EBD – Paulo, o Discipulador de Vidas

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus. E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas.” (Atos 15.40,41)

Estudaremos os aspectos gerais do discipulado, com ênfase para o papel de Paulo no processo do discipulado nas igrejas que plantou. Observaremos que esse foi o meio que o Senhor concedeu para que os novos convertidos fossem ensinados segundo o caráter de Cristo.

Nesta lição pautaremos o apóstolo Paulo com o discipulado bíblico, destacaremos a integralidade da missão no Discipulado: pregar e ensinar, e por fim explicaremos o discipulado com pessoas de outras culturas.

DEFINIÇÕES

Discípulo. A palavra “discípulo”, no latim, significa “aluno”, “aprendiz”. O termo hebraico: “talmid” vem de “talmad”, que também significa: “aprender” (1Rs 20.35: 2Rs 2.3,5,7,15; 2R 4.1,38; 2Rs 5.22; 1Cr 25.8; Is 8.16; 19.11; 50.4). A palavra grega correspondente é “mathetes”, de onde se deriva a palavra que significa “aprender”. Embora o grupo dos doze apóstolos seja denominado de discípulos, biblicamente todo aquele que segue a Jesus é também um discípulo (Mt 5.1; Jo 2.12). O apóstolo Paulo chega a dizer que o verdadeiro discípulo tem a “mente de Cristo” (1Co 2.16). O discípulo, portanto, deve agir e reagir como se fora o Senhor mesmo (CIDACO, 1996, pp. 104,105). A palavra “discípulo” está relacionada à ideia de “disciplina” e isso é muito instrutivo, porque, acima de tudo, dos verdadeiros discípulos requer-se disciplina (MERRILL, 2010, vol. 1. p. 189).

Discipulado. A palavra discipulado tem de origem na palavra latina: “discipulatus”. É o trabalho cristão efetuado pelos membros da igreja, a fim de fazer dos novos crentes – crianças, jovens e adultos – autênticos cristãos, cujas vidas se assemelham em palavras e obras ao ideal apresentado pelo Senhor Jesus Cristo (Mt 28.18-20; Cl 1.28,29; Ef 4.13-16). A igreja precisa, no discipulado cristão, de uma visão celestial multiplicadora, selecionando e treinando homens, mulheres, crianças, jovens e idosos para que, por suas vidas santas e pelo ensino das verdades cristãs possam educar os novos discípulos e torná-los aptos a fazer outros.

A NECESSIDADE DO ENSINO NA IGREJA

Pregar e ensinar são uma missão integral da Igreja de Cristo. É necessário pregar o Evangelho, mas também é preciso formar pessoas segundo o Evangelho de nosso Senhor. Para isso existe o discipulado cristão. O ministério de Paulo nos ensina que, ao plantar igrejas, o apóstolo procurava sempre as confirmar, ou seja, averiguar conforme elas estavam progredindo na fé em Cristo (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

A pregação do Evangelho é o anúncio das boas-novas de salvação, é levar a mensagem que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e leva para o céu, mensagem esta que, pregada pela Igreja, é misturada com a fé salvadora pelo Espírito Santo (Hb 4.2), que convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), levando-o ao arrependimento. Segue-se, então, o perdão dos pecados, a conversão, a justificação, a adoção como filho de Deus e a santificação posicional. Aquele que crê em Jesus como seu único e suficiente Salvador nasce de novo, da água e do Espírito, passa a pertencer à Igreja, passa a ser um filho de Deus.

“Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram.” (Hb 4.2)

“E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8)

Entretanto, assim como ocorre na vida física, também na vida espiritual temos que aquele que acabou de nascer, ou seja, o “neonato” (ou recém-nascido até completar primeiro mês de nascido), é alguém que não tem condições de, imediatamente, andar por si só, viver por conta própria, caminhar com suas próprias forças até o dia em que se encontrará com o Senhor nos ares. A vida espiritual, ensinam-nos as Escrituras, é um combate diuturno contra o mal e o pecado, uma luta sem tréguas, em que “remamos contra a maré”, contra o curso deste mundo:

“em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência” (Ef 2.2).

Quando alguém entrega a sua vida a Cristo, esse novo convertido não tem conhecimento algum a respeito das coisas de Deus, a respeito da vida com o Senhor Jesus. Embora tenha recebido uma nova natureza, embora seu espírito tenha se ligado novamente a Deus, ante a remoção dos pecados, é um ser humano e, como tal, precisa ser ensinado a respeito do Senhor, ensino este que deve ser proporcionado pela Igreja, que é a quem o Senhor cometeu esta tarefa sobre a face da Terra. Jesus é quem Salva, mas compete a Igreja fazer discípulo.

“ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! (Mt 28.20)

PAULO E O DISCIPULADO BÍBLICO

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mt 28.19,20)

O mandamento divino executado pela igreja primitiva, e pelos crentes fiéis de todos os tempos, convida a todos a entender o propósito do evangelho: fazer discípulos em todas as nações (Mt 28.19). Essa busca não deve ser etnográfica, mas sim mundial, preparando mais e mais aqueles que abrem o seu coração e recebem de bom grado o evangelho, reconhecendo a Cristo como Único e Suficiente Salvador de suas vidas. Contudo, sabemos e entendemos que o papel missionário da igreja não se limita apenas em entregar literaturas, realizar cultos relâmpagos e agregar um bom número de conversões. Devemos entender que assim como a igreja primitiva nos deixou de exemplo, a ação pós conversão tem uma posição fundamental na vida de todo novo convertido. Essa ação chama-se discipulado. Olhando para a vida de Paulo, entendemos que o seu ministério nos ensina que esse processo é de fundamental importância para o crescimento da igreja. Uma igreja não é grande por causa de seus belos templos, mas sim de seus fortes crentes. Paulo, então, nos deixa o modelo: pregação e discipulado.

Paulo dava o primeiro passo pregando o evangelho e convencendo as pessoas acerca de Cristo, e, onde chegasse, preocupava-se em ensinar os primeiros discípulos. Seu estilo itinerante não o deixava ficar muito tempo em um único lugar, senão o necessário para firmar os novos convertidos; e, depois, ia adiante, mas deixava ou enviava alguém experimentado para continuar o discipulado dos novos discípulos (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 99, 2021).

O apóstolo Paulo preocupava-se em fortalecer aqueles que recebiam a Cristo como Salvador de suas vidas. Ele também entendia que o discipulado deveria estar nas mãos de pessoas idôneas e preparadas, a fim de ensinar e defender o evangelho de maneira firme.

Portanto, devemos entender que o papel do ensino cristão em nossas igrejas não deve ser confiado nas mãos de pessoas sem compromisso com o verdadeiro ensino bíblico, pois isso significaria o fracasso do discipulado em nossos templos.

O ministério do apóstolo Paulo está diretamente relacionado com o discipulado cristão. O discipulado aparece como ordem do Senhor Jesus na Grande Comissão (Mt 28.19,20). Assim, o apóstolo observou essa ordenança com fidelidade à medida que pregava o Evangelho e discipulava os novos crentes. Seu método era simples: pregação, plantação de igrejas e formação de novos crentes (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

Naturalmente, Paulo não inventou nenhum outro método. Ele fez uso exatamente daquele que Jesus deixou para os seus discípulos, como vemos em Mateus 28.19,20:

 “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”.

Esse método simples e objetivo não mudou no modo de evangelizar e discipular, pois Paulo foi um discipulador distinto, porque, após a sua conversão, o seu afã de defender o nome de Jesus, principalmente diante dos judeus, fez com que ele tivesse a necessidade de conhecer mais profundamente acerca de Jesus (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 98,99, 2021).

O DISCIPULADO E A MISSÃO INTEGRAL DE PREGAR E ENSINAR

A igreja deve ir a todo o mundo e pregar o evangelho a todos, de conformidade com a revelação no Novo Testamento, da parte de Cristo e dos apóstolos. Esta tarefa inclui a responsabilidade primordial de enviar missionários a todas as nações […] O propósito da Grande Comissão é fazer discípulos que observarão os mandamentos de Cristo. Este é o único imperativo direto no texto original deste versículo. A intenção de Cristo não é que o evangelismo e o testemunho missionário resultem apenas em decisões de conversão. As energias espirituais não devem ser concentradas meramente em aumentar o número de membros da igreja, mas, sim, em fazer discípulos que se separam do mundo, que observam os mandamentos de Cristo e que o seguem de todo o coração, mente e vontade (STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995).

O processo “pregação/discipulado” não é algo distinto, mas sim um trabalho onde ocorre o princípio e complemento. O princípio ativo é a pregação do evangelho, onde através da operação e ação direta do Espírito Santo, o não crente é convencido de seu pecado e reconhece a Cristo como Salvador de sua vida. O complemento é o discipulado, responsável pelo “confirmar” do novo crente, e fazer com que esse novo crente seja chamado de discípulo de Cristo, entendendo e seguindo todos os seus ensinamentos. A igreja local não pode se furtar desse processo. Estamos falando de um povo que foi chamado para ser o canal por onde os ensinos de Cristo e o Seu amor é recebido. Negligenciar essa tarefa é permitir que os novos crentes sejam doutrinados por outras fontes, acreditando em todo tipo de balela exposta, principalmente pela internet ou novelas.

Em Paulo, vemos que a pregação é o ponto de partida. Já o discipulado é o processo formativo a partir das minúcias do Evangelho. Assim, a Palavra de Deus deixa claro que a igreja local deve ser um local de pregação com autoridade do Evangelho e, ao mesmo tempo, uma agência que ensina a Bíblia de maneira sistemática e didática a todo crente. Pregar e ensinar: eis a nobre e integral missão da Igreja de Cristo (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

No dia de Pentecostes, tudo começou quando Pedro levantou-se dentre as 120 pessoas cheias do Espírito Santo e começou a pregar com autoridade e conhecimento sobre quem era Jesus:

“Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras.”  (At 2.14).

Pedro fez um sermão, inspirado pelo Espírito Santo, centrado no Cristo crucificado e ressuscitado para convencer as pessoas de que não anunciava uma religião, mas uma Pessoa gloriosa (At 2.14-36) […] A graça, a unção e o conhecimento revelado por Pedro deixou a multidão perplexa, e quase três mil pessoas reconheceram a Jesus como o Salvador e Senhor enviado por Deus (At 2.37-41). Imagine um número de quase 120 pessoas, e, de repente, agregam-se quase três mil almas sedentas de saber mais sobre Jesus Cristo. Imediatamente, os apóstolos entenderam que o trabalho de discipulado deveria começar ensinando aquelas pessoas com a doutrina que receberam de Cristo (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 101, 2021).

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade. E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.42-47).

O DISCIPULADO COM PESSOAS DE OUTRAS CULTURAS

Havia na mente dos apóstolos, mesmo depois de terem ouvido do próprio Senhor Jesus, que o evangelho seria restrito aos judeus. Entendiam aqueles homens escolhidos pelo Senhor para serem seu representante no mundo inteiro que, em primeiro lugar, o mundo judeu deveria ser evangelizado, depois os gentios. Inicialmente, a ideia que prevalecia na mente dos apóstolos era a pregação para os judeus. Foi isso que os apóstolos fizeram a princípio (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 102, 2021).

O evangelho não veio para ser limitado a um povo. O poder de Deus para todo aquele que crê deveria ser entregue a todos os povos. O chamado de Paulo para o ministério que Deus reservou para ele foi fundamental para essa difusão do evangelho dentre os gentios, o que impulsionou ainda mais a mensagem de Cristo em todas as nações.

O modo dramático como Saulo de Tarso sentiu desmoronar o seu orgulho religioso demonstra que “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias […] para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1 Co 1.27,29). Os desígnios de Deus vão muito além da nossa capacidade de entendê-los […] Não há dúvidas que Paulo teve um ministério completo: pregando, ensinando e preparando líderes para as igrejas plantadas por ele (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 103,104, 2021).

O ministério de Paulo enfrentou o desafio de ensinar pessoas de diferentes culturas. Por exemplo, analisando a Carta aos Romanos mostra que o público-alvo era constituído de judeus e gentios cristãos. Por isso, no capítulo 14 da carta, o apóstolo trabalha a ideia da tolerância em que esses grupos devem praticar entre eles. O desafio era cuidar da unidade no que era essencial. O processo do discipulado nos traz desafios em que o choque de culturas aparecerá inevitavelmente. Isso aconteceu em Romanos, aos coríntios, aos tessalonicenses. O discipulado cristão traz desafios culturais (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

Nos primeiros anos de vida da igreja, ela não ficou restrita aos judeus, porque Jesus escolheu um homem tenaz e valente chamado Saulo de Tarso, que era um temido inimigo de Cristo e da igreja […] Deus escolheu um homem, perseguidor dos seguidores de Cristo, porém altamente preparado intelectual, política e religiosamente para ser um “vaso escolhido” para levar o nome de Jesus diante dos gentios e, também, dos judeus (At 9.15) […] Paulo tornou-se um pregador ardoroso do evangelho de Cristo e um plantador de igrejas entre os gentios. Além de pregador e mestre, ele dedicou-se a discipular homens especiais, à semelhança do que Jesus fez, para darem continuidade ao seu trabalho inicial (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 103, 2021).

Discipular uma vida não é apenas mostrar-lhe quem é Jesus, mas fazê-lo parecer com Jesus e, mais do que isto, passar a não mais viver, mas permitir que Jesus venha a viver nele. Quando assim fazemos, e só podemos fazê-lo se nós mesmos não mais estiverem vivendo, mas Jesus em nós, teremos sido exitosos em nossa tarefa, fazendo de alguém um crente.

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2.20)

Por fim, é importante observar que, embora Paulo fosse ensinador e mestre na Igreja, esta tarefa não é apenas do apóstolo ou de quem é chamado por Deus com os dons de ensino e de mestre. Toda a Igreja é chamada a fazer discípulos na Grande Comissão, conforme se verifica de Mt 28.19,20 e o próprio Paulo diz que os crentes devem ensinar uns aos outros:

“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Cl 3.16)

Desse modo todos, não de modo integral e total, como Paulo e os que o Senhor tem chamado e dado estes dons, em uma certa medida, precisamos mostrar Cristo aos outros, Cristo que deve estar em nós. Temos feito isto?

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