EBD – A Coragem do Apóstolo Paulo diante da Morte

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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal” (2Co 4.11)

INTRODUÇÃO

O nosso tempo é marcado pelo imediatismo. Pouco de nós se prepara a morte. Aliás, só de ouvir a palavra “morte”, muda o humor, a tristeza domina o ambiente. A vida e o ministério de Paulo mostram que a coragem diante da morte não é escapismo, mas resultado concreto da dimensão profunda da fé que domina a vida do cristão. Essa dimensão salvífica mudou o olhar do apóstolo para o que faz sentido na vida concreta. Dessa forma, ter de escolher entre estar com Cristo e permanecer na Terra, o apóstolo não tinha dúvida: escolheria estar com Cristo. Para Paulo, permanecer neste mundo só se justificaria se fosse para desgastar-se pela causa do Evangelho.  

Ter coragem diante da morte. A Bíblia também nos ensina a respeito de como o crente deve lidar com a morte. Por isso, a lição desta semana é uma oportunidade de conscientizar a classe sobre ter coragem diante da morte a partir da vida no Espírito e da esperança cristã. Quando a nossa consciência tem uma imagem vívida da bendita esperança, somos motivados a perseverar diante do sofrimento, conforme as palavras do salmista (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4)

Nesta lição, veremos a definição do termo morte à luz da Bíblia; A consciência do Paulo quanto à padecer por Jesus; apontar a coragem para enfrentar as ameaças de morte; destacar as acusações e prisão de Paulo no Templo.   

DEFINIÇÃO DA PALAVRA MORTE

Definição do termo morte. “No sentido físico, é o término das atividades vitais do ser humano sobre a terra. É vista, nas Sagradas Escrituras como a consequência primordial do pecado (Rm 6.23)” (ANDRADE, 2006, p. 270).

A morte é também a separação da alma e espírito do corpo (Tg 2.26), pela qual o homem é introduzido no mundo invisível. A morte acontece apenas uma vez no curso natural para cada ser humano (Hb 9.27) e, embora seja certa (Jó 14.1,2), ninguém sabe quando ela chegará (Tg 4.13-15); mas ela é universal para a humanidade (Gn 3.19; Rm 5.12; 1Co 15,22).

Essa experiência descreve-se biblicamente como:

“dormir” (Dt 31.16; Jo 11.11);

“o desfazer da casa terrestre” (2Co 5.1);

“deixar este tabernáculo” (2Pe 1.14);

“descer ao silêncio” (Sl 115.17);

“expirar” (At 5.10);

“tornar-se em pó” (Gn 3.19); e

“partir” (Fp 1.23).

A CONSCIÊNCIA DE PAULO QUANTO A PADECER POR JESUS

Paulo partiu para Jerusalém em companhia de cristãos da Beréia, Tessalônica, Derbe e Éfeso, juntamente com Lucas e Timóteo. Sabia, com certeza, que sob alguns aspectos estava dando um passo temerário, porque na sua jornada se deteve em Mileto e mandou chamar os anciãos da At 20,4-6 igreja de Éfeso. Durante a conversa que teve com eles deu-lhes claramente a entender que não esperava revê-los. Sabia que o mais que podia esperar dos judeus eram “cadeias e tribulações”.

Todavia, como em ocasiões anteriores antepôs à sua segurança a glória do seu Amo e Senhor: “Mas não considero preciosa a minha própria vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e cumpra o ministério que recebi do Senhor Jesus, de dar testemunho ao evangelho da graça de Deus”. Quando chegou a Jerusalém, os temores e expectativas de Paulo se confirmaram plenamente. Relatos trazidos à Judéia por judeus forasteiros continham informações exageradas da ruptura de Paulo com o Judaísmo.

Não mencionavam as concessões que Paulo fizera às vezes aos preconceitos judaicos. Tiago, que era agora o chefe da igreja de Jerusalém, explicou-lhe mais cabalmente a situação: “Vês, irmão, como abraçaram a fé milhares de judeus e são todos zelosos partidários da Lei. Ora, ouviram dizer de ti que ensinas os judeus dispersos no meio dos gentios a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem mais seus filhos e não sigam os costumes” (Drame., Jhon. Paulo. Editora EP. pag. 97-98).

Depois que Paulo e seus companheiros se separam dos seus amigos amados de Éfeso, eles deixam Mileto de navio. De acordo com Atos, a partida marca o fim do ministério de Paulo na área egéia. Lucas narra as fases da viagem de Mileto a Tiro e nota que o navio para em vários portos. Ele parece esboçar a jornada dia a dia. O primeiro dia os leva à pequena ilha de Cós, cerca de sessenta e cinco quilômetros de Mileto. O vento é favorável, e o navio navega ao sul daquela ilha. No segundo dia, eles chegam ã grande ilha de Rodes, à sudoeste da Ásia Menor, e no terceiro dia, navegam a leste ao porto da cidade de Pátara, na costa sudeste de Lícia. Em Pátara, eles passam para um navio maior que ia à Fenícia. Eles navegam diretamente por mar aberto ao porto de Tiro. Paulo e seus companheiros passam ao sul de Chipre, onde Paulo e Barnabé tinham pregado na primeira viagem missionária (At 13.4-12).

Eles ancoram em Tiro, onde ficam durante alguns dias. Eles podem ter permanecido lá por causa das demoras causadas pela carga e descarga do navio ou por causa da necessidade de baldeação para um navio que fosse para Cesaréia. A demora em Tiro dá a Paulo e seus companheiros a oportunidade de encontrar os crentes de lá. Provavelmente a Igreja naquela cidade tinha sido estabelecida em resultado da difusão dos cristãos por perseguição (veja At 8.1-4; 11.19; cf. Lc 6.17; 10.13,14).

Talvez a comunidade cristã daquela localidade fosse pequena, visto que alguns dias depois, quando Paulo e seus amigos se preparavam para partir, “cada um com sua mulher e filhos” os acompanha até a praia para os despedir (v. 5). Depois de achar os crentes, Paulo e seus companheiros de viagem ficam com eles durante sete dias. Alguns deles têm o dom de profecia, e eles advertem Paulo sobre o que ele vai enfrentar em Jerusalém. “Pelo Espírito” eles o exortam a não ir àquela cidade (v. 4). Estes avisos inspirados parecem opostos à direção dada anteriormente pelo Espírito Santo (At 20.22,23).

O melhor modo de interpretar isto é que o Espírito revelou a estes profetas o sofrimento iminente de Paulo em Jerusalém, e eles de comum acordo o exortam a não ir. São os profetas, não o Espírito, que dizem ao apóstolo para não se apressar em ir àquela cidade que mata os profetas (Lc 13-34). Apesar das advertências, Paulo reconhece um impulso superior a seguir. Sua decisão de ir a Jerusalém foi tomada sob a direção do Espírito, e agora o Espírito continua impelindo-o para aquela cidade perigosa. Paulo sabe que cativeiro o espera, e avalia o custo. Embora os perigos sejam grandes, ele tem de seguir a direção do Espírito.

Quando chega o momento de Paulo e seus companheiros retomarem viagem, a cena da partida está cheia de ternura e emoção. Toda a comunidade cristã — homens, mulheres e crianças—os escoltam até ao navio. Estes crentes se ajoelham com Paulo e seus companheiros e oram fervorosamente para que Paulo seja levado com segurança pelos perigos que se aproximam. Depois de uma despedida afetuosa, os dois grupos cristãos seguem caminhos separados: “Subimos ao navio; e eles voltaram para casa”. A cena da partida deve ter permanecido uma memória querida para os cristãos em Tiro (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 751-752).

Após deixar a cidade de Tiro rumo a Cesareia, Paulo chegou a Ptolemaida, onde saudou os irmãos, permanecendo com eles por um dia (21.7). De Ptolemaida, o apóstolo viajou direto para a cidade de Cesareia, cerca de 64 km ao sul. Ali se hospedou na casa de Filipe, o evangelista, um dos sete diáconos da igreja de Jerusalém, cujas filhas eram profetisas (21.8,9). Filipe se estabelecera na cidade havia cerca de vinte anos (8.40). Desde então, sua família crescera (21.9). A magnífica cidade de Cesareia fora construída por Herodes, o Grande, para servir como porto para Jerusalém. Paulo se hospedou na casa de Filipe, que fugira de Jerusalém por causa da perseguição, quando Estêvão, seu companheiro, foi morto com a participação de Saulo. No passado Filipe teve de fugir do perseguidor Saulo. Agora os dois estão juntos como irmãos, o perseguidor como hóspede na casa do perseguido (LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 429).

A CORAGEM PARA ENFRENTAR AS AMEAÇAS DE MORTE

Muitos discípulos, bem como o profeta Ágabo, profetizaram dos sofrimentos que Paulo passaria se fosse a Jerusalém. Estes cristãos interpretaram a palavra profética como uma orientação pessoal a Paulo para que ele não fosse a Jerusalém. Paulo, embora reconhecesse a veracidade da revelação, não aceitou a sincera interpretação que os discípulos deram à profecia. Confiava na orientação pessoal do Espírito Santo e na Palavra de Deus aplicada pessoalmente a si para tomar uma decisão tão importante. No tocante ao nosso ministério futuro, devemos esperar numa palavra pessoal de Deus, e não meramente depender da palavra dos outros (STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995).

Muitos desejam realizar a obra do Senhor sem sofrimento, porém, precisamos entender que aprendemos muito na pedagogia da dor. Sofrer pela obra é sinônimo de amadurecer espiritualmente e pessoalmente. Um cristão que se propõe a labutar pela obra do Senhor precisa, com coragem, estar disposto a padecer e suportar as aflições como um bom soldado de Cristo

“Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2 Tm 2.3,4).

É apenas natural que, depois de ouvir essa mensagem, os amigos cristãos de Paulo lhe rogassem “que não subisse a Jerusalém”. Esse era o erro em sua resposta! Era somente “natural”. Esse foi um daqueles momentos em que a mensagem não pretendia mudar a ideia de Paulo, mas provocar um apoio intensificado de oração por ele. Novamente, aqui temos um paralelo com os últimos dias de Cristo. Quando Jesus falou da sua morte iminente, os seus discípulos responderam, rapidamente: “De modo nenhum” (Mt 16.22).

Quando os outros tomam uma decisão difícil, não devemos dificultá-la para eles, insistindo que tomem um caminho mais fácil. Devemos dar-lhes nosso apoio, prometer nossas orações e dizer, como os cristãos de Cesareia finalmente disseram: “Faça-se a vontade do Senhor!” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2021).

O Espírito Santo era a fonte de sua coragem para morrer pela causa do Evangelho. Como estudamos em lições anteriores, o Espírito Santo impulsionava o ministério apostólico de Paulo. Ele enchia o apóstolo e falava-lhe ao coração para fazer a vontade divina, mesmo que isso significasse correr riscos fatais pela causa do Evangelho (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

Depois de ouvir a mensagem profética de que enfrentaria o risco de vida em Jerusalém, Paulo sabia que o Espírito em nenhuma vez ordenou que ele não fosse para lá, apenas o alertou para as ameaças. A voz do Espírito em seu interior e a convicção de que seu ministério estava chegando ao fim aqui na terra dava-lhe coragem suficiente para enfrentar toda e qualquer ameaça (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2021).

ACUSAÇÕES E A PRISÃO DE PAULO NO TEMPLO

Chegando em Jerusalém, o apóstolo Paulo recebeu duras calúnias por parte de seus oponentes. Foram todos os tipos de acusações que foram capazes de levantar a turba contra ele. Os judeus modificaram as palavras do apóstolo, fazendo com que elas parecessem ditas pela boca do próprio Paulo.

Paulo fora caluniado pelos seus oponentes judeus como uma pessoa que rejeitara os costumes judaicos e a legislação do Antigo Testamento. Para corrigir essa falsa crença, os líderes da igreja de Jerusalém sugeriram que o apóstolo completasse seus votos nazireus com quatro outros e, assim, publicamente se identificasse como uma pessoa que guardou os costumes judaicos (RICHARDS, Lawrence. Guia Didático do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2021).

Quando viram Paulo no Templo, começaram a alvoroçar a todos quantos podiam ouvi-los contra Paulo, acusando-o de inimigo de Moisés e profanador do Templo. Os homens que ouviram os incitadores do alvoroço agarraram Paulo e arrastaram-no para fora do Templo, fechando as portas. Essa gente começou a pedir o linchamento ou apedrejamento de Paulo, e a notícia chegou ao Comandante chamado Claudio Lísias, que investigou o problema e prendeu e algemou a Paulo e levou-o para o quartel-general, que ficava na Torre Antônia, onde colocavam seus presos (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2021).

O QUE DEVE FAZER O CRENTE DIANTE DA MORTE

No final da sua terceira viagem missionária, Paulo foi preso em Jerusalém. Alguns judeus queriam matá-lo, e ele continuou durante mais de quatro anos encarando a possibilidade de ser condenado à morte. Ele disse aos cristãos de Filipos que não estava com medo da morte (Fp 1.19-21). Notemos como Paulo encarou a possibilidade da morte:

  1. Ter esperança, apesar do luto.

É natural que a experiência da separação de um ente querido traga dor, angústia, tristeza e saudade. O luto chega de forma inesperada na vida de qualquer pessoa. Mas a promessa do Mestre de Nazaré ainda se sobrepõe a qualquer vicissitude existencial: “[…] quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25; 1Ts 4.13-18).

2. Ter a morte de Cristo como a certeza da vida eterna.

O apóstolo Paulo tinha a convicção de que a cruz de Cristo é o âmago do Evangelho (1Co 1.17), do novo nascimento e da vida eterna. Hoje só amamos o Senhor porque Ele nos amou primeiro (1Jo 4.19). Por isso, pela sua morte, e morte de cruz, temos, nEle, a vida eterna.

3. Ter a morte como o desfrutar da eternidade.

O apóstolo Pedro lembra dessa fé quando nos exorta: “[…] alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis” (1Pe 4.13).

Para o crente a morte não é o fim, mas o início de uma extraordinária e plena vida com Cristo (Fp 1.23). É a certeza de que o seu “aguilhão” foi retirado de uma vez por todas, selando o passaporte oficial para a vida eterna em Jesus (1Co 15.55; Os 13.14). Um dia nosso corpo será plenamente arrebatado do poder da morte (Rm 8.11; 1Ts 4.16,17).

CONCLUSÃO

Para o verdadeiro cristão, a morte é lucro, pois é partindo para a eternidade que podemos estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher; Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fp 1.21-23).

A Bíblia nos ensina que não devemos enxergar a morte como uma derrota, pois o evangelho ressalta a esperança da ressurreição em Cristo quando a morte será vencida

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto, que é corruptível, se revista da incorruptibilidade, e que isto, que é mortal, se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.” (1Co 15.51-54).

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