EBD – O Cativeiro de Judá

Pr. Sérgio Loureiro
Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG
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Prezados professores e alunos,

Paz do Senhor!

“Porém zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e escarneceram dos seus profetas, até que o furor do Senhor subiu tanto, contra o seu povo, que mais nenhum remédio houve.” (2Cr 36.16)

Introdução

Nesta última lição do trimestre estudaremos sobre o cativeiro de Judá, também conhecido como Reino do Sul. Apesar do povo judeu saber o que havia ocorrido com o Reino do Norte, que havia sido levado para Assíria (2Rs 17.20-24), Judá não perseverou em seguir ao Senhor, e cometeu os mesmos pecados de Israel, tornando inevitável o Cativeiro Babilônico. No final do reino de Judá também conhecido de reino do sul, veremos quatro reis:

Jeoacaz, ou Salum no hebraico, “Yahweh assegura” era filho de Josias, e reinou três meses, pois faraó Neco veio do Egito e o depós (2Rs 23.30-34). Neco exigiu imposto dos judeus, e pôs no trono um títere seu: Eliaquim, cujo nome mudou para Jeoiaquim. Jeoacaz foi levado por Neco para o Egito, onde morreu. 

Jeoiaquim ou Eliaquim seu nome no hebraico, “Yahweh estabeleceu”, reinou onze anos. Seu nome original era Eliaquim. Foi posto no trono por Faraó Neco, a quem tinha que pagar tributos regularmente. Até que veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, e o fez vassalo seu.

Jeoiaquim foi um mau rei, um dos piores de Judá. A todas as suas maldades acrescente-se esta: tentou destruir a Palavra de Deus, queimando o rolo de Jeremias, em vez de a ouvir e arrepender-se.

“Portanto, assim diz o Senhor acerca de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá: Não lamentarão por ele dizendo: Ai, irmão meu! Ou: Ai, minha irmã! Nem lamentaram por ele, dizendo: Ai, senhor! Ou: Ai, majestoso! Em sepultura de jumento, o sepultarão, arrastando-o e lançando-o para bem longe, fora das portas de Jerusalém.” (Jr 22.18,19)

“E não temeram, nem rasgaram as suas vestes o rei e todos os seus servos que ouviram todas aquelas palavras.” (Jr 36.24)

No terceiro ano de sua subserviência, Jeoiaquim se rebelou contra os caldeus, enviando menos dinheiro para Babilônia. Então veio de novo Nabucodonosor, algemou-o para mandar para a Babilônia, bem como outros membros da nobreza, entre eles Daniel e seus amigos (Dn 1.1-7).

Embora Jeoiaquim tivesse sido engaiolado a fim de ser levado para a Babilônia, parece, porém, que morreu antes de seguir para lá. Segundo Jeremias, teria sido sepultado numa “sepultura de jumento”, sinal de enorme indignidade. (BENTHO, Antigo Testamento, Introdução ao estudo, p. 278)

“E não temeram, nem rasgaram as suas vestes o rei e todos os seus servos que ouviram todas aquelas palavras.” (Jr 36.24)

Joaquim, também conhecido como Jeconias seu nome em hebraico, “Yahweh estabelece”, era filho de Jeoiaquim e assumiu o trono após a morte do pai. Teve seu nome mudado por imposição babilônica. Durante o seu reinado, Nabucodonosor, veio em pessoa (2Rs 24.11) e sitiou Jerusalém em 597 a.C. Joaquim rendeu-se e Nabucodonosor  o levou preso (2Rs 24.12), além de tomar os tesouros do Templo e do palácio real, juntamente com 10.000 cativos (2Rs 24.13,14), entre eles o profeta Ezequiel.

Inicia-se desse modo o cativeiro Babilônico, conforme anunciara Jeremias (Jr 25.11,12). Trinta e sete anos depois disso, o rei Joaquim é reabilitado. Evil-Merodaque, rei da Babilônia, tirou-o da prisão e permitiu que el comesse em sua “mesa real, todos os dias de sua vida” 2Rs 25.27-30. (BENTHO, Antigo Testamento, Introdução ao estudo, p. 278)

Zedequias ou Matanias no hebraico, Yahweh é minha justiça”. Deposto e preso o rei Joaquim, Nabucodonosor pôs no trono de Judá um jovem rei: Matanias, que tem o nome mudado para Zedequias. Embora fosse tio de Joaquim, tinha apenas 21 anos quando começou a reinar,

“Tinha Zedequias vinte e um anos de idade quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.” (2Rs 24.18).

Depois de 8 anos no trono, Zedequias também resolveu independer-se da Babilônia. Nabucodonosor veio com força total contra Jerusalém, que foi cercada. O cerco durou um ano e meio, até a destruição de Jerusalém em 586 a.C. Em todo esse período, Jeremias dizia ao rei de Judá que abrisse as portas da cidade aos caldeus. Tido por traidor, Jeremias foi preso. Dentro da cidade, a fome era avassaladora. Jeremias registra em suas lamentações:

“As mãos das mulheres piedosas cozeram seus próprios filhos; serviram-lhes de alimento na destruição da filha do meu povo.” (Lm 4.10)

Por uma brecha na muralha “No ano undécimo de Zedequias, no quarto mês, aos nove do mês, se fez a brecha na cidade” (Jr 39.2), Jerusalém foi arrombada. O rei Zedequias tentou escapar mas foi capturado e teve triste sorte: “decolaram seus filhos à vista dele, vazaram-lhe os olhos, atacaram-lhe com cadeias de bronze e o levaram para Babilônia”, milhares de judeus foram levados para a Babilônia (2Rs 25.7; cf Ez 12.8-16).

No lugar de Zedequias, Nabucodonosor pôs um judeu chamado Gedalias, que ficou governando a partir de Mispá. Mas Gedalias ficou apenas sete meses nessa administração supervisionada (2Rs 25.25), pois um certo Ismael, “da descendência real, veio com dez homens” e matou Gedalias e quem estivesse por perto, “judeus e caldeus” (2Rs 25.25). Temendo a vingança dos babilônios, muitos judeus fugiram então para o Egito. (BENTHO, Antigo Testamento, Introdução ao estudo, p. 278, 279)

DECLÍNIO ESPIRITUAL DE JUDÁ

Em decorrência da decadência Política, grande maioria dos reis de Judá foram maus. Além de não guardarem a Palavra de Deus, eles fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e conduziram o povo a rebelião contra Deus (2Cr 12.1; 22.1-5; 28.1-4; 33.1-10,21-23). O rei Manassés, por exemplo, tornou a edificar os altos que o rei Ezequias, seu pai, havia destruído; edificou altares a outros deuses no Templo, em Jerusalém; ofereceu seu filho a Moloque; e, instituiu agoureiros e feiticeiros em Jerusalém, provocando a ira do Senhor (2Rs 21.1-18; 2Cr 33.1-10).

Em decorrência da decadência Social, mau exemplo dos reis de Judá, inevitavelmente, resultou em decadência social na nação. Dentre os muitos pecados cometidos pela nação, podemos citar: avareza, violência, contenda, litígio, embriaguez, imoralidade, prostituição, suborno e injustiça nos tribunais (Jr 5.8; 6.7,13; 9.2; Mq 3.9-12; Hc 1.3,4; 2.15). A situação moral de Jerusalém era tão drástica, que o próprio Deus chegou a compará-la as cidades de Sodoma e Gomorra

“Mas, nos profetas de Jerusalém, vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios, e andam com falsidade, e esforçam as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os moradores dela, como Gomorra”(Jr 23.14).

Como se não bastasse a decadência política e social, a nação estava enfrentando uma decadência religiosa, que os conduziu a apostasia (Jr 2.32; 3.8-13,21; 8.9,10; 9.2,3). A adoração a ídolos tornou-se comum em Jerusalém (Is 48.4,5; Jr 2.4-30; 16.18-21). Além disso, os sacerdotes e profetas falavam enganosamente em Nome de Deus (Jr 5.31; 6.13; 23.9-21) e profetizavam que haveria paz, prosperidade, e segurança para o povo, quando este achava-se em pecado diante de Deus (Jr 20.1-6; 26.8-11; Am 5.10).

A OBSTINAÇÃO DE ZEDEQUIAS E SUA QUEDA

O Senhor fez os próprios dominadores sobre o povo deixar bem claro que o novo rei seria, sim, um instrumento da justiça que Deus haveria de executar sobre o povo judeu. Foi um mau rei, tendo seguido os mesmos passos de seu irmão Jeoaquim. Entre as atitudes que repetiu de seu irmão, apesar do triste fim que tinha tido ele, foi a de não ouvir a voz do Senhor por intermédio do profeta Jeremias (2Cr 36.12; Jr 37.1).

Quando o povo foi levado cativo para Babilônia, tem-se a impressão que o profeta Jeremias tenha entrado em choque, porque observara que, na leva dos que haviam sido mandados para Babilônia, estavam pessoas tementes a Deus, que haviam sido tocadas pelo avivamento empreendido por Josias, como era o caso de Daniel e seus amigos Hananias, Azarias e Misael.

O profeta parece ter verificado que os bons eram levados cativos, enquanto os maus tinham sido mantidos em Jerusalém e em Judá, e, maus como eram, certamente não titubearam em se apoderar do patrimônio deixado pelos que foram exilados. Entretanto, para que não ficasse confundido, o Senhor lhe deu uma visão em que lhe mostrou que os cativos eram os “figos bons”, enquanto os que haviam ficado eram “figos podres”

“Um cesto tinha figos muito bons, como os figos temporãos, mas o outro cesto tinha figos muito maus, que não se podiam comer, de maus que eram” (Jr 24.2).

Ante esta visão tida pelo profeta, que se deu durante o reinado de Zedequias segundo os cronologistas bíblicos Edward Reese e Frank Klassen, não é difícil chegarmos à conclusão de que Zedequias era o “figo podre” da família real e, por isso mesmo, tenha ficado em Jerusalém, ocupando o trono de Davi,

“E, como aos figos maus, que se não podem comer, de maus que são (porque assim diz o Senhor), assim entregarei Zedequias, rei de Judá, e os seus príncipes, e o resto de Jerusalém, tanto os que ficaram nesta terra como os que habitaram na terra do Egito” (Jr 24.8).

Assim, embora já estivesse profetizado que haveria o cativeiro, algo que, aliás, era quase que evidente, ante a sucessão de fatos que confirmavam as profecias, o Senhor não deixou de oferecer a Zedequias, sua corte e ao povo de Judá em geral o arrependimento e a conversão.

No livro de Crônicas, o escritor sagrado faz uma síntese deste estado de coisas, dizendo que Zedequias não se humilhou perante o profeta Jeremias, que falava da parte do Senhor mas, antes, endureceu a sua cerviz e tanto se obstinou no seu coração que não se converteu ao Senhor, Deus de Israel, sendo seguido nesta sua atitude por todos os chefes dos sacerdotes e pelo povo (2Cr 36.12-14).

Assim que iniciou seu reinado, Zedequias mandou que Pasur e Sofonias consultassem o Senhor por intermédio do profeta Jeremias para que se soubesse por que Nabucodonosor tinha vindo contra Judá e levado mais gente para o cativeiro,

“A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, quando o rei Zedequias lhe enviou a Pasur, filho de Malquias, e a Sofonias, filho de Maaséias, o sacerdote, dizendo:” (Jr 21.1).

Este gesto de Zedequias já revela muito de seu caráter. Como perguntar a Deus porque tudo aquilo estava acontecendo se Jeremias estava já a profetizar há anos a respeito do assunto, mostrando que o povo seria levado ao cativeiro por causa de sua impenitência? Zedequias tinha 21 anos de idade e o ministério de Jeremias já estava no seu 31º ano, ou seja, Zedequias já nasceu com Jeremias seguidamente conclamando o povo ao arrependimento.

Talvez Zedequias imaginasse que o profeta mudaria sua pregação ante uma “intimação real”. O rei ainda teve a petulância de “sussurar” ao profeta uma sugestão, mandando dizer que, quem sabe o Senhor fizesse pelos judaítas maravilhas e assim Nabucodonosor se retirasse de Judá.

Jeremias era um homem de Deus. Não se deixou intimidar pela consulta do monarca, mas disse que os babilônios iriam, sim, vencer os judeus e que o próprio Zedequias seria entregue nas mãos de Nabucodonosor. O cativeiro viria, não haveria como dele escapar (Jr 21.4-10).

Não bastasse esta mensagem, em resposta à consulta feita, o Senhor mandou que o profeta Jeremias fosse até o palácio e, publicamente, profetizasse a Zedequias para que ele exercesse justiça e juízo sob pena de a casa real ser retirada do trono (Jr.22) , tendo também dado dura mensagem contra os pastores infiéis de Israel (Jr 23.1-4) e contra os falsos profetas (Jr 24.9-40).

Entretanto, apesar de tais palavras, nem o rei, nem a casa real, nem os sacerdotes, nem tampouco os falsos profetas ou o povo mudaram a sua maneira de viver, fazendo ouvidos moucos à mensagem vinda da parte do Senhor.

Pelo contrário, um falso profeta chamado Hananias desafiou publicamente o profeta Jeremias e teve o apoio maciço de todos na sua falsa profecia, em que dizia que breve acabaria o cativeiro daqueles que haviam sido levados para Babilônia e, mesmo tendo este falso profeta morrido conforme predito por Jeremias, nem assim o povo se arrependeu

“Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da terra; este ano, morrerás, porque falaste em rebeldia contra o Senhor. E morreu Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês” (Jr 28. 16,17).

Zedequias, como era um rei tributário, ou seja, tinha de pagar tributos ao rei da Babilônia, foi até lá para pagar o que devia e, naquela oportunidade, o profeta Jeremias mandou uma mensagem por intermédio de Seraías, que acompanhou Zedequias nesta viagem, aos exilados, confirmando que eles ficariam muito tempo no cativeiro, mas que retornariam e que Babilônia seria punida por Deus (Jr 51.60-64; 29).

“A palavra que mandou Jeremias, o profeta, a Seraías, filho de Nerias, filho de Maaséias, indo ele com Zedequias, rei de Judá, à Babilônia, no ano quarto do seu reinado; e Seraías era um príncipe pacífico” (Jr 51.59).

Zedequias certamente ouviu esta mensagem, mas nem assim se demoveu. Foi só retornar para Judá que resolveu se rebelar contra o rei Nabucodonosor, numa atitude que foi censurada pelo próprio Deus, pois ele havia jurado fidelidade ao rei da Babilônia e, ao se rebelar contra ele, cometeu perjúrio, o que é violação da lei (2Rs 24.20; 2Cr 36.13; Jr 52.3).

Diante desta rebelião, Nabucodonosor resolve mandar tropas para Judá, marchando contra Jerusalém, iniciando um longo cerco de dois anos contra a cidade (2Rs 25.1,2; Jr 52.4,5; Jr 39.1).

Nesta situação aflitiva em que se encontrava a cidade, Zedequias, atendendo a pedidos de adversários do profeta Jeremias, mandou prender o profeta no pátio da guarda, no palácio real (Jr 32.1,2).

Zedequias mostrava toda a sua obstinação de coração. Mesmo sabendo que Jeremias era um homem de Deus, mesmo vendo o cumprimento de todas as profecias ditas por ele, resolveu prendê-lo, revelando completo destemor com relação a Deus.

Naquele tempo, Zedequias cometeu um outro pecado grave, pois, após ter mandado libertar todos os escravos judeus, sendo pressionado pela elite do país, voltou atrás, permitindo que os escravos fossem novamente submetidos a seus senhores. Diante deste gesto, Jeremias, mesmo preso, mandou uma mensagem ao rei demonstrando toda a reprovação divina com tal atitude, uma vez que, ao libertar os escravos, Zedequias havia feito cumprir a lei de Moisés, que não permitia escravidão perpétua de israelitas por israelitas (Jr 34.8-21; Êx 21.2).

Mesmo tendo mandado prender Jeremias, Zedequias pediu que Jeremias orasse por ele e por Judá para que o Senhor os livrasse,

“Contudo, mandou o rei Zedequias a Jucal, filho de Selemias, e a Sofonias, filho de Maaséias, o sacerdote, ao profeta Jeremias, para lhe dizerem: Roga, agora, por nós ao Senhor, nosso Deus” (Jr 37.3).

O rei continuava o mesmo, insistia em desobedecer ao Senhor, mas queria o Seu favor. Achava que Deus “tinha a obrigação” de favorecê-lo e a Judá, mesmo não sendo eles fiéis ao Senhor.

Na prisão, Jeremias traz uma mensagem muito profunda. Apesar de o cativeiro ser iminente, de a casa de Davi estar a ponto de ser destronada, Deus não havia Se esquecido de Suas promessas. O profeta informa o povo que a cidade e o templo seriam destruídos, mas que, apesar disso, o Senhor haveria de restaurar tanto a cidade quanto a nação e na linhagem de Davi brotaria um Renovo justo e um descendente de Davi haveria de reinar para sempre sobre Israel:

“Naqueles dias e naquele tempo, farei que brote a Davi um Renovo de justiça, e ele fará juízo e justiça na terra” (Jr 33.15).

JERUSALÉM É CERCADA E LEVADA CATIVA

Pior do que a morte dos descendentes de Zedequias, o vazamento de seus olhos e sua prisão, foi o que ocorreu com Jerusalém. Poupada por quatro vezes pelos babilônios, agora, ante esta rebelião de Zedequias, não houve qualquer misericórdia. A cidade foi completamente destruída pelos babilônios, assim como o templo.

Nabuzaradã, capitão da guarda, entrou em Jerusalém e queimou o templo como também todas as casas de Jerusalém, inclusive a casa dos grandes:

“E queimou a Casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém; todas as casas dos grandes igualmente queimou” (2Rs 25.9).

O Senhor mostrava toda a Sua indignação com relação ao povo de Judá, reagindo à impenitência desmedida daquela gente. O templo, símbolo da Sua presença no meio do povo, era agora cinzas, completamente destruído.

É interessante observar que o profeta Ezequiel, que já estava no cativeiro, teve visões a respeito de Jerusalém e do templo e, em uma delas, pôde testemunhar a retirada da glória de Deus dali e, o que é interessante, de modo gradual. Primeiro, o profeta viu a glória sair da entrada da casa e parar sobre os querubins “Então, saiu a glória do Senhor de entrada da casa e parou sobre os querubins” (Ez 10.18). Depois, a glória do Senhor se alçou desde o meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade,

“Então, os querubins elevaram as suas asas, e as rodas as acompanhavam; e a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles. E a glória do Senhor se alçou desde o meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade” (Ez 11. 22,23).

Deus não é Deus de confusão e, portanto, ante as mazelas cometidas pelo povo, inclusive pelos sacerdotes, foi-se distanciando pouco a pouco, até o instante em que Se retirou por completo do templo que, como simples edificação, acabou sendo totalmente destruído pelos babilônios.

A propósito, além de o profeta Ezequiel ter visto a glória de Deus deixar o templo em Jerusalém antes de sua destruição, também é de se observar que a arca do concerto lá não se encontrava quando o templo foi destruído. As Escrituras enumeram todos os utensílios e peças que foram levados de Jerusalém para a Babilônia, nos cinco saques que sofreram o templo e Jerusalém, por parte dos babilônios, mas, em nenhuma delas, é dito que a arca tenha sido capturada, sinal de que ela não foi tomada pelos invasores, ela que era o símbolo da presença de Deus (2Rs 25.13-16; 2Cr 36.18; Jr 52.17-23). Tanto assim é que, no segundo templo, não havia arca, porquanto ela desapareceu quando da destruição do primeiro templo.

A tradição judaica diz que ela foi escondida pelo profeta Jeremias quando se deu a invasão de Jerusalém pelos babilônios, tradição esta que é registrada no segundo livro dos Macabeus.

OBS: Eis o texto de II Macabeus, na 1ª edição da Tradução da CNBB: “No documento estava também que o profeta, advertido por um oráculo, ordenou que o acompanhassem com a Tenda e a Arca até chegarem ao monte onde Moisés tinha subido e de onde vira a herança de Deus. Ali chegando, Jeremias encontrou um abrigo em forma de gruta, onde introduziu a Tenda, a Arca e o altar dos perfumes. Depois, obstruiu a entrada. Alguns dos seus companheiros quiseram aproximar-se, para marcar o caminho com sinais, mas não puderam reconhecê-lo. Ao saber disso, Jeremias censurou-os, dizendo: ‘O lugar ficará desconhecido, até que Deus restaure a unidade do seu povo e manifeste a sua misericórdia. Então o Senhor mostrará de novo estas coisas, e aparecerá a glória do Senhor assim como a Nuvem, tal como se manifestava no tempo de Moisés e quando Salomão orou, para que o lugar santo fosse grandiosamente consagrado’…”.

De qualquer modo, tais episódios deixam bem claro que o fato de o templo ter sido destruído não significa que Deus tenha sido vilipendiado ou confrontado com a destruição, mas, sim, que tudo ocorreu por Seu desígnio e que, antes que isto acontecesse, em virtude da própria vontade do Senhor, os símbolos da presença de Deus naquele lugar foram retirados.

Naquela oportunidade, o profeta Jeremias foi poupado, tendo Nebuzaradã, por ordem expressa do rei Nabucodonosor, permitido que o profeta escolhesse entre ir para Babilônia ou ficar com o restante do povo (Jr 39.11-13), dos mais pobres, que foram mantidos na terra (2Rs 25.12; Jr 39.10; 52.16).

Esta condição dada ao profeta Jeremias mostra como a cegueira espiritual dos judeus quando da destruição do templo e de Jerusalém. Até mesmo um rei gentio, como Nabucodonosor, tinha pleno conhecimento de que Jeremias havia predito tudo quanto ocorrera, reconhecendo que o Senhor falara por ele, que ele era alguém que deveria ser ouvido e respeitado.

Jeremias, que amava o seu povo, preferiu ficar com os mais pobres em Canaã do que, talvez, desfrutar de uma boa condição junto ao rei de Babilônia. Tinha consciência de que tinha um ministério a cumprir e que deveria continuar sendo usado por Deus para orientar e trazer mensagens divinas ao povo. Como um restante do povo havia sido mantido na terra, os babilônios nomearam a Gedalias como governador (2Rs 25.22-24).

Gedalias conclamou o povo a obedecer aos babilônios e aceitar o seu domínio sobre eles, tendo, então, vários judeus que se encontravam entre os amonitas resolvido ir até Mispá, onde Gedalias havia se instalado, entre os quais Ismael (Jr 40.6;41.1)

Diante do assassinato Gedalias, o povo se rebelou contra Ismael, que os tentava levar prisioneiros para Amom e, sob o comando de Joanã, acabaram por se libertar de Ismael, que fugiu para Amom (Jr 41.10-15).

Joanã, então, que passou a liderar o povo, pediu a Jeremias que consultasse a Deus sobre o que deveriam fazer e o profeta, ao consultar ao Senhor, trouxe mensagem para que ficassem em Canaã, sob o domínio dos babilônios, mas Joanã não obedeceu a esta mensagem, numa prova de que, mesmo o povo que ficara na terra, era rebelde ao Senhor, decidindo ir para o Egito (2Rs 25.26; Jr 42,43).

O povo continua a não obedecer ao Senhor e, contra a orientação divina, vai para o Egito, e isto apesar de o profeta Jeremias ter-lhes dito que, no Egito, todos seriam mortos, pois os babilônios invadiriam e subjugariam o Egito:

“Porque visitarei os que habitam na terra do Egito, como visitei Jerusalém, com a espada, com fome e com a peste” (Jr 44.13).

No Egito, os judeus, apesar das profecias de Jeremias, mantiveram uma atitude de desobediência ao Senhor, chegando mesmo a restaurar a adoração à “rainha dos céus” (Jr 44.17-19), demonstrando o coração obstinado para pecar contra o Senhor e a consequência disto foi terem sido exterminados quando os babilônios invadiram o Egito, o que ocorreu em 569 a.C., ou seja, 17 anos após a queda de Jerusalém.

Todos os judeus foram mortos, menos Jeremias e Baruque, que foram levados à força para o Egito que foram certamente poupados, pois havia promessa divina neste sentido (Jr 45.5)

“Aos homens, e às mulheres, e aos meninos, e às filhas do rei, e a toda alma que deixara Nebuzaradã, capitão da guarda, com Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã; como também a Jeremias, o profeta, e a Baruque, filho de Nerias” (Jr 43.6).

Outra demonstração de que Jeremias e Baruque escaparam do extermínio é o registro no livro dos Reis (2Rs 25.27-30) e no livro de Jeremias (Jr 52.31-34) da elevação de Joaquim no reinado de Evil-Merodaque, que é o sucessor de Nabucodonosor, que subiu ao trono oito anos depois da conquista do Egito (561 a.C.), textos escritos pelo próprio Jeremias que, segundo Edward Reese e Frank Klassen, morreria apenas um ano depois, em 560 a.C.

Jeremias e Baruque foram poupados numa clara demonstração de que o Senhor é quem estava no controle de todas as coisas e que o fato de terem sido levados como verdadeiros reféns para o Egito não garantiu aos impenitentes a sua vida. Pelo contrário, terem levado o profeta e continuado a acintosamente descumprir as orientações divinas, revelam o porquê da destruição destes judeus, apesar de serem o povo de Deus.

Jeremias termina o registro do livro dos Reis falando da elevação de Joaquim na corte babilônia, onde ele certamente estava naquele tempo. Tal elevação foi vista pelo profeta como uma comprovação de que Deus continuava a cumprir as Suas promessas e que Israel seria restaurado, apesar de tudo.

Era o plano de Deus que prosseguia, apesar da infidelidade da nação israelita, como diz o título do nosso trimestre. Deus estava a usar o cativeiro para ensinar e corrigir o povo, a fim de que eles abandonassem a idolatria que tanto mal lhes causara.

O remédio ministrado deu resultado. Israel nunca mais se envolveria como nação na idolatria, ainda que, lamentavelmente, após retornar do cativeiro, viesse a agir de outro modo que não agradaria a Deus, com a indiferença e a religiosidade, mas isto é assunto para outro estudo.

A PROMESSA DE RESTAURAÇÃO PARA DO REINO DE JUDÁ

O Senhor, por intermédio do profeta Jeremias também enviou uma mensagem de esperança para Judá (Jr 3.16-18; 12.14,15; 23.3-8; e os capítulos 30 a 33).

Tais referências relacionam-se com as alianças entre o Senhor e os antepassados de Israel, as quais garantiram a continuação da casa de Jacó e da linhagem real de Davi

“Também rejeitarei a descendência de Jacó e de Davi, meu servo, de modo que não tome da sua semente quem domine sobre a semente de Abraão, Isaque e Jacó; porque removerei o seu cativeiro e apiedar-me-ei deles” (Jr 33.26).

Mesmo numa época em que já não havia justiça no país, e o paganismo estava se proliferando a cada dia, o Senhor assegurou, por intermédio do profeta Jeremias, que suas alianças eram tão invioláveis quanto o fato natural de o dia seguir a noite (Jr 31.36,37; 33.20-26). No livro das Lamentações de Jeremias, ele aponta pelo menos duas razões para termos esperança:

(1) A ira do Senhor é de curta duração, mas, a sua misericórdia não tem fim (Lm 3.22);

(2) O Senhor é bom e misericordioso para com aqueles que nEle esperam com humildade e arrependimento (Lm 3.24-27).

CONCLUSÃO

O cativeiro de Judá trouxe consequências drásticas e prejuízos irreparáveis para o povo judeu, como podemos ver no livro das Lamentações de Jeremias. Além da destruição do templo e da cidade de Jerusalém, ocorreram muitas mortes, fome, desprezo e miséria para os poucos que ficaram na Terra; além da deportação para Babilônia da grande maioria do povo judeu. Tudo isto poderia ter sido evitado, se o povo de Judá e de Jerusalém atentassem para a Palavra de Deus e para a mensagem dos seus profetas. E, foram escritas, para servir de alerta e de advertência, não apenas para o povo judeu, mas, também, para cada um de nós!   

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