Os Recabitas Exemplo de Fidelidade e Obediência

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“Por que, pois, não deste ouvidos à voz do Senhor? Antes, voaste ao despojo e fizeste o que era mal aos olhos do Senhor” (1Sm 15.19)

INTRODUÇÃO

Ao tempo dos profetas do Antigo Testamento, Deus, por vezes, lançava mão de ilustrações históricas vivas para ensinar ao seu povo. Quando quis mostrar ao povo de Israel que requeria dele obediência à Sua palavra, chamou Jeremias para uma tarefa inusitada.

Jeremias devia procurar os membros de um clã em Israel, chamado de recabita, e fazer um convite que poderia mudar a vida deste povo.

Esse pequeno estudo enfoca um dos mais notáveis exemplos de fidelidade e obediência registrada nas Escrituras. Jonadabe, filho de Recabe, patriarca queneu, ordenou a seus familiares que não bebessem vinho. Passados mais de duzentos anos, seus descendentes ainda cumpriam fielmente a ordem, de modo a causar admiração ao próprio Deus (Jr 35.5-10). De fato, os recabitas tornaram-se exemplo de obediência e de fidelidade. Imitemo-los.

OS ANCESTRAIS DOS RECABITAS (Jr 35.1-8)

Os recabitas eram midianitas, da tribo dos queneus, da qual era membro Jetro, o sogro de Moisés (Ex 2.21,22; 3.1; 18.1,2; Nm 10.29; Jz 1.16). Por sua vez, os midianitas descendiam de Midiã, filho de Abraão e sua mulher Quetura (Gn 25.2-4). Quando a Recabe, veja o que está registrado em 1Cr 2.55. Portanto, os recabitas eram quenitas aparentados com os israelitas; e acerca deles profetizou Balaão, o profeta mercenário:

“E, vendo os queneus, alçou a sua parábola e disse: Firme está a tua habitação, e puseste o teu ninho na penha. Todavia, o queneu será consumido, até que Assur te leve por prisioneiro” (Nm 24.21,22).

Peregrinos em Israel viviam uma vida nômade em tendas e eram de hábitos simples e avessos ao uso do vinho, pois nem mesmo plantavam vinhas ou construíam casas para si. Não eram idólatras, viviam por fé e obediência aos estatutos divinos. O binômio fé e obediência traduzem-se por fidelidade e deve ser o constante distintivo do crente.

Quem era Recabe

As Escrituras não nos dizem muito sobre a pessoa de Recabe, senão que era o patriarca de um clã da tribo dos queneus:

“E as famílias dos escribas que habitavam em Jabez foram os tiratitas, e os simeatitas, e os sucatitas; estes são os queneus, que vieram de Hamate, pai da casa de Recabe” (1 Cr 2.55).

Todavia, pelo que a Bíblia nos informa acerca dos seus descendentes, concluímos que era um homem de rígida moral e firme na fé, cuja característica marcante era a obediência irrestrita a Jeová, pois o seu exemplo ficou para os “Recabes”, em nossas igrejas, hoje. A obediência à vontade de Deus, a fé e a moderação, não são as características marcantes de muitos de nós. Sirvamos a Deus com fidelidade e obediência, como fez Recabe.

Jonadabe, o filho de Recabe

Ensinado a andar em obediência à vontade de Deus, Jonadabe era ferrenho adversário do culto a Baal, onde a prática da imoralidade e o desregrado consumo de vinho, bem como o sacrifício de crianças eram uma constante. Assim, sendo, conhecedor dos males físicos, morais e espirituais, causados pelo vinho aos que o ingerem, Jonadabe ordenou à família dos recabitas que, em todas as suas gerações, não bebessem vinho, e foi obedecido. Que belo exemplo para nós. Como seria bom que em nossas igrejas todos fossem obedientes aos pastores como os recabitas o foram a Jonadabe.

A Bíblia fala sobre os males causados pelo vinho, àqueles que o consomem. Veja Gn 9.20-21; Pv 20.1; 23.20,31; Is 5.11.

O apóstolo Paulo aconselhou os crentes de Éfeso a que não se embriagassem com o vinho, onde há contendas, mas que se enchessem do Espírito Santo (Ef 5.18). Veja:

“Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento” (1Tm 3.3).

Façamos como os recabitas. Ouçamos o conselho do apóstolo Paulo. Guardemo-nos de beber vinho, champanhe, ou qualquer bebida alcoólica, mesmo em encontros sociais, e andemos em obediência à palavra de Deus.

Jonadabe e Jeú exterminam o culto a Baal em Israel (2Rs 10.15-28)

Jonadabe era homem fiel e obediente a Jeová, e abominava o hediondo culto aa Baal Melcarte, deus nacional de Tiro, introduzido em Israel pela ímpia rainha Jezabel, mulher de Acabe, filha de Etbaal, rei de Tiro. Por isto, o Senhor o usou, juntamente com o rei Jeú (2 Rs 9.1-13), para exterminar em Israel o culto a Baal. A missão foi cumprida.

Ainda hoje Deus continua usando os que são obedientes, que não se entregam aos prazeres do vinho, à sensualidade, nem prestam culto aos modernos “baals”. Que possa haver muitos “Jonadabes” em nossas igrejas, hoje. Amém.

O MODO DE VIDA DOS RECABITAS

Os recabitas viviam ordeiramente entre os israelitas, e o seu “modus vivendi” era um exemplo de moderação para o povo de Deus. A sua caraterística marcante era a obediência incondicional ao patriarca (líder) do clã, da família. Hoje, obediência aos pais, aos líderes da igreja, às autoridades, às leis, é coisa de um passado já remoto. Os que ainda postulam pela obediência e pelo respeito aos pais, e pela responsabilidade para com a família e a igreja, são tidos por ultrapassados, retrógrados e outros adjetivos equivalentes. Que Deus tenha misericórdia de nós. Precisamos aprender com os recabitas.

Não plantavam vinhas

Os recabitas eram convictamente contrários a beber vinho ou qualquer outra bebida embriagadora. Neste particular eram tão extremistas, que nem sequer plantavam vinhas. Parece que esse comportamento estava ligado à aversão que tinham pelo culto pagão a Baal Melcarte, deus nacional dos sírios, onde todo tipo de perversões sexuais era praticado sob a influência do vinho. Ainda hoje, podemos ver os grandes males causados à humanidade, pelo abuso do sexo e pela perversão dos instintos sexuais em decorrência do uso de tóxicos e bebidas alcoólicas, principalmente nos modernos “cultos a Baal”, como o carnaval e festivais de rock and roll. O Diabo não brinca em serviço.

Os pastores e demais obreiros têm que estar vigilantes contra as suas astutas investidas, pois até mesmo entre os jovens crentes, mal firmados na fé, por falta de ensino doutrinário, satanás tem feito vítimas. A Igreja necessita mais de receber os ensinos das Escrituras do que estar, na maioria das vezes, perdendo tempo com cânticos de “corinhos” despidos de qualquer valor espiritual, acompanhados de exagerados movimentos corporais, que se assemelham, no mais das vezes, com as honras prestadas a Baal.

A propósito, algumas igrejas, infelizmente, desviando-se dos sadios princípios que sempre nortearam a nossa denominação, promovem festivais de “música sacra” que mais parecem verdadeiros festivais de rock. Isto é falta de temor a Deus.

Habitavam em tendas

Sendo nômades, não construíam casas, não se fixavam por muito tempo num mesmo lugar, não tinham apego pelas coisas materiais. Não se preocupavam em possuir propriedades. Como eram diferentes de muitos de nós! Quantos estão mais preocupados em adquirir propriedades, do que em ganhar as almas para o Reino de Deus. Não somos contra o possuir propriedades, nem contra os que as possuem, mas devemos lembrar-nos que mais importantes são os valores espirituais. Infelizmente, muitos que se dizem servos de Deus entram em litígio contra os próprios irmãos, por causa de propriedades que pertencem a Deus. Os recabitas não se julgavam proprietários de nada, não possuíam terras, habitavam em tendas, e eram fiéis a Deus e obedientes aos seus princípios. Que exemplo de fidelidade, humildade e obediência para nós!

Eram peregrinos

Neste particular, os recabitas foram um tipo da Igreja de Cristo, que também é peregrina na terra. Eles viviam entre os israelitas, mas não pertenciam a nenhuma tribo de Israel. A Igreja vive no mundo, mas não é do mundo, como do mundo não é o Seu Senhor. A nossa pátria está no céu, é a Nova Jerusalém (Fp 3.20,21; Ap 21.2-7; 22.14-20). Sejamos peregrinos neste mundo, mas não desfrutemos das suas ilusões.

“Amados, peço-vos, como a peregrino e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma” (1Pe 2.11)

OS RECABITAS, UM CONTRASTE COM JUDÁ

No reinado de Eliaquim (também chamado Jeoiaquim), rei de Judá, o Senhor Jeová, por meio do profeta Jeremias, repreendeu duramente o povo de Judá, por causa dos seus muitos pecados, principalmente o de idolatria e desobediência à Sua voz, mostrando o contraste entre eles e os recabitas.

Obedientes a Jonadabe

Por mais insignificantes que pareçamos ser e por menor importância que pareçamos ser e por menor importância que pareçam ter os nossos atos, nada fica desconhecido a Deus. Foi o que aconteceu com os recabitas, por sua obediência irrestrita a ordem dada por Jonadabe, filho de Recabe, cerca de duzentos anos antes dos acontecimentos que os envolveram. Por causa da idolatria e desobediência do povo de Judá, o Senhor enviou o rei Nabucodonosor contra o Seu povo, para levá-lo à Babilônia e ali permanecer setenta anos no cativeiro. Deus cumpria assim a Sua palavra (Jr 1.12-16; 25.1-11).

Todavia, em meio a tanta desobediência, havia um povo humilde, estrangeiro e peregrino em Judá, modelo de fidelidade e obediência, os recabitas.  

Os recabitas não foram elogiados por Deus por recusarem beber vinho, nem por recusarem o estilo “moderno” de vida. Eles foram tomados como exemplo por permanecerem fiéis, ao longo de séculos, às instruções de um dos seus ancestrais-fundadores. Aprendamos com eles!

Guardavam o mandamento de seu pai

Enquanto o povo de Judá era desobediente a Deus, e seguia o caminho da imoralidade e da idolatria, os recabitas eram tementes a Deus e não desobedeciam aos mandamentos de Jonadabe, seu pai. Que contraste! Os judeus não obedeciam a Deus, enquanto os recabitas não desobedeciam a seu pai, um simples homem (Jr 35.1-14). Para condenação do seu povo, Deus, através do profeta Jeremias, lançou lhes em rosto a dura realidade, mostrando-lhes o contraste entre eles e os recabitas. Não havia como escapar da justa ira do Pai celestial. Assim, Judá foi para o cativeiro e Jerusalém foi invadida e destruída pelo exército de Nabucodonosor. Essa é a recompensa dos desobedientes (Jr 35.15-17).

A recompensa dos recabitas

Deus recompensou os recabitas pela sua demonstração de obediência, prometendo que jamais faltaria varão (filho) a Jonadabe, que assistisse perante a Sua face todos os dias:

“E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Visto que obedeceste ao mandamento de Jonadabe, vosso pai, e guardaste todos os seus mandamentos, e fizestes conforme tudo quanto vos ordenou, assim diz o Senhor dos Exércitos, Deus de Israel: Nunca faltará varão a Jonadabe, filho de Recabe, que assista perante a minha face todos os dias”  (Jr 35.18,19).

Conclusão

Alguns ficam incomodados com a pergunta: Se Cristo voltar agora, Ele me levará? Penso que esta pergunta nos anda faltando. Ficamos muito “convencidos” de nossa salvação, que nos esquecemos de operá-la com temor e tremor. Na verdade, a maioria de nós vive como se Jesus não fosse voltar nunca.

Talvez pudéssemos mudar um pouco a pergunta: quando Jesus voltar, ou quando eu for ao seu encontro, Ele me encontrará fiel?

“Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel” (1Co 4.2).

Sigamos o exemplo dos recabitas em nossa peregrinação neste mundo, e receberemos a recompensa do Senhor naquele Grande Dia.

Por Pastor Adilson Faria – (com algumas adaptações do pastor Sergio Loureiro)

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