EBD – A Autoridade da Bíblia

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“Bem-aventurados os que trilham caminhos retos e andam na lei do Senhor” (Sl 119.1)

INTRODUÇÃO

A Bíblia está traduzida atualmente para 2.935 línguas, segundo dados da Sociedade Bíblia do Brasil (A Bíblia no Brasil, nº 252 – agosto a outubro de 2016, Ano 68, p. 16). Todas essas versões transmitem a mesma mensagem dos antigos escritores bíblicos. Os oráculos divinos entregues a eles foram preservados e estão disponíveis para toda a humanidade. Sua inspiração divina e sua autoridade fazem dela um livro sui generis, ou seja, “de seu próprio gênero” ou “único em sua espécie” (SOARES, Esequias. A Razão da Nossa Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017).

Em 18 de abril de 1521, Martinho Lutero foi conduzido ao local da Primeira Dieta Imperial em Worms na Alemanha. A assembleia estava lotada, o número dos que ocupavam as antessalas, as janelas e as escadarias somavam cinco mil pessoas.1 Na ocasião, Lutero foi instigado a retratar-se de seus escritos e sua resposta diante daquela multidão entrou para a história como uma de convicção e fé na autoridade das Escrituras Sagradas:

Minha consciência está atrelada à palavra de Deus. Enquanto não me tiverem convencido pelas Sagradas Escrituras, não posso, nem quero retratar-me de coisa alguma, pois é perigoso agir contra a consciência. Não posso falar de outro modo. Eis-me aqui. Que Deus me ajude! Amém.

A partir dessa declaração, surgia o embrião de um dos relevantes princípios teológicos da Reforma Protestante: “Sola Scriptura”. Para Lutero, o sentido dessa expressão latina era literal, ou seja, somente a Escritura — e não a Escritura somada à tradição da Igreja — é a fonte final de revelação cristã. Sua defesa era pela centralidade da Palavra de Deus. Lutero não reconhecia nenhuma outra fonte como autoridade infalível de fé e conduta que não fosse as Escrituras.

Nessa perspectiva, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil professa crer e ensinar que “a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, única revelação escrita de Deus dada pelo Espírito Santo para a humanidade […] nossa única regra de fé e prática, a inerrante, completa e infalível Palavra de Deus”. Nesse sentido, a autoridade da Bíblia se fundamenta em seu autor, que é Deus.

Assim sendo, a autoridade dela depende do Altíssimo, e não dos homens. Desse modo, além da Bíblia, a Igreja não possui outra fonte infalível de autoridade. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. p. 13,14 1ª edição: 2021).

A BÍBLIA. Não há outra obra literária sobre a qual se tenham escrito tantos livros — então, por que mais um? Embora haja muitos livros que ajudam os leitores a compreenderem o conteúdo da Bíblia, poucos explicam suas origens. Este volume fornece uma visão geral de como a Bíblia foi inspirada, canonizada, lida como literatura sacra, copiada em antigos manuscritos hebraicos e gregos e traduzida para os idiomas do mundo inteiro.

A palavra “bíblia” é derivada do latim, proveniente da palavra grega bíblia (livros), que diz respeito especificamente dos livros que são reconhecidos como canônicos pela Igreja cristã. Nesse sentido, acredita-se estar o uso cristão mais antigo da expressão ta bíblia (os livros) na epístola de 2 Clemente 2.14 (c. 150 d.C.): “Os livros e os apóstolos declaram que a Igreja… existe desde o princípio” (compare Dn 9.2: “Eu, Daniel, entendi pelos livros…”, cuja referência é ao corpus dos escritos proféticos do Antigo Testamento). O vocábulo grego bíblion (do qual bíblia é o plural) é o diminutivo de biblos, que na prática denota qualquer tipo de documento escrito, mas originalmente aquele que foi escrito em papiro.

Um termo sinônimo de “a Bíblia” é “os escritos” ou “as Escrituras” (em grego hai grapltai, ta grammata), frequentemente é usado no Novo Testamento para designar, no todo ou em parle, os documentos do Antigo Testamento. Por exemplo, Mateus 21.42 diz: “Nunca lestes nas Escrituras?” (en tais graphais). A passagem paralela, Marcos 12.10, traz o singular, referindo-se ao particular texto citado: “Ainda não lestes esta Escritura?” (ten graphen tauteri). Em 2 Timóteo 3.15, temos “as sagradas letras” (ta hiera grammata), e o versículo seguinte (ARA) diz: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (pasa graphe theopneustos). Em 2 Pedro 3.16, “todas” as epístolas de Paulo são incluídas junto com “as outras Escrituras” (tas loipas graphas), as quais presumem-se que sejam os escritos do Antigo Testamento e provavelmente os evangelhos também (Philip Wesley Comfort. A Origem da Bíblia. Editora CPAD. p. 9; 13-14).

A ORIGEM DA BÍBLIA E A REVELAÇÃO DIVINA

A Bíblia é a revelação de Deus no Seu trato com a humanidade. Seu autor é Deus mesmo. Seu real intérprete é o Espírito Santo. Seu assunto central é o Senhor Jesus Cristo. Crer nisso é de capital importância para o êxito no estudo da Bíblia. Nossa atitude para com a Bíblia mostra nossa atitude para com Deus (Silva, Antônio Gilberto da, A Bíblia através dos séculos. Editora: CPAD. 15 Edição 2004).

Não estamos falando de um livro pensado e planejado pelo homem, a fim de revelar poesias ou uma ficção científica idealizada na mente e no coração de alguém imperfeito. A Bíblia é o poderoso livro de Deus, que contém a Sua revelação para o homem seja de modo geral ou especial.

O teólogo Norman Geisler assegura que “um resumo a respeito do que a Bíblia alega sobre si mesma pode ser encontrado em duas passagens principais”. A referência diz respeito a dois dos textos bíblicos de autoria dos proeminentes apóstolos Pedro e Paulo (2Pe 1.20,21; 2Tm 3.16). Essa constatação é importante, uma vez que tais apóstolos têm seus ministérios reconhecidos como cheios do poder de Deus (At 5.14-16; 19.11,12), e isso tanto entre os judeus como entre os gentios (Gl 2.7-9).

Em 2 Pedro 1.20,21, o apóstolo enfatiza que os escritos sagrados não têm sua origem nos homens, mas no próprio Deus.

Nessa passagem, Pedro atribui a origem da revelação à obra do Espírito de Deus. O Comentário de Aplicação Pessoal destaca que tal assertiva petrina significa que “as Escrituras não se originaram do homem, nem foram interpretadas pelos próprios profetas à medida que transmitiam as preciosas mensagens”. Quer dizer que não se trata de opinião ou fruto do desejo humano. Na sequência, o apóstolo esclarece que os autores da Bíblia são homens santos, que nos transmitiram a vontade de Deus por meio da inspiração do Espírito Santo.

Por sua vez, o apóstolo Paulo corrobora que a mensagem bíblica veio da parte de Deus: “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16a, ARA). Aqueles que fazem objeção que o texto de Pedro se refere apenas ao Antigo Testamento, aqui no texto paulino “toda” a Escritura é autenticada como inspirada, inclusive o Novo Testamento. Matthew Henry enfatiza que esse versículo descreve a excelência das Escrituras como “revelação divina, de que podemos depender como infalivelmente verdadeira”.

Além dessas duas citações, temos ainda outras referências bíblicas nas quais os apóstolos ratificam que a Bíblia foi escrita por homens, porém, sob a inspiração e supervisão divina (confira 1 Co 2.13,14; 1 Co 14.37; Gl 1.12; Ap 1.1). O artigo de fé número um da Declaração das Assembleias de Deus corrobora com essa verdade ao professar crer “na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada”. Portanto, as Escrituras são a revelação que Deus fez de si mesmo. Dessa maneira, por ter a sua origem em Deus, a Bíblia é portadora de autoridade, e, por isso, constitui-se em única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter do cristão. (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Editora CPAD. p. 14,15, 1ª edição: 2021)

Nossa declaração de fé é esta: cremos, professamos e ensinamos que a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, única revelação escrita de Deus (Ap 1.1) dada pelo Espírito Santo (1 Co 2.13,14), escrita para a humanidade e que o Senhor Jesus chamou as Escrituras Sagradas de a “Palavra de Deus” (Mc 7.13) […] Isso significa que toda a Escritura foi respirada ou soprada por Deus, o que a distingue de qualquer outra literatura, manifestando, assim, o seu caráter sui generis. As Escrituras Sagradas são de origem divina; seus autores humanos falaram e escreveram por inspiração verbal e plenária do Espírito Santo 2 Pe 1.21, (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017).

Em resumo, notam-se na Bíblia duas coisas: o Livro e a Mensagem. No capítulo anterior, estudamos a Bíblia como livro; agora a estudaremos como a palavra ou mensagem de Deus. O estudo da Bíblia tem por finalidade precípua o conhecimento de Deus. Isso é visto desde o primeiro versículo dela, do qual se nota que tudo tem o seu centro em Deus.

Portanto, a causa motivante de ensinar a Bíblia aos outros deve ser a de levá-los a conhecer a Deus. Se chegarmos a conhecer o Livro e falharmos em conhecer a Deus, erramos no nosso propósito, e o propósito de Deus por meio do seu Livro seria baldado.

Que as Escrituras são de origem divina é assunto resolvido. Deus, na sua palavra, é testemunha concernentemente a si mesmo. Quem tem o Espírito de Deus deposita toda a confiança nela como a Palavra de Deus, sem exigir provas nem argumentos. Portanto, sob o ponto de vista legal, a Bíblia não pode estar sujeita a provas e argumentos. Apresentamos algumas provas da Bíblia como a Palavra de Deus, não para crermos que ela é divina, mas porque cremos que ela é divina. É satisfação para nós, crentes na Bíblia, podermos apresentar evidências externas daquilo que cremos internamente, no coração (Silva, Antônio Gilberto da, A Bíblia através dos séculos. Editora: CPAD. 15 Edição 2004).

Revelação Geral

Nesse ponto, convém ressaltar que “como Deus é infinito e os seres humanos são finitos, se estes quiserem conhecer a Deus, tal conhecimento deverá ocorrer pela iniciativa do próprio Deus em se revelar”. A palavra revelação significa “descobrimento, desvelamento, divulgação”. Em vista disso, o conhecimento de Deus é o conhecimento revelado por Ele mesmo. Nessa compreensão, o estudo da autorrevelação de Deus para a humanidade é classificado de duas formas:

  1. revelação geral e

         2.  revelação especial.

Chama-se de revelação geral aquela em que Deus se fez conhecer em toda parte por três maneiras:

(a) Na História. As Escrituras indicam que Deus se revela na história por meio da sua soberania. A soberania divina não deve ser entendida como “uma propriedade da natureza divina, mas uma prerrogativa oriunda das perfeições do Ser Supremo”.11 Em outras palavras, a soberania é um direito divino, pelo fato de Ele ser o criador, poderoso, santo, eterno e imutável. Indica o total domínio que o Senhor exerce sobre toda a criação. Significa que tudo pertence a Deus, e que Ele tudo faz conforme lhe agrada sem necessitar prestar contas a ninguém (1 Cr 29.11; Sl 115.3; Dn 4.35).

Ele controla o curso dos acontecimentos, remove e estabelece governos e nada acontece fora de sua vontade (Dn 2.21; 4.25; Rm 11.22). Para J. Williams, “a história possui um caráter teológico: toda ela carrega a marca da atividade divina […] a história de todas as nações representa algum desvendar de Deus em ação”.

(b) No Universo. As Escrituras também mostram que Deus se revela no Universo por meio do seu poder (Is 40.26; 45.18); sua majestade (Am 4.13); e sua soberania (Sl 89.11-13). O primeiro versículo da Bíblia assevera: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). O emprego do verbo hebraico “bara” (criar) indica que, “do nada” (latim ex-nihilo), Deus trouxe a existência todos os fenômenos físicos.

A obra Teologia Sistemática Pentecostal registra que “no Antigo Testamento, ‘os céus e a terra’ abrangem a inteireza do ‘Universo ordeiro e harmonioso’. Nada existe que não tenha sido criado por Deus”. Em vista disso, Deus se manifesta onipotente, magnificente e soberano nas coisas criadas: o Céu, a Terra, o mar, e tudo quanto há neles (Sl 19.1-4; At 14.15-17; Rm 1.18-21).

(c) No Ser Humano. Ainda as Escrituras demonstram que Deus se revela na criação do ser humano. A Bíblia afirma que a raça humana foi criada à imagem e à semelhança de Deus (Gn 1.26,27). Ao abordar o tema, o Comentário Bíblico Beacon salienta três aspectos do homem feito à imagem de Deus: i) um ser espiritual apto para a imortalidade (Gn 1.26); ii) um ser moral que tem a semelhança de Deus (Gn 1.27); e iii) um ser intelectual com a capacidade da razão e de governo (Gn 1.26c,28-30).

Dessas três características, a natureza moral da humanidade, embora de maneira inadequada por causa do pecado, revela o caráter moral de Deus (Ef 4.24; Cl 3.10). Acerca disso, Paulo falou de uma lei escrita no coração das pessoas, que por meio dos pensamentos e da consciência as acusa ou as defende diante de Deus Rm 2.11-16 (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Editora CPAD. p 15,16, 1ª edição: 2021).

Revelação Especial

Essa é a revelação que nos chegou por meio da tradição religiosa hebreu-cristã, apresentando a esperança messiânica e culminando no ministério do Lagos encarnado (ver Heb. 1:2). Dentro dessa revelação especial, o poder remidor de Cristo mostra-se atuante através de sua missão tridimensional: na terra, no hades e nos céus.

Os remidos serão levados a participar da natureza humana (ver 1Pe. 1:4), mediante a transformação segundo a imagem do Filho (ver Rm 8:29 e 1Cor. 3:18), de acordo com o que desfrutarão de plena participação na plenitude divina (ver Ef 3:19). Mas também há a provisão de uma restauração universal, que afetará a todos os não-eleitos (ver Ef. 1:9,10).

Quanto a isso estamos também tratando de um aspecto distintivo da revelação cristã, por ser algo especial. Essa revelação cristã caracteriza-se por sua decisiva ênfase sobre a ideia da redenção dos eleitos (CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. p. 704).

A Bíblia, a revelação divina escrita, revela claramente a existência de Deus. Na Bíblia temos um documento autenticado, que nos faz conhecer a Deus através da sua própria revelação. Assim como alguém que quiser conhecer História, Ciência ou qualquer outra matéria, procura estudar a literatura adequada para conseguir o conhecimento desejado, assim também aquele que verdadeiramente quer fazer a vontade de Deus conhecerá se essa doutrina é de Deus ou não (Bergstein, Eurico., Teologia Sistemática Introdução à Teologia Sistemática. Editora: CPAD. 1. ed.).

EVIDÊNCIAS DA AUTENTICIDADE DA BÍBLIA

A Bíblia é um livro autêntico, que carrega em suas páginas a mensagem divina comtotal autoridade do Seu Supremo autor: Deus. Apesar de ter sido escrita por 40 escritores num período aproximado de 1.600 anos, ela apresenta uma unidade temática que transmite uma única mensagem.

Evidências Internas

A palavra autenticidade tem origem no grego “authentês” com o significado daquilo que é “verdadeiro”. Quando aplicado às Escrituras, o termo indica a autoridade e a fidedignidade da Bíblia Sagrada. Significa que todos os livros que compreendem o cânon bíblico são autênticos. Dessa forma, a Bíblia autentica-se a si mesma (2 Tm 3.16). O apoio em favor dessa autenticidade divide-se em “evidência interna” e “evidência externa”. Dentre as evidências internas que examinam o conteúdo da Bíblia destacam-se:

(1) Unidade e consistência: No período aproximado de 1.600 anos, a Bíblia foi escrita em dois idiomas principais (hebraico e grego), e um dialeto (aramaico). Seus escritores somam cerca de quarenta pessoas de diferentes classes sociais, que viveram em lugares e circunstâncias diferentes, e abordaram centenas de temas distintos. O texto foi redigido em uma variedade de estilos literários, tais como história, profecia, poesia, alegorias, parábolas, dentre outros.

Apesar de todas essas implicações, o conteúdo bíblico é consistente e os seus escritos se harmonizam formando um todo sem qualquer contradição (Sl 18.30; 33.4).

Essa unidade não é superficial, mas profunda. John Higgins reproduz a compreensão de que “quanto mais profundamente a estudamos, mais completa essa unidade se nos revela”.

No entanto, embora as evidências sejam conclusivas, o liberalismo teológico faz objeção aos argumentos acima listados e desdenha da unidade bíblica. Os críticos argumentam que os autores bíblicos conheciam o conteúdo deixado pelos escritores que o antecederam e, por isso, se preocuparam em não os contradizer, e ainda sustentam que o cânon só foi organizado pelas gerações futuras, em função disso, foram aceitos no cânon apenas os livros que se harmonizavam com o todo.

Porém essas objeções são contraditórias e podem ser refutadas do seguinte modo:

  • nem todos os autores tiveram acesso aos outros livros enquanto escreviam a revelação divina: Ezequiel escreveu no exílio; Ester, em país estrangeiro; o escritor de Hebreus, no Oriente; e João, na Ásia Menor; entre outros;
  • nem todos os autores tinham consciência de que seus escritos fariam parte do cânon, portanto, não os escreveram buscando harmonizar sua obra com as demais;
  • não é verdade que os livros foram aceitos centenas de anos após serem escritos. Por exemplo, os livros de Moisés foram guardados próximo à Arca da Aliança logo após serem escritos (Dt 31.26). Os livros eram aceitos à medida que a autenticidade era confirmada por seus destinatários; e
  • mesmo que os autores tivessem tomado conhecimento prévio de todos os livros, a Bíblia continuaria tendo uma unidade que ultrapassa a capacidade humana.

(2) Ação do Espírito Santo: Por meio da leitura da Bíblia, é possível ouvir a voz de Deus agindo como uma espada que “penetra até à divisão da alma, e do espírito” (Hb 4.12). Como os discípulos no caminho de Emaús, aquele que aceita a mensagem da Palavra experimenta a chama do Espírito arder no coração e passa a compreender o plano da salvação (Lc 24.31,32).

Nossa Declaração de Fé ensina “que o Espírito Santo possui o papel de regenerar, purificar e santificar o homem e a mulher e que é Ele quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7,8)”.20 O apóstolo João disse que escreveu para que seus leitores cressem no Filho de Deus e recebessem a vida eterna (Jo 20.31; 1 Jo 5.13). João também registrou que o Consolador, o Espírito de verdade, que procede do Pai, é Ele quem testifica de Cristo, o Filho de Deus (Jo 15.26). Desse modo, o Espírito Santo dá testemunho da Bíblia como Palavra de Deus, e de que o Cristo nela revelado é o Filho de Deus.

(3) Profecias de eventos futuros. A exatidão no cumprimento das profecias comprova a veracidade das Escrituras. As suas profecias foram anunciadas muito séculos antes de os eventos acontecerem com clareza e precisão. Por exemplo, a Bíblia cita o nome do rei Ciro e o que ele iria fazer cento e cinquenta anos antes de ele nascer (Is 45.1), registra cerca de trezentas profecias acerca de Cristo, centenas de anos antes do seu nascimento, e cada uma delas se cumpriu com exatidão.

Os críticos e incrédulos sugerem que por conhecer as profecias, Jesus agiu deliberadamente para cumprir o que estava predito. Porém, isso é humanamente impossível. Seria necessário a cumplicidade de um número considerável de personagens (reis, astrólogos, governadores, sacerdotes, militares) dispostos a manipular os eventos e manter esses arranjos sob sigilo. E isso sem falar em todas as pessoas envolvidas nos inúmeros milagres operados. A única explicação possível para o cumprimento específico dessas predições é de que o Eterno, onisciente, onipotente e soberano, revelou aos seus servos as coisas que haveriam de acontecer Am 3.7, (Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. p 17,18,19, 1ª edição: 2021).

Autoridade interna

Um livro que e inteiramente inspirado pelo Espírito Santo e que centenas de vexes repete: “Assim diz o Senhor”, impõe autoridade divina e exige respeito e reverência, devendo ser obedecido (Sl 119.4). Se for tirada a inspiração divina da Bíblia ela também perde a sua autoridade, e fica como uma arma de fogo sem munição. Mas a Bíblia é a Palavra de Deus.

Autoridade plena

A Bíblia é qualificada, por aqueles que creem nela, como a autoridade máxima. Eles não aceitam nenhuma imposição contrária à Bíblia, seja de que fonte for. Dizem como o apóstolo Pedro: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

Autoridade reconhecida

Jesus deu, quando aqui vivia como homem, um grande exemplo de respeito à autoridade das Escrituras, sendo classificadas por Ele como “A palavra de Deus” (Mt 15.3,6), e tendo afirmado também, conforme a palavra profética: “Eis aqui venho; no rolo do livro está escrito de mim: Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Sl 40.7,8). Essa profecia cumpriu-se quando Jesus disse: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4.34). Sempre citava as Escrituras nas suas pregações e palestras (Mt 12.3; Lc 10.26; Jo 10.34; Mt 21.16,42 etc). Dos 1.800 versículos usados para registrar as pregações de Jesus, 180 contêm citações das Escrituras (Bergstein, Eurico., Teologia Sistemática Introdução à Teologia Sistemática. Editora: CPAD. 1. ed.).

Evidências externas

As evidências externas são aquelas que, por meio da arqueologia, da história ou de tradições orais que são transmitidas de pais para filhos; remontam à verdade bíblica ao longo dos tempos. Esse conjunto externo de livros, achados arqueológicos ou testemunhas oculares (no caso do primeiro século da era cristã, registrado em escritos que chegaram até nós), evidenciam a verdade contida nesse grandioso livro.

A MENSAGEM DA BÍBLIA

A Bíblia é um livro poderoso e suficiente, sendo a única fonte necessária para a salvação do homem em Jesus Cristo. Nenhum outro livro pode oferecer essa tão grande graça. Apenas a Bíblia ter o poder de transformar o mais vil pecador, purificando o seu coração através de sua mensagem.

A Supremacia da Bíblia

Como já visto, a expressão latina Sola Scriptura indica que somente a Bíblia é regra infalível e autoridade final em matéria de fé e prática. Nossa Declaração de Fé professa que a Bíblia fornece o “conhecimento essencial e indispensável à nossa comunhão com o Pai Celeste e com o nosso próximo. Assim sendo, não necessitamos de uma nova revelação extraordinária ou pretensamente canônica para a nossa salvação e o nosso crescimento espiritual”. Desse modo, ratifica-se que a Bíblia Sagrada é a fonte final de autoridade. Na obra intitulada Do Cativeiro Babilônico da Igreja, ao questionar os dogmas e as indulgências praticadas pelo catolicismo, dentre outras abordagens, Lutero escreveu:

Contendemos pela firmeza e pureza da fé e das Escrituras […] Pois devemos estabelecer a distinção mais nítida possível entre o que nos foi entregue por Deus nos textos sagrados e o que foi inventado na Igreja pelos homens, não importa a eminência da santidade ou da erudição deles.

O reformador holandês Jacó Armínio (1560-1609) igualmente defendeu a supremacia das Escrituras:

Elas merecem obediência, pela credibilidade conferida a elas, quando ordena ou proíbe alguma coisa […] A autoridade de qualquer palavra ou texto depende de seu autor […] Deus é de infalível veracidade […] Ele é o autor das Escrituras, a autoridade delas depende total e exclusivamente dEle.

Nessa perspectiva, Armínio considerava que a perfeição das Escrituras era retirada e solapada quando “a inspiração perfeita dada aos profetas e apóstolos, que administram as Escrituras, é negada, e a necessidade e a frequente ocorrência de novas revelações depois daqueles homens santos são declaradas abertamente”. E no debate III “Sobre as Sagradas Escrituras e às tradições humanas”, Armínio assevera que todas as doutrinas necessárias para a salvação já nos foram transmitidas pelas Escrituras e que nenhuma tradição humana pode acrescer ou retirar alguma coisa (Ap 22.18,19). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Editora CPAD. p. 20,21, 1ª edição: 2021.

O poder da Palavra de Deus.

A Bíblia revela o seu poder de forma clara e inconfundível. Ela emprega uma metáfora para mostrar esse poder quando chama a si mesma de “a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.17). O seu poder é capaz de destruir as fortalezas de Satanás, como também pode penetrar no mais íntimo do ser humano. O próprio Senhor Jesus Cristo derrotou Satanás usando o poder das Escrituras Sagradas quando foi tentado por este no deserto. Jesus evitou qualquer outro argumento, abriu mão do uso de seus poderes sobrenaturais, característicos do seu ministério terreno, e disse apenas “está escrito”, e isso por três vezes. Citou a Lei de Moisés, o livro de Deuteronômio:”[…] Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4);”[…] Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus” (v. 7); […] Porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (v. 10). Soares. Esequias, Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Editora CPAD. p. 28.

O propósito da Bíblia

Qual é a importância da Bíblia para a vida das pessoas?

Existem várias maneiras de responder essa pergunta. Alguns dizem: “A Bíblia?

É apenas mais um livro. Alguns sábios provérbios aqui e ali misturados com muitas genealogias, mitos e visões loucas.”

Um segundo grupo responde algo como: “É claro que sei que a Bíblia é importante – pelo menos, é o que diz, meu pastor. Ele a cita o tempo todo e a balança no ar. Mas eu não a leio muito – não a entendo muito bem.”

Um terceiro grupo, porém, se alinharia com Sir Walter Scott, um famoso romancista e poeta inglês, que também era um cristão dedicado. Em seu leito de morte, Scott disse ao seu secretário: “Traga-me o Livro.” Seu secretário olhou para os milhares de livros na biblioteca de Scott e perguntou: “Qual deles, Dr. Scott?”

“O Livro”, respondeu Scott. “A Bíblia – o único livro para um moribundo!”

O cristão dedicado acrescentaria que a Bíblia não é apenas o único livro para o moribundo, mas também o é para o homem vivo, pois é a Palavra de Deus.

Em qual dessas três categorias você se encaixa?

Obviamente, o primeiro grupo representa a resposta típica do mundo secular. Ele não conhece Cristo e aceita apenas o que parece concordar com sua sabedoria humana. Para esse grupo, a Bíblia tem pouca importância e ainda menos autoridade.

O segundo grupo inclui muitos membros de igrejas e até mesmo alguns cristãos.

Eles sabem que a Bíblia é importante e que ela deveria ter prioridade e autoridade sobre suas vidas, mas não fazem uso pessoal dela. Negligenciam seus ensinamentos e raramente abrem a Bíblia. Dependem dos pastores, professores ou palestrantes, para que eles a expliquem para eles. Pouco aplicam o que as Escrituras ensinam. A Bíblia permanece um livro de regras misterioso, um tanto confuso, que eles devem engolir de maneira submissa, como uma vitamina amarga todos os dias antes do café da manhã.

O terceiro grupo vê a Bíblia de forma bem diferente. Para estes, as Escrituras vivem e estão repletas de verdades excitantes. Esse grupo não vive apenas de pão, “mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4). MacArthur., Jhon, Por que crer na Bíblia. Editora Thomas Nelson. 2. ed. 2017

CONCLUSÃO

A Bíblia é, portanto, a mensagem clara, objetiva, entendível, completa e amorosa de Deus, cujo alvo principal é, pela persuasão do Espírito Santo, levar-nos à redenção em Jesus Cristo. Nós a interpretamos sob a orientação do Espírito Santo, observando as regras gramaticais e o contexto histórico e literário. A Bíblia fornece-nos, ainda, o conhecimento essencial e indispensável à nossa comunhão com o Pai Celeste e com o nosso próximo. Assim sendo, não necessitamos de uma nova revelação extraordinária ou pretensamente canônica de uma nova revelação extraordinária ou pretensamente canônica para a nossa salvação e o nosso crescimento espiritual (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017).

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