A Conversão de Saulo de Tarso

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.3,4)

Introdução

Um certo escritor e pregador escreveu que “Paulo não se converteu; ele foi convertido”. A conversão de Paulo não foi uma decisão sua, foi o próprio Cristo que fez valer a graça soberana de Deus, porque Paulo estava, de fato, perseguindo o nome de Jesus.  Por esse motivo a conversão de Paulo, indiscutivelmente, foi um dos mais importantes e revolucionária na história do cristianismo. Nessa lição aprenderemos que a conversão de Saulo foi um ato da graça de Deus, relacionaremos a conversão de Saulo com a doutrina bíblica da conversão, enumeraremos as três faculdades interiores que são transformadas na conversão.

Definição de Conversão  

De acordo com Houaiss (2001, p. 827): conversão é, “o ato ou efeito de converter-se; transformação de uma coisa, de um estado, de uma forma etc., em outra”. No Antigo Testamento encontramos o termo hebraico: “shuv” que significa: “girar ou voltar”, que é usado tanto em ações físicas (2Rs 2.13), quanto morais e espirituais (1Rs 8.35; 2Cr 7.14; Pv 1.23; Is 59.20; Jl 2.12,14) (CHAMPLIN, 2004, p. 892).

Já no Novo Testamento o equivalente para conversão é o substantivo: “epistrophe” que quer dizer: “virada de um lado para o outro ou em volta, conversão”, que aparece uma única vez no NT (At 15.3) (VINE, 2002, p. 508); de acordo com Tenney (2008, vol 1, p. 1147), o verbo “epistrephein” é a palavra grega mais comum para “converter”, aparecendo mais de trinta e cinco vezes.

Por detrás de “epistrophe” na LXX jaz o hebraico shûb, que ocorre de 1050 vezes no Antigo Testamento, e que significa “virar para trás”, “voltar”,” trazer de volta”, “restaurar”. Com um sentido especificamente teológico: “virar”, “voltar”, “ser convertido”, “trazer de volta”, no sentido de uma mudança de comportamento e de uma volta ao Deus vivo. A LXX traduz estas passagens por “epistrephõ”, “apostrephõ”, “anastrephõ”, mas não por metanoeõ, que ocorre no Novo Testamento (NOVO TESTAMENTO, Dicionário Internacional de Teologia do, p. 416, 2000).  

Basicamente, assim como com o substantivo cognato, esta palavra significa: “voltar”, “mudar de atitude”. É usada para designar o ato físico de virar-se, como Jesus fez quando a mulher o tocou

E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão e disse: Quem tocou nas minhas vestes? (Mc 5.30).

Quando é usada para descrever a conversão religiosa, diz respeito a desviar-se do pecado e voltar-se para Deus; a palavra implica em: “virada de e virada para”, correspondendo a arrependimento e fé (VINE, 2002, p. 508).

porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro” (1Ts 1.9)

Do ponto de vista teológico, conversão é à mudança que Deus opera na vida do que aceita a Cristo com o seu Salvador pessoal, modificando radicalmente a maneira de ser, pensar e agir (ANDRADE, 2006, p. 115).

A conversão e o arrependimento andam juntos,

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor. Antes, anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judeia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (At 3.19; 26.20).

Enquanto o arrependimento se refere à mudança total do sentimento do homem e à sua nova atitude para com Deus, a conversão expressa a nova posição para com o mundo, e representa, nesse sentido, uma mudança de situação: o homem que vinha andando no caminho largo para a perdição, muda repentinamente a direção e passa a andar no caminho estreito para o céu(Mt 7.13,14; Lc 13.24,25) (BERGSTEN, 2016, pp. 171,172).

Com isso em vista, não podemos confundir conversão com regeneração, embora andem de mãos dadas, possuem aspectos diferentes, como afirma Gilberto (2008, p. 361)

“regeneração é o ato interior da conversão, efetuada na alma pelo Espírito Santo. Conversão é mais o lado exterior e visível da regeneração. Uma pessoa verdadeiramente regenerada pelo Espírito Santo é também convertida”

Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22.32).

Enquanto a regeneração enfatiza o nosso interior, a conversão, o nosso exterior. Quem diz ser regenerado deve demonstrar isso no seu dia-a-dia. É o que exatamente aconteceu de forma exemplificada na vida de Saulo.

A CONVERSÃO DE SAULO: UM ATO DA GRAÇA DE DEUS

O texto bíblico afirma que Saulo vai a Damasco porque ainda respirava ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor

E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote” (At 9.1).

Saulo estava decidido em prosseguir em sua investida contra os cristãos. Assim, autorizado pelo sumo sacerdote, se dirigiu a cidade de Damasco a fim de prender e arrastar mais homens e mulheres convertidas ao evangelho para serem interrogados pelo sacerdócio, por estarem indo de encontro às suas leis. Quando Saulo e seus companheiros se aproximam de Damasco, ele é parado dramaticamente no caminho.

Sem aviso, ele tem um encontro com o Senhor ressurreto. Subitamente ele é cercado por uma luz ofuscante proveniente dos céus e ouve uma voz que lhe fala em língua hebraica

E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões” (At 26.14)

A luz manifesta a glória do Senhor exaltado. O Jesus ressurreto é quem aparece a Saulo e lhe diz:

“Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4). Perceba que Cristo surpreende a Saulo no caminho. Ele não esperava ter esse encontro com o Jesus glorificado. Saulo não imaginava que a graça do Senhor era poderosa a ponto de abalar sua estrutura física, psicológica e espiritual.

Através dessa revelação sobrenatural e impactante o perseguidor reconhece o seu erro e responde positivamente o chamado da salvação, entregue ao homem por intermédio da obra salvadora operada pelo Espírito Santo. Lá, na estrada de Damasco, o crucificado, revelado a Saulo na Sua glória divina, o transforma. O inimigo mortal da Igreja morre espiritualmente para a velha vida e é feito um novo homem

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20).

Paulo não teve uma visão; ele realmente viu o Cristo ressurreto

E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo (At 9.17).

Reconheceu a Jesus como o Senhor, confessou seu pecado, entregou a sua vida a Cristo e decidiu obedecê-lo. A verdadeira conversão é consequência de um encontro pessoal com Jesus Cristo e leva a uma nova vida, que implica um relacionamento com Ele.

A conversão de Saulo de Tarso não foi algo compulsivo, nem um transe hipnótico. Deus não obrigou a Saulo aceitar sua graça, mas concedeu-a livre e espontaneamente. Saulo, impactado pela visão de Jesus, permitiu que seu emocional abrisse a porta para tocar-lhe sua razão e entendimento a voz do próprio Senhor Jesus, que o confrontou de forma impactante Ele, segundo seu próprio testemunho, pôde ver literalmente a Pessoa de Jesus, o Ressurreto, que o despojou do seu “ego” arrogante. Naquela visão, Saulo pôde entender quem era Jesus e o porquê da sua obra redentora no Calvário. Uma das qualidades do nosso pentecostalismo é deixar o Espírito Santo trabalhar livremente com o nosso emocional para alcançar o nosso racional.

Destaque A conversão de Saulo foi um ato da graça de Deus. Ali, percebemos que a iniciativa de se revelar a Saulo foi do nosso Senhor. Ele se revelou ao futuro apóstolo. Saulo viu o Senhor ressurreto por meio de uma experiência sobrenatural. O impacto da visão resplandecente no caminho de Damasco tomou a Saulo de surpresa. Esse impacto da visão gloriosa na sua vida moveu com o emocional de Saulo, e ele pôde crer que o seu perseguido era o Cristo Deus manifestou sua graça para com esse homem não porque ele era um eleito para tal e, inevitavelmente, seria salvo.

A mesma graça é para todos os que aceitam a oferta salvadora de Cristo Jesus. O ponto de partida para a salvação de todos os homens é a graça de Deus. Graça é favor imerecido da parte de Deus em que a sua justiça é satisfeita nos méritos de Jesus na sua morte expiatória. Graça é favor outorgado aos pecadores que estão debaixo da ira de Deus indiscutivelmente, a conversão de Saulo de Tarso foi muito mais que um convencimento intelectual de quem era Jesus. Sua conversão foi o fruto da obra regeneradora do Espírito Santo em sua vida, levando-o a confessar que Jesus era o Senhor e Salvador de sua alma.

SAULO E A DOUTRINA BÍBLICA DA CONVERSÃO

Enquanto presos e entregues às garras e amarras do pecado, estamos cegos e mortos quanto às nossas atitudes e impossibilitados de, por nossas forças, chegarmos diante de Deus e obtermos a nossa salvação. Dentro da soteriologia arminiana, a qual nós assembleianos professamos, isso é chamado de livre-arbítrio escravizado, onde o homem não tem a capacidade por si só de responder ao chamado do Evangelho.

Contudo, por intermédio da obra operada pelo Espírito Santo em nós, e por meio da graça salvadora de Deus, recebemos a regeneração de nosso arbítrio (chamado de livre arbítrio libertário) para que possamos ouvir, crer e responder positivamente ao chamado da salvação. A partir daí um processo se inicia em nosso ser: fé, arrependimento e conversão. A salvação é pela graça, mas a fé é o elemento indispensável

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8-9).

Ela é a porta de entrada das bênçãos oriundas da salvação, que são: a justificação, a regeneração, a reconciliação, a adoção, o perdão, a santificação, a glorificação e a vida eterna. Não é suficiente crer a respeito de Deus. Precisamos crer nEle, pois a única fé que nos amparará é aquela que admite Cristo como nosso salvador pessoal. A fé não é uma mera opinião à fé salvadora, mas, sim, uma combinação na qual os que recebem Cristo conectam-se em aliança com Deus.

Após crermos em Cristo como Salvador da nossa vida, em nosso ser é gerado um sentimento de arrependimento de nossos pecados cometidos. Não estamos falando de um remorso parcial que logo se desfaz. Estamos falando do reconhecimento de nossas práticas passadas e da necessidade de mudança, a fim de que possamos prosseguir no caminho da salvação que foi propiciado por Cristo na cruz. O arrependimento livra-nos das amarras do pecado e da culpa que escravizam e tiram a alegria de viver; o arrependimento leva-nos a experimentar cura substancial dos pensamentos e da consciência cauterizada pelo pecado

pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”
 (1 Tm 4.2)

Arrependimento não é uma reforma apenas, mas também uma entrega total à ação do Espírito Santo para promover as mudanças e transformações mais profundas na alma humana. O arrependimento é acompanhado do sentimento de culpa e do reconhecimento da falta praticada

Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.
Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares” (Sl 51.1-4);

de um sincero pedido de perdão

Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário” (Sl 51.10-12);

do abandono do erro

O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13)

e da produção de frutos de arrependimento

Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento. Antes, anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judeia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (Mt 3.8; At 26.20).

O arrependimento está incluso no processo de conversão e abrange o ser humano por inteiro:

o intelecto. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi” (Mt 21.30);

 as emoções. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc 18.13);

e a vontade. Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores” (Lc 15.18-19).

Portanto, a conversão é uma ruptura com antigas tradições e modos de vida abomináveis e pecaminosos. Outro sentido para entender a palavra “arrependimento” refere-se à “contrição e o desejo de mudar de atitude”, de comportamento na vida cotidiana. A luz do resplendor que cegou os olhos de Saulo fê-lo ver o Cristo Ressuscitado e abriu-lhe os olhos do seu interior para conhecer, de fato, a Jesus e torná-lo seu Senhor e Salvador. O arrependimento e a fé são os dois elementos essenciais da conversão. Após crer em Cristo e se arrepender dos pecados, o próximo passo é a conversão verdadeira, aos moldes do que aconteceu com o Saulo no caminho de Damasco.

Converter é mudar de sentido, ou seja, após crermos que Cristo morreu por nós e, em nosso ser, for gerado o verdadeiro arrependimento de nossos atos, agora confessamos com nossa boca que Jesus é o Salvador de nossas almas, e assim prosseguiremos em uma nova vida com Ele. Destaque A obra da conversão no ser humano começa no arrependimento e perpassa uma vida de transformação. Arrepender-se é a condição básica para a verdadeira conversão. A notável experiência de Paulo no caminho para Damasco foi um exemplo indiscutível de conversão cristã.

 A verdadeira conversão é aquela que nasce da tristeza para com o pecado e reconhecimento de que precisa “dar meia volta” para Deus. É uma mudança que tem suas raízes na obra regeneradora efetuada na vida do pecador pelo Espírito Santo. Como obra de Deus, a conversão é uma manifestação externa da regeneração operada pelo Espírito Santo. A conversão implica em mudança de pensamento, de desejos e vontades e deve alterar todo o curso da vida do pecador. É o ato de Deus pelo qual Ele faz com que o pecador se volte para Ele com arrependimento e fé.

CONCLUSÃO

A conversão de Paulo é um dos principais assuntos do livro dos Atos dos Apóstolos (At 9.1-19; 22.4-16; 26.12-18). Depois do seu encontro com o Senhor Jesus no caminho de Damasco, ele teve a sua vida transformada e tornou-se um grande pregador do Evangelho. Sua vida, ministério e ensinamentos trouxeram benefícios não só para os seus contemporâneos, mas também, para toda a humanidade. Ele foi “um vaso escolhido” pelo Senhor Jesus para fazer com que o Seu Nome fosse conhecido por todos os povos de sua época,

“Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel. Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” (At 9.15; Cl 1.23) e não foi desobediente à visão celestial, “Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (At 26.19).

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