EBD – O Diaconato

Pr. Sérgio Loureiro
Sou o Pastor Sérgio Loureiro, Casado com Neusimar Loureiro, Pai de Lucas e Daniela Loureiro. Graduando em Administração e Graduando em Teologia. Congrego na Assembleia de Deus em Bela Vista - SG

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Paz do Senhor!

Prezados professores e alunos,

“Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1Tm 3.13)

Aquilino de Pedro afirmou que o diaconato é o ministério por excelência; o serviço é a sua razão primacial. Analisando essa frase chegamos à conclusão que a diaconia outra coisa não é senão um serviço incondicional e amoroso a Deus e a sua Igreja. O diácono que não procura viver para o serviço a igreja, não serve para viver como um ministro de Cristo. Pois a essência do diaconato é o serviço; do diaconato, o serviço também é o amoroso fundamento.  

A DIACONIA DE JESUS CRISTO

A palavra diácono é originária do vocábulo grego diáconos e significa, etimologicamente, ajudante, servidor. Já que o diácono é um servidor, pode ele ser visto também como um ministro; a essência do ministro cristão, salientamos, é justamente o serviço. (Andrade, Claudionor, p 14)

No Dicionário do Novo Testamento Grego oferece-nos W. C. Taylor a seguinte definição diácono: garçom, serviço, administrador e ministro. Na Grécia clássica, diácono era o encarregado de levar as iguarias à mesa, e manter sempre satisfeito os convivas.

A palavra está provavelmente relacionada com o verbo: “diõko”, “apressar-se após, perseguir” (talvez dito originalmente acerca de um corredor). Ocorre no Novo Testamento em alusão (a) aos criados domésticos (Jo 2.5,9); (b) ao governante civil (Rm 15.8; Gl 2.17); (c) a Cristo (Rm 15.8; Gl 2.17); (d) aos seguidores de Jesus em sua relação com o Senhor (Jo 12.26; Ef 6.21; Cl 1.7; 4.7); (e) aos seguidores de Jesus em relação uns com os outros (Mt 20.26; 23.11; Mc 9.35; 10.43); (f) aos servos de Cristo no trabalho de orar e ensinar (1Co 3.5; 2Co 3.6; 6.4; 11.23; Ef 3.7; Cl 1.23,25; 1Ts 3.2; 1Tm 4.6); (g) àqueles que servem nas igrejas (Rm 16.1 [usado acerca de uma mulher só aqui no NT]; Fp 1.1; 1Tm 3.8,12); e, (h) aos falsos apóstolos, servos de Satanás (2Co 11.15) (VINE, 2002, p. 563)

Foi o Senhor um diácono em tudo perfeito. Jesus faz uma declaração:

“Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45)    

Jesus era o Senhor, porem servia a todos. Poderia estar na mesa, todavia estava lavando os pés dos discípulos. Lá em Apocalipse contemplamos a plenitude da glória de Cristo, em Isaias, como Servo sofredor. “Nosso Senhor; Diácono dos diáconos”! (Andrade, Claudionor, 1999, p 24).

A INSTITUIÇÃO DOS DIÁCONOS

No Antigo Testamento. Embora o ministério de diácono seja uma realidade neotestamentária, o serviço que lhe é peculiar, pode ser visto nas páginas do Antigo Testamento, nas atribuições dadas aos levitas. A Bíblia nos mostra que os levitas eram ajudantes dos sacerdotes (Nm 3.5-9). As obrigações menores, algumas até manuais, como de limpeza, arranjo e arrumação no templo, cabiam aos levitas não sacerdotais. Alguns dos seus deveres são descritos em (Êx 13.2,12,13; 22.29; 34.19; Lv 27.27; Nm 3.12,13,41,45; 8.14-17; 18.15; Dt 15.19).

No Novo Testamento. Em Atos 6 temos o registro claríssimo da separação dos primeiros diáconos, não foram os sete separados em segredo, mas separados ante a congregação. Tinham a função de administrar as coisas materiais e se ocupavam do suprimento dos necessitados na igreja. Diz respeito ao ministério eclesiástico que foi instituído pelos apóstolos para: (a) socorrer os necessitados; (b) servir às mesas; e (c) manter a boa ordem na Casa de Deus (At 6.1-6). Em suas funções básicas, servindo a igreja, os diáconos atuam como ajudantes do pastor, proporcionando-lhe tempo necessário para à oração, dedicação a Palavra, etc. (ANDRADE, 1999, p. 21,22)

Lembramos o que disse Otis Bardwell, experimentadíssimo diácono: “O diácono não foi chamado para receber honrarias, mas para servir a Deus e à Igreja”

O PERFIL E FUNÇÃO DO DIÁCONO

“Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçoso de torpe ganância” (1Tm 3.8) 

Após discorrer acerca dos requisitos ao episcopado, Paulo põe-se a considerar as qualificações do diácono. Ele usa aquelas expressões, tinha ele elevada consideração aos diáconos. No original, tal expressão é mui significativa: Diakónous hosaútos. O vocábulo hosaútos equivale a de igual modo, da mesma maneira. Wilbur B. Wallis lembra que “o pensamento principal parece ser que deveria haver o mesmo tipo e grau de dons e qualificações para os diáconos, segundo o padrão dos anciões”.   (ANDRADE, 1999, p. 42,43)

Qualificações são requisitos imprescindíveis para aquele crente que quer exercer o ministério de socorro aos necessitados e de serviço aos santos. Em Atos dos Apóstolos nós encontramos o seguinte:

“Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio” (At 6.3)

Nesses elencos de virtudes e requisitos, só encontramos em homens de raríssimo valor. Sem aqueles requisitos, sua missão jamais será cabalmente cumprida.  

Boa reputação

Afirmou Publílio Siro poeta latino que a reputação é um segundo patrimônio. Reputação originária do vocábulo latino reputatione, a palavra reputação significa fama, celebridade e renome. O erudito Samuel Vila definiu o significado de reputação: “Reputação é uma das vozes mais sábias que tem a nossa língua. É a nossa fama ou crédito pessoal; é algo que se submete ao julgamento público todos os dias. Reputar, pois, é julgar repetidamente a uma pessoa ante o fórum da moral pública”

No grego o vocábulo marturouménous que significa não somente reputação como também testemunho. Por conseguinte, antes de separarmos um obreiro ao diaconato, exijamos tenha ele uma boa reputação.  (ANDRADE, 1999, p. 31,32)  

Plenitude do Espírito Santo

“A vida do cristão começa no Calvário, mas o trabalho eficiente, no Pentecostes.” Bem definida por Stanley Jones. Comprovando essa veracidade no dia 11 de agosto 1991, sentimos impulsionado a servir o Senhor, pois ardia um fogo peito, não deve outro jeito a não ser entregar ao serviço cristão. Pastor Túlio de Barros afirmou certa vez: “Chegamos ao pé da cruz, recebemos cura e restauração da alma pelo sangue de Cristo, e depois caminhamos para o cenáculo, para receber o Batismo com Espírito Santo”. Conclui-se, pois, que os diáconos têm de ser não somente batizados no Espírito Santo como manter na plenitude do Espírito. Sua experiência haverá de ser completa; da conversão ao batismo no Espírito Santo, mais do que plena. (ANDRADE, 1999, p. 35)   

Sabedoria Espiritual

A expressão grega não deixa dúvidas: pléreis sophías, que significa, cheios de sabedoria! W. C. Taylor nos traz qual o seu significado no grego do Novo Testamento: “O mais elevado dom intelectual, de compreensiva intuição nos caminhos e propósitos de Deus; sabedoria prática, os dotes do coração e mente que são necessários a conduta reta da vida”.

Como se adquire semelhante sabedoria?

  1. Lendo a Bíblia diariamente (Pv 8.5)
  2. Orando e chorando
  3. Cultivando o temor a Deus (Pv 1.7; Ap 14.7)
  4. Observando todas coisas (Ec 1.13,14)

Honestidade

Honestidade significa probidade, decência, decoro. É qualidade de quem é integro e digno. A palavra grega para honestidade é semnótes: seriedade, honradez, respeito. Barret traduziu assim: “Da mesma forma sejam os diáconos homens de princípios elevados”.  (ANDRADE, 1999, p. 43)

O diácono não é perfeito em si mesmo, por mais que se esforce para ser santo. Mas, cuidando de sua vida pessoal, ministerial e como cidadão, pode ser muito bem visto pelos crentes como uma pessoa honesta. Um dos maiores legados é a honestidade. Que os diáconos e demais obreiros venham, jamais perder.

Não de língua dobre

No grego é “Dilógous”, que a significar de “língua dupla”, ou “insincero”. O que detém semelhante deformidade moral dá a um mesmo fato as mais variadas versões. O diácono não pode dá sentido duplo às coisas sobre a mesma questão. É uma calamidade para a igreja local o diácono de língua dobre. “Bom diácono é discreto, sabe guardar segredo. Ele tem uma só palavra, não se preocupa em ser politicamente correto conquanto seja justo, fiel e leal”.  (ANDRADE, 1999, p. 45)

Abstinência às bebidas alcoólicas

A expressão grega é piedosamente esclarecedora: mé oino pollo proséchontas. A ideia, no original, retrata alguém com a mente voltada para o vinho, não pode livrar-se dessa obsessão. (ANDRADE, 1999, p. 47) O diácono não deve ser nem se arrisca a ser viciado em vinho. O diácono deve ser dar exemplo de abstinência desse tipo de bebida para o seu bem, de sua família e da igreja local. Se fosse escrito hoje, o texto talvez dissesse: “não dado à cerveja, à champanhe, ao licor ou outra bebida alcoólica”.     

Incorrupção e integridade

No grego, mé aischokerdeis. A expressão pode ser entendida também como não amante do lucro, não mercenário, (ANDRADE, 1999, p. 50). O diácono deve dedicar somente a glória de Deus, e não fazer do ofício um meio de enriquecimento ilícito. Muitos têm afundado moralmente, por causa da desonestidade, que resulta da ganância por riquezas materiais.

“Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.10).    

A observância do ministério da fé numa pura consciência

Fora as qualidades morais e sociais, exige-se dos diáconos que sejam são na fé. Que estejam de acordo com a Palavra de Deus, que conservem a sã doutrina, e não haja desvios no que tange à ortodoxia.

“guardando o ministério da fé em uma pura consciência” (1Tm 3.9)

O que quer dizer sobre o “guardar o ministério da fé em uma pura consciência”? A palavra guardar significa “echo” é “ter”, “possuir”, como se o que se possui faz parte do caráter de qualquer pessoa. “Possuir”, então, as verdades agora reveladas, os segredos revelados. O bom diácono tem “pureza moral”, sendo isento de vícios (pecados) que degradam a personalidades (sexualidade, desonestidade, etc.) (Kessler, 1999, p. 108)

Fidelidade conjugal

Indica que o que está na condição do diácono não pode ser culpado de “poligamia”, o que é contrário ao ideal cristão do casamento monógamo (Mt 19.3-12). Ser marido de uma mulher não dá direito ao homem de Deus divorciar-se por qualquer motivo de sua esposa e contrair novas núpcias. E permanecer na condição de diácono. A recomendação do escritor em Hebreus é que:

“Venerado seja entre todos o matrimonio e o leito sem macula; porém aos que que se dão à prostituição e aos adúlteros deus os julgará” (Hb 13.4)

Além disso, o diácono deve governar bem a sua própria casa. Se assim bem servirem, adquirirão esses diáconos, para si, uma boa posição, e muita confiança na sua fé que há em Cristo:

“Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1Tm 3.13)

Educação e o governo dos filhos e da casa

O alerta do apóstolo Paulo não admite desculpas:

“e governe bem seus filhos” (1Tm 3.12b).

Essa expressão no grego é: téknõn kalõs proistámenoi. O verbo proístemi, no grego é riquíssimo, porém na língua portuguesa pobre. Significa “tomo posição em frente, assumo a direção, a liderança e o governo. Significa também, sou cuidadoso, sou atencioso, e aplico-me aos meus deveres, (ANDRADE, 1999, p. 43). O diácono não somente ensina ou educa, ele é um gestor dos seus filhos. Levando-os terem sucessos diante de Deus e dos homens. Os diáconos têm a necessidade de trazer seus filhos sob orientação, para que seus filhos sejam um exemplo na igreja local.

“e suas próprias casas” (1Tm 3.12c)  

O que significa “governar suas próprias casas”? No grego proistámenoi kai ton idíon oikon, governar bem a casa implica em contemplar-lhe e suprir-lhe todas as carências e demandas, saldar-lhe os compromissos, fazer com que as rendas da família sejam bem empregadas. (ANDRADE, 1999, p. 56) O diácono deve governar bem a sua casa, equilibrando as finanças, para não gastar além do que ganha. Tem saber lidar com o próprio dinheiro, para gerir o dinheiro dos santos.

A função dos diáconos hoje

“É um encargo sob a direção do ministro da igreja (At 6.3), relacionado com os serviços de ordem material e social. A Bíblia faz referência a alguns desses encargos da esfera dos diáconos, como o repartir, o exercer misericórdia (Rm 12.8) e o socorrer (1Co 12.28). Conforme o modelo do Novo Testamento, os diáconos não tomavam parte na administração e direção da igreja, mas, além de fazer serviços materiais e sociais, alguns cooperavam na pregação da Palavra, como Estevão (At 6.8,10) e Filipe (At 6.5; 8.4)” (BERGSTÉN, 2007, p. 117).

“O ofício e a função dos diáconos tiveram começo no tempo dos apóstolos, conforme a descrição do sexto capítulo do livro de Atos; mas a passagem do tempo tal como sucede a tudo mais, ampliou o escopo e a natureza do ofício, até que o mesmo se tornou uma posição eclesiástica (1Tm 3.8-13). A própria palavra diácono é usada de várias maneiras, nas páginas do NT, subentendendo serviço de qualquer espécie, espiritual ou material” (CHAMPLIN, 2005, p. 312 – acréscimo nosso).

“Os diáconos poderão realizar diversas tarefas, na Casa do Senhor, com dignidade, cuidado e zelo, ‘de todo coração, como ao Senhor, e não aos homens’ (Cl 3.23). A função principal dos diáconos, atualmente, é auxiliar o pastor ou ao dirigente da congregação, nas atividades espirituais, ligadas ao culto ou não, bem como nas atividades sociais e materiais da igreja, para as quais for designado” (RENOVATO, 2021, p. 144).

“Os dons listados por Paulo em Romanos 12 (dons de serviço) são tão necessários e importantes a Igreja como os dons de 1Coríntios 12 (dons espirituais). O dom de socorro, por exemplo, no grego “antilempseis”, indica que toda sorte de ações úteis pode ser inspirada pelo Espírito Santo. O verbo correspondente é usado para referir-se a auxiliar os enfermos (At 20.35) e a servir melhor os mestres (1Tm 6.2)” (HORTON, 2006, p. 122 – grifo nosso).

A partir da definição da palavra diácono (servo) e da função do mesmo que é servir, percebe-se claramente que o “dom de socorro” ou “exercer misericórdia” é a especialidade do diaconato (Rm 12.8; 1Co 12.28).

Conclusão

Embora o dom ministerial de diácono seja dado por Deus a alguns, a “diakonia” que é “serviço” deve ser uma atribuição de todo aquele que recebeu a Cristo como seu Salvador, como expressão de sua gratidão a Deus e amor a Sua igreja.

Em Cristo,

Sergio Loureiro, pr.

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