A Dor da Ingratidão

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Ingratidão dói. E dói porque reflete a não reciprocidade de afetos envolvidos, que em um primeiro momento foram bem aceitos pela pessoa que foi amada, ajudada e amparada.

Sabemos que precisamos fazer o que devemos, sem expectativa de retorno pelo outro. Porém, enquanto humanos, é quase impossível não esperar, pelo menos, um agradecimento, a oferta de um simples “obrigado”.

Gratidão não é uma atitude inata do ser humano. Nascemos achando que somos o centro da casa e da família, a razão da existência dos nossos pais. Para o recém-nascido, a mãe é seu complemento natural, sempre disponível para interpretar seus desejos, cuidar e alimentar. O filho que mama realmente acha que o seio materno é dele, jamais da mãe!

A gratidão precisa ser ensinada em casa, através de pais amorosos e sábios, que dedicam-se aos filhos, ao mesmo tempo que os ensinam a agradecerem pela casa, pela roupa lavada, pelos brinquedos ou livros escolares.

Os filhos precisam saber do esforço financeiro que seus pais demandam – não como uma forma de “jogar na cara” ou de chantagear a prole. Os filhos precisam compreender o quanto são cuidados e amados por pais dedicados. Precisam aprender a não serem egoístas e hedonistas: um dia serão pais, e precisam aprender a doar seu tempo, investir seu dinheiro e disponibilizar seus afetos aos seus futuros filhos.

A gratidão sempre tem como base o exercício da troca, da reciprocidade. A convivência com irmãos, primos, colegas da escola e da igreja tem como um dos propósitos ensinar as bases de troca. Inicialmente a criança começa trocando objetos e brinquedos, e mais tarde aprende a compartilhar refeições na escola e na família. Posteriormente deve ser estimulada a trocar afetos e sentimentos, inclusive dizendo o quanto ama os pais, avós e irmãos.

Ao longo das trocas, quando fica feliz pelo objeto ou abraço que recebe, precisa aprender a identificar esta alegria como gratidão – o prazer que sentimos ao sermos percebidos, cuidados e amados pelos outros.

O problema da ingratidão inicia quando o indivíduo cresce achando que não precisa trocar, devolver ou agradecer o que recebeu. Como uma criança, de forma egocêntrica e mesquinha, passa a pensar que não precisa fazer nada pelos outros, em um exercício individualista que vai se transformar na prática da ingratidão.

Sim, a ingratidão dos outros nos machuca. Mas, com o passar do tempo, o ingrato sentirá o peso da sua própria ingratidão, quando se perceber sozinho em sua individualidade. Afinal a vida não favorece os mesquinhos, que acabam sozinhos e sempre muito insatisfeitos com sua sorte, pois não aprendem o dom do contentamento!

Deus não gosta da ingratidão. Até porque o ingrato é tão prepotente e orgulhoso, que não consegue ser grato nem mesmo pelas bençãos divinas: porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. (Romanos 1. 21).

Gratidão é uma decisão. Uma decisão diária, que nos aproxima de Deus e de quem amamos. E o que aprendemos é que quanto mais gratos nós somos, mais abençoados seremos pelas pessoas e por Deus!

Por Elaine Cruz

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