EBD – “Jesus Cristo, e Este Crucificado” – A Mensagem do Apóstolo

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos.” (1Co 1.23)

Introdução

 Os judeus buscavam nos discursos poder e glória, ter uma imagem de Cristo crucificado era confronta-los. Era contraria as suas expectativas e ficaram escandalizados com a cruz porque parecia fraqueza e derrota. E por isso tropeçaram na fraqueza da cruz, porque lhes parecia loucura. Havia um paradoxo entre sabedoria e loucura, pois os gregos, em especial, enfatizavam a importância da sabedoria dos filósofos, mas não viam sabedoria na cruz. No tempo de Paulo, o povo sofria com o império romano. “Os romanos roubavam, assassinavam, pilhavam e chamavam o resultado de império; e onde criavam desolação, davam o nome de “paz”, relatou um dos historiadores da época. Um dos meios para controlar o povo era o evangelho: “boa-nova”, “boa notícia”. Notícias de interesse do império e decretos do imperador eram apresentados como evangelho. Por exemplo, ele era usado para anunciar o imperador como “filho divino e salvador” por ter estabelecido a paz sobre a terra. Com esses evangelhos, o imperador ditava e moldava o cotidiano do povo dominado para impor e legitimar o poder e a dominação, como também para a cobrança sistemática de impostos, o monopólio do comércio e a implantação da religião e da cultura. O evangelho de Jesus anunciado por Paulo e suas comunidades, ao contrário da versão do império, visava à dignidade das pessoas (SOARES, Josaphat Batista). A pregação de Paulo era loucura para os gregos.   

 O objetivo desta lição é ressaltar o centro da mensagem cristã: Jesus, e este crucificado. O apóstolo descobriu essa verdade sobre o Cristo Ressurreto e, como consequência, fez de sua missão de vida pregar o Evangelho por meio do Crucificado aos gentios. Nesse sentido, o Crucificado é o centro da mensagem apostólica. Logo, a vida e o ministério de Paulo estimulam-nos a ter esse mesmo propósito e firme compromisso com a mensagem da Cruz (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

QUAL A CENTRALIDADE DA PREGAÇÃO DE PAULO

 O conteúdo da pregação de Paulo não foi segundo a última expressão da “sabedoria” humana, quer no mundo, que na igreja. Antes, concentrava sua atenção, na verdade central do evangelho (a redenção de Cristo) e no poder do Espírito Santo. Ele tinha plena consciência das suas limitações humanas, da sua insuficiência pessoal e dos seus temores e tremores interiores. Daí, ele não depender de si mesmo, mas da sua mensagem bíblica e do Espírito Santo (STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995).

“porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.12).

Paulo pregou uma mensagem de escândalo para judeus e de loucura para os que perecem. Onde já se viu alguém que morreu como o mais indigno dos homens promover a redenção de toda a humanidade? Pensavam eles. Contudo, é através dessa pregação, chamada loucura dentre os que perecem que enxergamos o poder de Deus e o Seu amor para com toda a humanidade perdida.

“Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1.24).

Paulo enfatiza que o centro de sua mensagem é Jesus Cristo, especialmente a sua crucificação. “Crucificado” é um particípio em grego. Esta forma do verbo é significativa porque retrata Cristo como crucificado no passado, com os benefícios de sua morte continuando no tempo presente. A crucificação é permanente em sua eficácia (ARRIGTON, French L.; STROSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p.938, 2006).

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18).

QUAIS AS EXPRESSÕES-CHAVE NA DOUTRINA DE PAULO

Três expressões se sobressaem na mensagem de Paulo, e são características de seus escritos: “Evangelho de Cristo”; “Cristo Crucificado” e “Cristo ressurreto”. Cada uma ocupa um significado expressivo no discurso do apóstolo. Vejamos o destaque separado pelo Pastor Elienai Cabral:

1 – O Evangelho era o termo central da teologia de Paulo […] O significado original da palavra evangelho no grego do Novo Testamento é euangelion. O prefixo “eu” é uma forma neutra desse termo, que significa “bom, bem-feito”. Por isso, a palavra evangelho tem o significado de “boa nova; boa notícia que leva às pessoas” […] Paulo sempre identificava sua pregação como “o evangelho de Deus”.

2 – O Cristo Crucificado diante dos judeus foi inaceitável tanto quanto foi loucura para os gentios. A crucificação era para os judeus a mais degradante e vergonhosa das mortes que os romanos faziam. Por isso, um Cristo poderoso, Filho de Deus e o Messias Prometido não podia ser aquEle que foi crucificado pelos romanos. Mas Paulo entendeu pelo Espírito que o “Cristo Crucificado” era “poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1.24).

Esta é a mensagem que precisa ser resgatada no arraial evangélico: “O Cristo crucificado e ressuscitado”. Está faltando nos nossos púlpitos evangélicos mensagens que centralizem a morte de Jesus e sua ressurreição, não apenas em datas comemorativas, mas sempre. A doutrina da expeiação precisa ser mais pregada e ensinada. Somos tentados a pregar temas modernos com linguagem rebuscada na sabedoria secular, mas o Espírito quer resgatar o conteúdo de nossa mensagem voltando às origens do evangelho que não se envergonha da cruz de Cristo.

3 – Se Cristo tivesse apenas morrido e não tivesse ressuscitado, o Evangelho seria nulo, mas foi a sua ressurreição que anulou por completo o domínio do pecado e propiciou a nossa justificação perante o Senhor. A cruz de Cristo não é de somenos importância na doutrina da expiação, porque é a ressurreição de Cristo que dá sentido à cruz, sendo esta o verdadeiro centro de gravidade da obra soteriológica de Deus (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 66,67,68,69,2021).

Expressões como “Evangelho de Cristo”, “Cristo Crucificado” e “Cristo Ressurreto” são trabalhadas de modo a resumir o conteúdo da mensagem do apóstolo dos gentios. Podemos dizer que o Evangelho de Cristo pode ser sintetizado no “Cristo Crucificado” e no “Cristo Ressurreto” (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

QUAIS OS EFEITOS DA MENSAGEM DA CRUZ

 Os que creem em Jesus, os que ouvem a “palavra da cruz”, entretanto, percebem que esta cruz não é nem escândalo, nem tampouco loucura, mas, sim, “poder de Deus” e “sabedoria de Deus”. “…Quando o mundo, pela sua sabedoria, não conheceu a Deus na sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os homens usando um meio que aos sábios parece loucura; é por isso que tornou ineficaz a inteligência e o raciocínio humanos. Essas qualidades do homem, assim como muitas outras, foram postas de lado, dando lugar à palavra da cruz, caminho único para conhecermos e agradarmos a Deus: ‘Cristo crucificado, para salvar os que creem’…” (NYSTRÖM, Samuel. Jesus Cristo, nossa glória. 2.ed., p.35).

– “…Para entrarmos na posse dessa sabedoria tão elevada — Cristo crucificado — desde os tipos e sombras do Velho Testamento até as realidades efetivas do Novo, não nos bastaria um esclarecimento teórico, mas uma experiência, como diz Pedro: ‘graça e paz vos sejam multiplicadas no pleno conhecimento (epignosis) de Deus e de Jesus nosso Senhor, visto que o Seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento dAquele que nos chamou por Sua glória e virtude’. Quem estiver ‘sem fruto, no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, é cego, vendo só o que está de perto, porque se tem esquecido da purificação dos seus pecados antigos’,

“eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: graça e paz vos sejam multiplicadas. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós que, mediante a fé, estais guardados na virtude de Deus, para a salvação já prestes para se revelar no último tempo, em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso” (1Pe. 1.2,3-8).

Portanto não se trata somente de conhecer Cristo por tradição ou leitura, mas de ter uma íntima comunhão com Ele, em pessoa, na vida diária, dando-lhe o lugar de Senhor na direção dos sentimentos, pensamentos, palavras e ações.…” (NYSTRÖM, Samuel. op.cit. pp.52-3)

A mensagem da cruz não somente abrange a sabedoria e a verdade, mas também o poder ativo de Deus, para salvar, curar, expulsar demônios e redimir as almas do poder do pecado […] É mediante Cristo, em Cristo e com Cristo, que o crente recebe a sabedoria da parte de Deus e experimenta a justiça (Rm 4.3,13,14,16,20,21-25), a santificação (2 Ts 2.13-15) e redenção (Rm 3.24; Ef 4.30). Enquanto estivermos ligados com Cristo, Ele é fonte de todas essas bênçãos (STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995).

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

Não podemos deixar de pregar a mensagem da cruz ao pecador. É uma mensagem de poder. Somos instados pelo Espírito Santo a proclamá-la com autoridade. Ao mesmo tempo, somos chamados a viver de maneira humilde, pois a mensagem da cruz nos constrange a uma atitude singela e abnegada. É uma mensagem que nos faz contritos diante de Deus.

“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

E, finalmente, somos estimulados a viver na dependência do Espírito Santo de Deus na obra da proclamação do Evangelho. Sem o Espírito Santo não podemos ser bem-sucedidos. A mensagem da cruz nos faz depender menos de nós mesmos e mais do Espírito Santo. Essa mensagem traz a verdadeira sabedoria para a vida. Amemos, portanto, a mensagem da cruz e a proclamemos até a morte! (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

“Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” (1Co 1.20)

Hoje, regenerados pelo poder do Evangelho, somos transformados para viver uma vida de humildade e dependência diante de Deus. E não somente isto, transformados pelo Espírito Santo somos movidos a desejar que outras pessoas também sejam participantes do poder do Evangelho. Desprezar a transmissão da mensagem que transforma é reter a graça divina para quem precisa, pois, do mesmo jeito que ela chegou até nós, devemos fazer com que ela chegue até mais e mais necessitados dessa mudança realizada pelo poder do Evangelho.

 A ideia de que Cristo “morreu por nossos pecados” está profundamente arraigada na teologia do Novo Testamento. A mensagem da cruz não pode perder o seu poder atrativo e contundente para a mente do pecador. A Igreja de Cristo, ante de ser uma comunidade social, é uma instituição missionária. A sua mensagem é única e singular: Jesus, o Crucificado. A salvação não se concede por mérito algum, senão pela obra expiatória de Cristo (CABRAL, Elienai. O Apóstolo Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, p. 70,2021).

Conclusão

A mensagem da cruz não pode ser ignorada pela Igreja. O Cristo Crucificado e Ressurreto. Essa mensagem traz escândalo à sociedade, mas poder para nós. A mensagem salva, cura, liberta o pecador, e simultaneamente nos revela uma vida de poder de Deus, humildade e dependência do Espírito Santo. A mensagem gloriosa da cruz transforma o homem por inteiro, espírito, alma e corpo.

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