EBD – Paulo, a Vocação para Ser Apóstolo

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo” (1Co 1.1)

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos numa maneira bem visível a vocação de Paulo, destacaremos que a vocação de Paulo foi efetivada pelo Cristo Ressurreto e pautaremos a vocação de Paulo com o aprendizado no deserto. Teremos uma visão geral como Deus usa o tempo e as circunstâncias para formar um ministério útil para o Reino de Deus.

DEFINIÇÃO DA PALAVRA VOCAÇÃO

Definição no sentido secular

Conforme o dicionarista Antônio Houaiss o termo vocação significa: Ato ou efeito de chamar-se; denominação. Apelo ou inclinação para o sacerdócio, para a vida religiosa. Disposição natural e espontânea que orienta uma pessoa no sentido de uma atividade, uma função ou profissão; pendor, propensão, tendência. Chamamento de alguém para exercer certa função obrigatória ou para a posse de um direito (HOUAISS, 2001, p. 2877).

Definição teológica.

Do latim: “vocatione”, chamamento. Ato de chamar, escolher. A vocação divina pode ser compreendida de dois modos distintos: a geral e a específica.

Geral. Toda a humanidade, de maneira indistinta, é convocada a participar gratuitamente dos benefícios do Evangelho com base nos méritos da morte de Cristo (Jo 3.16; Mt 28.18,19).

Específica. Embora todos sejam convidados a usufruir dos meios da graça nem todos serão convocados a exercer ministério da Palavra (Ef 4.8-11). É um caso que depende única e exclusivamente dos desígnios e da soberania de Deus. (ANDRADE, 1998 p. 289).

A palavra “vocação” (lat. Vocatio, onis), da mesma raiz do verbo vocare, significa tendência, inclinação natural a alguma coisa, propensão, queda, chamada divina para alguma obra, missão ou vida religiosa. Mediante essa tendência, cada um dedica alguma atividade de seu gosto (DANTAS Anísio Batista, 2005 p. 39).

Às vezes, a pessoa vocacionada vem desenvolvendo aquele potencial gradativamente até chegar a uma posição definida. Há caso que contrariam esse princípio, como daqueles homens que foram vocacionados por Deus para tarefas que não estavam em suas cogitações, como por exemplo: Moisés, Isaías, Jeremias e Amós, no Antigo Testamento; Barnabé, Paulo e outros, no Novo Testamento (DANTAS Anísio Batista, 2005 p. 40). 

É de extremo valor a participação da igreja e a cooperação ou aprovação do Espírito Santo. Seu concurso é tão importante que poderíamos até dizer que, sem esta, ficaria difícil a chamada de um homem para o ministério da Palavra. É ela a fonte mais importante na escolha. A conversão do candidato, sua regeneração, seu amor ao trabalho, sua dedicação, seu zelo à igreja local serão facilmente percebidos. A igreja local é testemunha da vida do obreiro. Por outro lado, o Espírito Santo fala ao coração, inspira amor aos perdidos, dá convicção, apela a seu espírito e fá-lo sentir sua pequenez (DANTAS Anísio Batista, 2005 p. 40).          

UMA VOCAÇÃO EFETIVADA PELO CRISTO

A conversão do apóstolo Paulo aconteceu após a ressurreição de Cristo, e devido a isso, alguns cristãos influenciados pelo judaísmo questionavam a legitimidade do seu apostolado

“Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor” (1 Co 9.2).

Por essa razão Paulo defende o seu chamado usando os seguintes argumentos:

O chamado de Paulo foi feito pelo próprio Senhor Jesus.

A conversão de Saulo ocorreu após a morte e ressurreição do Senhor Jesus (At 9.1-18). Logo, ele não tinha as “credenciais” que eram comuns aos demais apóstolos (At 1.21,22). Mas, o Senhor o chamou para este ministério, embora ele se considerasse indigno como dizendo ser “…o menor dos apóstolos” (1Co 15.8,9).

Paulo enfrentou muitas oposições por parte dos falsos mestres que questionavam sua autoridade apostólica. Por essa razão, na epístola aos Gálatas (1.1) Ele apresenta-se:

“Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos).

Em outras ocasiões reafirma esse chamado feito pelo Senhor (1Co 1.1). Além disso, em suas cartas, ele ressalta repetidas vezes que foi chamado para ser o “apóstolo dos gentios” (Rm 11.13; 15.15,16; Gl 1.16; 2.7,8).

Um chamado confirmado por sinais.

O apóstolo, além de reivindicar o seu apostolado como um chamado divino, afirma que o seu apostolado foi confirmado por sinais:

“Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós, com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas” (2Co 12.12).

Isso era a confirmação de Deus; assim como ocorreu com Pedro, estava agora acontecendo com Paulo:

“…porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios…” (Gl 2.8).

Dessa forma, os milagres autenticavam Paulo como apóstolo de Cristo.

Um chamado confirmado pelo trabalho.

O apóstolo Paulo quando defendia seu apostolado, trazia a memória que o seu eficiente trabalho entre os coríntios era uma das garantias de que Deus o havia chamado; para isso Paulo usa a figura de um selo:

“… porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor…” (1Co 9.2). O “Selo” era uma figura cortada em pedra e colocada em um anel no qual se gravavam letras de autoridade. […] . Paulo utilizou esta figura para expressar o fato de que a própria conversão deles era prova de sua autoridade apostólica. (DAKE, 2010, p. 2042).

Com isso, Paulo lembra que a própria experiência deles (os Coríntios) como igreja era o selo do seu apostolado no Senhor. Em outra ocasião, o apóstolo declara que trabalhou mais que os outros apóstolos. Fica evidente que o trabalho de Paulo o confirma com apóstolo

“Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1Co 15.10).

Um chamado confirmado pela visão do Cristo Ressurreto.

Um dos critérios para o apostolado era ser testemunha da ressurreição: “…ao dia em que dentre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição” (At 1.22). Outros textos evidenciam esse fato (At 2:32; 3:15; 4:33); e Paulo cumpria esse critério, pois tinha visto Jesus, o Cristo ressurreto, na estrada para Damasco (At 9:4-5). O apóstolo declara: “… Não vi eu a Jesus Cristo, Senhor nosso?…” (1Co 9.1). Paulo estava reafirmando a igreja de Coríntio que ele atendia as credenciais para ser apóstolo de Cristo, e que nada era inferior aos demais apóstolos

“Fui néscio em gloriar-me; vós me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós, visto que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, ainda que nada sou” (2Co 12.11).

VOCAÇÃO DE PAULO E O APRENDIZADO NO DESERTO

De acordo com o texto em Gálatas 1.17,18, que diz: “Nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias.”

Paulo deixou Damasco e viajou para a Arábia, a região do deserto, a sudeste de Damasco, onde viveu por três anos. Não se sabe ao certo se a permanência de três anos na Arábia aconteceu depois de Paulo vivenciar os acontecimentos citados em Atos 9.22, 23, 25, 26, (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003), que diz:

“Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo. E, tendo passado muitos dias, os judeus tomaram conselho entre si para o matar. Tomando-o de noite os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro. E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.”

No deserto, ele aprendeu que a simplicidade era a chave que abria a porta do cristianismo. Ele aprendeu no deserto a dominar suas paixões substituindo-as pelo gozo da salvação em Cristo. No deserto, a sua imensidão esmaga tanto o poder quanto a fraqueza do homem e, então, passa-se a depender totalmente de Deus. Paulo, antes de sua conversão, foi um homem acostumado a dominar o seu ambiente. Daí, ele descobre na experiência do silêncio e da solidão do deserto que as coisas de Deus são do modo como Ele quer, e não do modo que queremos. No deserto, Paulo aprendeu a ser o líder que Deus precisava para a expansão do Reino de Deus (CABRAL, Elienai, 2021, p. 57).

Muitas vezes o Espírito Santo usará circunstâncias em nossas vidas para nos ensinar a respeito de coisas que servirão lá na frente para nos trazer esperança com base na experiência. É preciso aprender com as lições do “deserto” da vida ministerial. Os desafios são muitos. Os obstáculos são grandes. Todavia, o aprendizado é muito maior para nos tonarmos maduros na fé. Por isso devemos aproveitar as lições dos “desertos” que enfrentamos (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

QUAIS OS PROPÓSITOS DA VOCAÇÃO DE PAULO

Como disse o próprio Senhor Jesus a Ananias, Saulo era “[…]um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At 9.15). Podemos observar, então, que Paulo:

Era um vaso escolhido.

O Senhor Jesus utilizou-se de uma metáfora para dizer que Paulo era um homem escolhido por Ele. Assim como o oleiro faz vasos para diversos fins, Deus também fez os seres humanos para seus propósitos (Jr 18:1-11; 22:28; Os 8:8; 2 Co 4:7; 2Tm 2:20, 21). Devemos entender, no entanto, que o termo “vaso escolhido” não se refere a uma predestinação, e sim, à presciência divina. Deus sabia, de antemão, que ele era a pessoa ideal (devido a sua cultura, conhecimento das Escrituras, profissão, etc.) para executar os seus desígnios.

Tinha uma missão específica.

Paulo foi chamado com o propósito de fazer o Nome do Senhor conhecido entre os gentios, os reis e os filhos de Israel. Ele cumpriu na íntegra a sua tarefa, como podemos ver no livro dos Atos e nas Epístolas. Em suas cartas, ele ressalta repetidas vezes que foi chamado para ser o “apóstolo dos gentios” (Rm 11.13; 15.15,16; Gl 1.16; 2.7,8); pregou para reis (At 26.1-32); e para os filhos de Israel (At 9.20; 13.5; 22.1-21).

Sofreria por amor à Cristo.

O Senhor disse a Ananias acerca de Paulo: “…eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At 9.16). Se por um lado se tornaria um privilégio ser o embaixador de Cristo entre os reis, judeus e gentios; por outro lado, Paulo teria um preço a pagar: padecer pelo Nome de Jesus. E, como Cristo havia predito, ele enfrentou todo tipo de sofrimento, durante o seu ministério (At 16.23; 2Co 1.4-8; 2.4; 12.10; 11.24-33). No entanto, seu sofrimento não impediu que ele demonstrasse zelo e dedicação à obra de Deus. Seu objetivo era servir ao Mestre, a despeito de toda e qualquer circunstância. Ele mesmo disse aos anciãos da igreja em Éfeso:

“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At 20.24).

A VOCAÇÃO MINISTERIAL

A vocação para atuar na obra de Deus é uma ação exclusivamente divina na pessoa do crente (Ef. 4.11), todavia exige também uma capacitação pelo Espírito Santo, pois o Senhor vocaciona e prepara, no entanto, o envio é realizado por meio da Igreja. Notemos:

Deus chama pessoas para trabalhos específicos.

Todos são chamados para a salvação em Cristo (Jo 3.16, 1Tm 2.4; 4.10, Tt 2.11, 2Pd 3.9), sem exceções, no entanto alguns servos de Deus são chamados para trabalhos específicos em sua obra, como foi o caso do apóstolo Paulo: “que desde o ventre de minha mãe me separou […]” (Gl 1.15). Outros textos confirmam essa chamada especial do apóstolo Paulo (At 9.15; 22.14; 2Tm 1.11). Dessa forma, não está dentro das atribuições unicamente do homem selecionar, chamar, qualificar ou nomear; nem tampouco ninguém pode nomear-se a si próprio para a obra do ministério, pois tudo, é e deve ser, absolutamente da competência divina: “E subiu ao monte e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele” (Mc 3.13). A escolha para servir no santo ministério é de Deus.

Deus chama pessoas e capacita para servir.

O apóstolo Paulo foi um homem dotado de grandes habilidades intelectuais e também espirituais, porém, o apóstolo nunca deixou de entender que sua capacidade era proveniente do Senhor (1Co 15.10). Lemos nas Sagradas Escrituras:

“…Porque não ousaria dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras.” (Rm 15.18).

Em outra ocasião o Paulo declara: “…não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus…” (2Co 3.5).

Esta postura de Paulo é um grande exemplo que devemos imitar, pois quem concede inteligência é Deus. …a quem o SENHOR dera sabedoria e inteligência…” (Ex 36.1). Por mais capacitados que sejamos, tudo provém do Senhor (Ef 4.11)

Deus chama pessoas e envia os vocacionados por meio da Igreja.

Mesmo o apóstolo Paulo tendo sido chamado por Deus desde o ventre de sua mãe “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça” (Gl 1.15), Ele não trabalhava de modo independente, ou seja, sem orientação dos anciões em Jerusalém; pelo contrário, Paulo foi enviado pela Igreja

“E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo.

E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13.1-3);

sobre o caso da circuncisão dos gentios Paulo procurou solução junto aos apóstolos (At 15.1-2), além de reconhecer que os decretos vindos de Jerusalém tinham que ser observados pelas demais igrejas recém fundadas (At 16.4). Isso nos ensina que aqueles que são chamados e enviados por Deus estão debaixo da autoridade de Deus e da Igreja local que envia

“E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido. Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (At 14.23; Hb 13.17).

CONCLUSÃO

A vocação de Paulo tem relação com o aprendizado no deserto. Este aperfeiçoou a vocação do apóstolo em que sua vida foi tremendamente trabalhada por Deus para fazer a obra divina. As lições do deserto confrontaram as convicções de Paulo e o prepararam para a sua mais nova etapa de vida. O apóstolo foi forjado pelo Espírito Santo (Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 22, nº 87).

Aprendemos que Deus concedeu a vocação a Paulo para ser apóstolo de Cristo, além disso, o Senhor capacitou o apóstolo Paulo para ser dos maiores instrumentos de Deus para a propagação do Cristianismo. Deus não mudou seu método para vocacionar e chamar a quem Ele quer.

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