Os escolhidos por Deus para escrever a Bíblia eram pessoas assim como nós, inclinadas às mesmas paixões e falhas (Tg 5.17). Moisés, por exemplo, mesmo sendo o autor do Pentateuco, foi impedido de entrar na Terra Prometida porquanto transgredira contra o Senhor no deserto de Zim (Dt 32.51,52). O rei Davi, a quem é atribuída a autoria de setenta e quatro dos salmos, cerca da metade dos salmos da Bíblia, cometeu adultério com Bate-Seba, maquinou e ordenou o assassinato do marido dela, o capitão Urias (2 Sm 11.3-15) Dos autores do Novo Testamento, a fé do apóstolo Pedro era volúvel. Por ocasião da prisão de Jesus, ele puxou da espada e arrancou a orelha de Malco, servo do sumo sacerdote (Jo 18.10). Em seguida, na casa do sumo sacerdote, negou ao Senhor por três vezes (Jo 18.16-27). A Escritura também registra que ele era homem sem letras e indouto (At 4.13); provavelmente por essa razão precisou de Silas para escrever a sua primeira Epístola (1 Pe 5.12), o que justifica a diferença literária com a sua segunda Carta. Entretanto, nenhum texto das Escrituras, quanto à sua inspiração e veracidade, está condicionado às limitações de seus autores humanos (2 Co 4.7). (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021). 

Os diferentes gêneros literários e figuras de linguagem

Apresentada em termos humanos. Apesar de a Bíblia alegar ser a Palavra de Deus, ela também é as palavras de seres humanos. Afirma ser a comunicação de Deus às pessoas, na sua linguagem e expressões. Todos os livros na Bíblia foram composições de escritores humanos.

A Bíblia manifesta estilos literários diferentes, desde a métrica fúnebre de Lamentações à poesia exaltada de Isaías, desde a gramática simples de João até o grego complexo de Hebreus. A escolha de metáforas demonstra que autores diferentes usaram 0 próprio contexto histórico e seus interesses. Tiago se interessa pela natureza. Jesus usa metáforas urbanas e Oséias as da vida rural.

A Bíblia manifesta perspectivas e emoções humanas; Davi falou no salmo 23 do ponto de vista de um pastor; o livro dos Reis foi escrito de um ponto de vista profético, e Crônicas, do ponto de vista sacerdotal; Atos manifesta um interesse histórico e 2Timóteo, o coração de um pastor. Paulo expressou tristeza pelos israelitas que rejeitaram a Deus (Rm 9.2).

A Bíblia revela padrões e processos do pensamento humano, incluindo a razão (Romanos) e a memória (1C0 1.14-16). Os autores da Bíblia usaram recursos humanos para informação, incluindo pesquisa histórica (Lc 1.1 – 4) e obras não canônicas (Js 10.13; At 17.28; 1C0 15.33; Tt 1.12; Jd 9,14). (GEISLER. Norman. Enciclopédia De Apologética, respostas aos críticos da fé cristã. Editora Vida. 1 Ed. 2002. p. 120-121).  

A linguagem do senso comum

“No livro de Josué (10.12-15) está escrito que Josué mandou parar o Sol. Mas, segundo a Ciência, é a Terra que gira em torno do Sol. Como é que Josué mandou parar o Sol se o mesmo está parado segundo a nossa concepção?” O Sol – centro do nosso sistema planetário – está apenas relativamente parado, já que anda, em corrida veloz, rumo à estrela Vega, na constelação de Hércules, arrastando o sistema em causa. Este é, em certo aspecto, o seu movimento de translação. Quanto ao de rotação, o astro leva 24 dias e 15 horas para completar uma volta em torno do seu eixo. Pode-se dizer, portanto, que o Sol está parado, mas em relação ao nosso sistema planetário. Apesar disso, ainda hoje os próprios cientistas usam as expressões: “pôr-do-sol” e “nascer do sol”.

O povo diz com frequência: “O sol vai alto” ou “o sol vai para o sul”. Contudo, nos dias de Josué e segundo a astronomia egípcia, eram o Sol e a Lua que andavam ao redor da Terra. Claro que a Bíblia não é um compêndio de ciência, mas as suas assertivas são verdadeiras. Emprega, porém, uma linguagem popular, a fim de as verdades divinas poderem ser assimiladas, mesmo pelas pessoas mais humildes. Josué, ao dirigir-se ao Sol, aplicou o termo “deman”. exarado 21 vezes no Velho Testamento, significando, entre outras coisas, silencia-te. A palavra hebraica para detém-te é “amad”, a qual ocorre centenas de vezes no Antigo Testamento, sendo geralmente traduzida por ficar de pé ou deter. Admite-se. nos meios científicos, que a revolução da Terra em torno do seu próprio eixo é motivada pela ação do Sol sobre o nosso planeta.

Assim, quando Josué ordenou: “Sol. aquieta-te” ou “detém-te”, a rotação do Globo Terráqueo teria diminuído substancialmente por via de um temporário enfraquecimento da ação solar sobre ele. Existem, como é óbvio, outras teorias para explicar a detenção do Sol narrada no livro de Josué, porém cremos na palavra bíblica. Finalmente, os astrônomos modernos deram-se ao trabalho de buscar, no calendário astronômico, se de fato teria realmente ocorrido o evento. Depois de buscas e fastidiosos estudos, concluíram que, efetivamente, falta um dia no calendário astronômico, concluindo então, que o quase um dia inteiro (Js 10.13b), correspondem a 11 horas e cinquenta minutos, sendo assim provado que de fato a Terra esteve parada por todo um dia de Sol. (A Bíblia Responde. Editora CPAD. 2 Ed. p. 18-19).  

O ESPÍRITO SANTO E A BÍBLIA

A inspiração do Antigo Testamento.

As palavras da Escritura são as próprias palavras de Deus. Passagens do Antigo Testamento identificam a lei mosaica e as palavras dos profetas, tanto faladas quanto escritas, com o discurso do próprio Deus (cf. 1 Rs 22.8-16; Ne 8; SI 119; Jr 25.1-13; 36 etc.). (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. p. 53-54).   

Considerando que toda testemunha tem o direito de se expressar por si mesma, será examinada, em primeiro lugar, a reivindicação que os próprios escritores bíblicos fazem à inspiração divina. Muitos dos que compuseram as Escrituras eram participantes, ou testemunhas oculares, dos eventos a respeito dos quais escreveram. O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada), o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos (1 Jo 1.1-3).

Cada um deles, seja Moisés, Davi, Jeremias, Mateus, João, Pedro, ou Paulo, escreveu com base em suas próprias experiências à medida que Deus se revelava a eles (Ex 4.1-17; SI 32; Jr 12; At 1.1-3; 1 Co 15.6-8; 2 Co 1.3-11; 2 Pe 1.14-18). Mas seus escritos eram mais que relatos de pessoas envolvidas. Declaravam que escreviam não somente a respeito de Deus, mas também em prol de Deus. A sua palavra era a Palavra de Deus; a sua mensagem era a mensagem de Deus. Em todo o Antigo Testamento, deparamo-nos com expressões tais como: “Falou o SENHOR a Moisés, dizendo” (Ex 14.1); “A palavra que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo” (Jr 11.1); “Tu, pois, ó filho do homem, profetiza… e dize: Assim diz o SENHOR Deus” (Ez 39.1); “Assim diz o SENHOR” (Am 2.1). Tais declarações são usadas mais de 3.800 vezes, e demonstram com clareza que os escritores tinham consciência de estar entregando uma mensagem autorizada da parte de Deus. (HORTON. Stanley. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD).

A inspiração do Novo Testamento.

Os escritores do Novo Testamento viam todo o Antigo Testamento como “os oráculos de Deus” (Rm 3.2, ARA), como profético em essência (Rm 16.26; cf. Rm 1.2; 3.21), como havendo sido escrito por homens que foram movidos e ensinados pelo Espírito Santo (2 Pe 1.20; cf. 1 Pe 1.10-12). Jesus e seus apóstolos citaram textos do Antigo Testamento não meramente como aquilo que homens como Moisés, Davi ou Isaías disseram (vide Mc 7.6,10; 12.36; Rm 10.5,20; 11.9), mas também como o que Deus disse através desses homens (vide At 4.25; 28.25) ou, às vezes, simplesmente como o que “Ele” (Deus) diz (1 Co 6.16; Hb 8.5,8), ou o que o Espírito Santo diz (Hb 3.7; 10.15). Além disso, as declarações do Antigo Testamento que em seus contextos não foram feitas por Deus são citadas como expressões vocais divinas (Mt 19.4,5; Hb 3.7; At 13.34, citando Gn 2.24; SI 95.7; Is 55.2, respectivamente). Paulo também identifica a promessa de Deus a Abraão e sua ameaça a Faraó, ambas faladas muito tempo antes que fosse feito o registro bíblico desses fatos, com as palavras que a Escritura falou a esses dois homens (G1 3.8; Rm 9.17), o que mostra o quão completamente se igualaram as declarações das Escrituras com a expressão vocal de Deus.( Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. p. 54). 

A obra da regeneração e a iluminação.

A obra do Espírito Santo complementa a obra de Cristo na regeneração. Cristo morreu na Cruz a fim de possibilitar ao pecador ser revivificado para Deus. Mediante o novo nascimento espiritual, entramos no Reino de Deus (Jo 3.3). 0 Espírito Santo aplica a obra salvífica de Cristo ao coração do homem. E opera no coração deste a fim de o convencer do pecado, e para induzi-lo à fé no sacrifício expiador que Cristo oferece.

Ê essa fé que leva à regeneração mediante a união com Cristo. A fé regeneradora produzida pelo Espírito Santo não deve, entretanto, ser considerada de modo abstrato. Ela não existe no vazio, mas surge do relacionamento com a Palavra de Deus. A fé provém de ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). Não somente foi o Espírito Santo responsável por registrar a mensagem da salvação que se acha nas Escrituras, mas também dá testemunho da veracidade destas. Posto que Deus haja falado na Bíblia ao gênero humano, agora o Espírito Santo tem de convencer as pessoas quanto a isso.

O Espírito convence não apenas a respeito da veracidade geral das Escrituras, mas quanto a uma aplicação poderosamente pessoal dessa verdade (Jo 16.8-11). Cristo, como Salvador pessoal, é o objeto da fé produzida no coração pelo Espírito. Essa fé está inseparavelmente ligada às promessas da graça divina que se acham em todas as partes da Bíblia.

“Precisamos do Espírito e da Palavra. O Espírito lança mão da Palavra e a aplica ao coração a fim de produzir o arrependimento e a fé e, por esse meio, a vida”. Por essa razão, a Bíblia fala na regeneração em termos de “nascer do Espírito” e de “sendo de novo gerados… pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pe 1.23; ver também Jo 3.5).

A doutrina da iluminação do Espírito envolve a obra do Espírito Santo na pessoa, levando-a a aceitar, entender e apropriar-se da Palavra de Deus. Anteriormente, já havíamos considerado várias evidências internas e externas que confirmam ser a Bíblia a Palavra de Deus. No entanto, mais poderosa e mais convincente que todas elas são o testemunho interior do Espírito Santo. Embora as evidências sejam importantes, e o Espírito Santo possa fazer uso delas, em última análise é a voz autorizada do Espírito, no coração humano, que produz a convicção de que a Escritura é, de fato, a Palavra de Deus. Sem o Espírito Santo, a humanidade nem aceita, nem entende as verdades oriundas de Deus. A rejeição da verdade divina pelos incrédulos acha-se vinculada à sua falta de entendimento espiritual. As coisas de Deus são por eles consideradas loucuras (1 Co 1.22,23;2.14). Jesus descreveu os incrédulos como aqueles que ouvem mas não compreendem (Mt 13.13-15).

Por causa do pecado “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.21 – ARA). “O Deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho” (2 Co 4.4). Sua única esperança para receberem o entendimento espiritual, ou para perceberem a verdade da parte de Deus, é a iluminação do Espírito (Ef 1.18; 1 Jo 5.20).

Essa percepção espiritual inicial resulta na regeneração, mas também abre a porta para uma nova vida de crescimento no conhecimento divino. Embora as promessas de João 14-16, a respeito da orientação e ensino a serem ministrados pelo Espírito Santo, façam referência especial aos discípulos de Jesus que seriam usados para escrever o Novo Testamento, há um sentido contínuo em que esse ministério do Espírito relaciona-se a todos os cristãos.

“O mesmo Ensinador também continua a sua obra de ensino dentro de nós, não por meio de trazer uma nova revelação, mas por meio de trazer novo entendimento, nova compreensão, nova iluminação. Mas Ele faz mais do que nos mostrar a verdade. Ele nos coloca dentro da verdade, e ajuda-nos a pô-la em prática”. 

É importante manter juntas a Palavra escrita de Deus e a iluminação do Espírito Santo: O que o Espírito ilumina é a verdade da Palavra de Deus, e não algum conteúdo místico oculto nessa revelação. A mente humana não é deixada de lado, mas vivificada à medida que o Espírito Santo elucida a verdade. “A revelação é derivada da Bíblia, e não da experiência, nem do Espírito Santo como uma segunda fonte de informação paralela à Escritura e independente desta”. Nem sequer os dons de expressão vocal, dados pelo Espírito Santo, têm a mínima igualdade com as Escrituras, pois eles também devem ser julgados pelas Escrituras (1 Co 12.10; 14.29; 1 Jo 4.1). O Espírito Santo nem altera nem aumenta a verdade da revelação divina dada nas Escrituras. Estas servem como padrão objetivo necessário e exclusivo através das quais a voz do Espírito Santo continua a ser ouvida. A iluminação do Espírito Santo não visa ser um atalho para se chegar ao conhecimento bíblico, nem um substituto do estudo sincero da Palavra de Deus.

Pelo contrário: é à medida que estudamos as Escrituras que o Espírito Santo vai nos outorgando entendimento espiritual, que inclui tanto a crença quanto a persuasão. “As pesquisas filológicas e exegéticas não são usualmente “locais” para sua operação, pois é no coração do próprio intérprete que Ele opera, criando aquela receptividade interior pela qual a Palavra de Deus é realmente ‘ouvida’.”

O Espírito, fazendo como que a Palavra seja ouvida pelo coração, e não apenas pela cabeça, produz uma convicção a respeito da verdade que resulta numa apropriação zelosa desta mesma Palavra (Rm 10.17; Ef 3.19; 1 Ts 1.5; 2.13). A neo-ortodoxia tende a confundir a inspiração com a iluminação ao considerar que as Escrituras “se tornam” a Palavra de Deus quando o Espírito Santo aplica seus escritos aos corações humanos.

Segundo a neo-ortodoxia, a Escritura é revelação somente quando e onde o Espírito Santo fala de modo existencial. O texto bíblico não tem nenhum significado objetivo específico. “Posto que não existem verdades reveladas, mas somente verdades da revelação, o modo de uma pessoa interpretar um encontro com Deus pode ser diferente da maneira como outra pessoa entende igual situação”. Os evangélicos, contudo, consideram a Escritura como a Palavra escrita e objetiva de Deus, inspirada pelo Espírito na ocasião em que foi escrita.

A comunicação verdadeira a respeito de Deus está presente na forma proposicional, quer a reconheçamos, quer a rejeitemos. A autoridade da Escritura é intrínseca devido à inspiração, e não depende da iluminação. E independente do testemunho do Espírito Santo, e antecede a este. O Espírito Santo ilumina o que Ele já tem inspirado, e a sua iluminação encontra-se vinculada exclusivamente com a Palavra escrita. (HORTON. Stanley. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD).

CONCLUSÃO

A Bíblia é a Palavra de Deus escrita. Ela foi inspirada verbalmente, e seus autores a escreveram inspirados pelo Espírito Santo. A inspiração da Bíblia é plena, todos os livros e palavras da Bíblia têm total e completa autoridade. Esse ensino concorda com a nossa Declaração de Fé que professa crer “na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão.   

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